Por que clientes da Nvidia chamaram mais atenção que balanço forte no 1º trimestre?

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A Nvidia apresentou, mais uma vez, fortes e esperados resultados do primeiro trimestre de 2026. Mesmo com números acima das expectativas e bons guidances apresentados, o mercado ainda mantém dúvidas sobre a capacidade da empresa para seguir entregando de forma sustentável e manter participação de mercado, em especial considerando a concentração de receita em alguns clientes específicos. Os papéis recuam na sessão desta quinta-feira (21), com perdas de cerca de 1%.Neste trimestre, a empresa estreou um novo modelo de divulgação de resultados para esse negócio, segmentando-o em duas frentes: hiperescaladores, que abrange grandes nuvens públicas e plataformas de internet, e ACIE, sigla para AI Clouds, Industrial & Enterprise, que inclui data centers dedicados a IA, clientes industriais, empresas e soberanos.Leia mais:Mesmo com números fortes no 1º tri, riscos para tese da Nvidia permanecem, diz XPNvidia tem receita acima, surpreende em projeções e fará recompra de US$ 80 biO desempenho foi equilibrado entre os dois subsegmentos. O “lado hiperescalador” gerou 37,9 bilhões de dólares em receita, com crescimento anual de 115%, enquanto ACIE respondeu por 37,4 bilhões de dólares, com alta de 74% em base anual.Segundo análise da XP, essa divisão igualitária é importante porque marca uma mudança estrutural na história da Nvidia: o crescimento deixa de ser quase exclusivamente dependente de um pequeno grupo de grandes hiperescaladores e passa a refletir uma base de clientes mais ampla e diversificada.Ao diluir a concentração em poucos nomes, a companhia reforça a sustentabilidade do ciclo de investimentos em IA, abrindo espaço para um crescimento mais longo, menos cíclico e menos vulnerável a cortes de capex de poucos clientes. “O que o mercado gostaria de ver é isso. A redução da dependência das Big Techs e abrir o mercado para outras companhias, para outros setores. Então, acho que essa sinalização é importante para o mercado. Eles vão começar a reportar nesse nível de plataforma agora”, diz Enzo Pacheco da Empiricus. O analista de tecnologia da Kinea, Guilherme Amaral, também citou como destaque diversificação de clientes, que foi reportada pela Nvidia ao citar que metade de sua receita vem de outros players, além dos 5 ou 6 maiores nomes do mundo, como Meta, Amazon e Alphabet, dona do Google. “Mais da metade de sua receita vem de outros clientes que não estão interessados em competir com eles”, diz.DependênciaPara Itaú BBA, no entanto, ainda preocupa a dependência dos hiperescaladores. O relatório sobre os resultados cita que apenas três clientes correspondem a 54% da receita total, com concentração indireta provavelmente ainda maior considerando o modelo de aluguel em múltiplos níveis. Isso acontece, por exemplo, em laboratórios de IA que alugam clusters desses hiperescaladores.“Como o principal risco para a tese de Nvidia é a possibilidade de substituição marginal de seus produtos por chips customizados (ASICs) desenvolvidos pelos próprios clientes hiperescaladores, ter uma parcela maior do crescimento vindo desse segmento (56% do crescimento anual em dólares) é um ponto um tanto problemático”, cita o BBA.Assim, para o banco, se a empresa conseguir demostrar que consegue crescer para além do avanço de tendências gerais de capex de data centers e também crescimento mais forte justamente nos clientes ACIE, a tese pode ter um catalisador.“Até agora, embora a companhia tenha superado o guidance, batido o consenso e apresentado perspectivas de crescimento em aceleração, o receio de competição por parte dos próprios clientes e de seus asics internos permanece”, diz. Olhando com mais otimismo, o analista da Kinea afirma que o ciclo de investimento no setor segue a todo vapor, como foi visto na revisão para cima de capex da maior parte dos hiperescaladores. Em sua opinião, começa a ficar muito claro o retorno sobre o investimento de toda a infraestrutura de Inteligência Artificial.Momento “Apple”Os números presentes na divulgação do balanço e o programa de recompra anunciado também teriam o condão, neste momento, de mostrar para o mercado a capacidade da Nvidia de se tornar uma empresa com crescimento sustentável, na avaliação de Richard Clode, gerente de portfólio da equipe de líderes globais tecnológicos da Janus Henderson.“Um dos principais fatores que levaram  à reavaliação da Apple foi a empresa ter provado que não era a próxima Nokia, mas sim uma empresa de ecossistema de plataforma com crescimento e margens mais sustentáveis. Uma forma pela qual Tim Cook, em seus primeiros dias como CEO, sinalizou isso foi por meio do Programa de Retorno de Capital de março de 2012”, diz. O movimento foi composto por uma recompra de US$ 10 bilhões e instituição de dividendo trimestral — medidas que não eram tomadas desde 1995, segundo Clode No caso da Nvidia, a companhia reportou quase US$ 50 bilhões em fluxo de caixa livre somente no último trimestre, com uma transferência de fluxo de caixa livre “única na vida”, dos hiperescaladores e construtores de data centers de IA para os fornecedores, com a Nvidia liderando os beneficiários do setor de semicondutores.Com isso, foi possível realizar a recompra incremental de US$ 80 bilhões, elevando a autorização em vigor para US$ 118,5 bilhões, bem como um aumento de 25 vezes no dividendo, para US$ 1 por ano. Um dos pontos que garantiria essa sinalização ao mercado, que se preocupa com perda de participação pela Nvidia, seria justamente o destaque para o crescimento diversificado da companhia além dos principais clientes. “A ascensão dos modelos de IA de ponta, das neoclouds (ou nuvens nativas de IA, na terminologia da Nvidia), da IA soberana e da IA empresarial está impulsionando um crescimento significativo, duradouro e diversificado, menos limitado pelo foco intenso do mercado em apenas alguns fluxos de caixa dos hiperescaladores”, diz Clode. The post Por que clientes da Nvidia chamaram mais atenção que balanço forte no 1º trimestre? appeared first on InfoMoney.

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