Herdeiros trocam imóveis por FIIs? O novo olhar das famílias ricas sobre sucessão

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O mercado imobiliário brasileiro pode estar entrando em uma nova fase na relação entre grandes famílias, holdings patrimoniais e fundos imobiliários. Em vez de manter imóveis diretamente nas estruturas familiares, cresce o movimento de family offices avaliando a troca de ativos físicos por cotas de FIIs, em uma combinação de sucessão patrimonial, eficiência tributária, liquidez e profissionalização da gestão.O movimento mistura fatores culturais, sucessórios, tributários e também a própria transformação da indústria de FIIs, que ficou mais líquida e institucional ao longo dos últimos anos.Para Fabio Carvalho, sócio da Alianza e gestor do ALZR11 (Alianza Trust Renda Imobiliaria), a mudança ainda acontece de forma gradual, mas já é perceptível nas conversas com famílias de alta renda e detentoras de grandes patrimônios imobiliários.“O brasileiro ficou muito patrimonialista por causa da inflação alta durante décadas. Existe uma cultura muito forte de querer ser dono da matrícula do imóvel, de ter o ativo físico na mão”, afirma em entrevista ao InfoMoney.Segundo ele, as novas gerações vêm alterando essa dinâmica ao olhar fundos imobiliários como instrumentos mais modernos, líquidos e eficientes para diversificação patrimonial e sucessão familiar. “Hoje, a gente conversa com famílias que já chegam conhecendo o mercado de FIIs, sabendo quais fundos gostam mais, quais gestoras confiam, quais ativos preferem. Isso mudou bastante.”Leia Mais: Por que as mulheres ainda são só 26% da base de investidores em FIIs?Reforma tributária e sucessão fazem family offices olharem para FIIsNa avaliação do executivo, a mudança geracional se soma a outro fator importante: o aumento da pressão tributária sobre estruturas patrimoniais tradicionais utilizadas por famílias ricas no Brasil.Para Carvalho, holdings patrimoniais que historicamente carregavam imóveis diretamente devem perder eficiência ao longo dos próximos anos com as mudanças tributárias em curso. “As estruturas antigas vão gerar menos caixa líquido para as famílias. Isso começa agora e tende a piorar gradualmente até 2031”, pontua.Ele destaca que muitos investidores já enxergam risco de aumento futuro da tributação sobre dividendos, o que também vem acelerando o interesse por estruturas mais modernas e líquidas.Além da questão tributária, Carvalho ressalta que os próprios fundos imobiliários passaram por um processo de amadurecimento relevante. “Os fundos ficaram maiores, mais líquidos, mais diversificados. As gestoras sobreviveram, cresceram e ficaram mais profissionais. Isso ajuda muito esse processo.”Leia Mais: Crescimento do mercado de FIIs está menos dependente do ciclo de juros, diz B3Family offices trocam imóveis por cotas em estratégia de sucessãoCarvalho comenta que existem casos concretos de famílias trocando imóveis diretamente por cotas de FIIs como mecanismo de sucessão patrimonial.Por exemplo, um caso recente de uma família industrial de São Paulo que vendeu um galpão logístico para um fundo em troca de cotas, posteriormente direcionadas às filhas e à esposa como parte do processo sucessório.De acordo com o gestor, o movimento deve crescer nos próximos anos, principalmente entre famílias que buscam reduzir a complexidade operacional da gestão imobiliária direta.Pioneiro no mercado de fundos imobiliários, Sergio Belleza, diretor de transações e negócios imobiliários da Binswanger Brazil, afirma que os family offices acabam percebendo que terceirizar a gestão imobiliária para casas especializadas pode ser mais eficiente do que manter equipes próprias administrando imóveis diretamente.“Eles têm custo alto de gestão e precisam de uma especialidade operacional que muitas vezes incomoda bastante. Quando existe uma gestão transparente e profissional, isso tende a crescer”, diz.Leia Mais: LOG CP (LOGG3) cria nova frente de negócios para crescer em FIIs logísticos até 2030The post Herdeiros trocam imóveis por FIIs? O novo olhar das famílias ricas sobre sucessão appeared first on InfoMoney.

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