O Brasil atingiu em 2024 sua melhor marca no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e entrou na faixa de “muito alto desenvolvimento humano”, mas segue convivendo com desigualdades relevantes por território, raça/cor e sexo, segundo dados do Radar IDHM, elaborado a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua, do IBGE.Na série de 2012 a 2024, o IDHM do Brasil subiu de 0,744 para 0,805. O avanço ocorreu apesar do recuo observado em 2020 e 2021, associado aos impactos da pandemia de covid-19, especialmente na dimensão de longevidade.Em 2024, o IDHM Longevidade alcançou 0,860 (0,829 em 2012), após o pior nível em 2021 (0,796). O IDHM Educação também cresceu para 0,798, com queda pontual em 2021. Já o IDHM Renda teve trajetória mais oscilante, refletindo a crise econômica a partir de 2015 e a pandemia, mas avançou de 0,732 para 0,760.Os dados também mostram redução – ainda que parcial – das distâncias raciais. Entre 2012 e 2024, o IDHM da população branca passou de 0,796 para 0,806, enquanto o da população negra (pretos e pardos) subiu de 0,685 para 0,712. Ainda assim, permanecem diferenças significativas. Em renda, por exemplo, a renda domiciliar per capita foi de R$ 1.208,58 para brancos em 2024, ante R$ 673,65 para negros.As disparidades por sexo aparecem de forma mais forte quando o índice é ajustado pela renda do trabalho. Na série 2012-2024, o IDHM ajustado dos homens foi de 0,804 para 0,822, e o das mulheres, de 0,662 para 0,679, com a dimensão de renda do trabalho concentrando as maiores diferenças entre os grupos ao longo do período.Quando considerado o IDHM ajustado à desigualdade (IDHMAD), o indicador reforça que o desenvolvimento médio do País não representa igualmente todos os brasileiros. O IDHMAD avançou de 0,566 em 2012 para 0,641 em 2024. A “perda” associada à desigualdade, na comparação entre IDHM e IDHMAD, caiu de 23,9% para 20,4%, indicando melhora, mas manutenção de um hiato relevante.No recorte territorial, o Radar aponta evolução do IDHM em todas as unidades da federação entre 2012 e 2024, com Estados do Nordeste entre os que mais avançaram, como Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte. Ainda assim, as disparidades permanecem: em 2024, o Distrito Federal registrou 0,866, enquanto Maranhão e Alagoas ficaram com 0,745 e 0,746, respectivamente.Para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, o resultado dos avanços indicados no índice são reflexo dos projetos federais e de políticas públicas que olham para “a população mais pobre do Brasil”.“Você tem um avanço na cobertura do SUS, em saúde pública no País, um aprimoramento das políticas e com isso você permitiu um aumento da expectativa de vida média no País que conta e faz evoluir os índices. Você teve um processo de distribuição de renda muito vinculado às políticas de transferência de renda, de valorização real do salário mínimo que é uma marca dos governos do presidente Lula e dos programas sociais como o Bolsa Família”, afirmou, durante evento de lançamento da pesquisa.Apesar da melhora do índice sinalizar avanço de condições médias de vida, o Radar IDHM enfatiza que os dados reforçam a necessidade de políticas públicas orientadas por evidências para enfrentar desigualdades persistentes – e garantir que o progresso se traduza em oportunidades mais equilibradas entre grupos e territórios.“Ainda temos um desafio na parte da renda, evoluímos, reduzimos a desigualdade de gênero no Brasil do ponto de vista da renda, mas ela ainda existe, evoluímos na desigualdade racial, mas ele ainda existe, o abismo que separa a renda masculina da renda feminina, ele é menor do que era no período anterior, mas ele ainda existe. A gente comemora os dados, mas temos consciência de que precisamos de um planejamento ainda maior”, concluiu Boulos.The post Brasil avança para ‘muito alto desenvolvimento humano’, mas desigualdades persistem appeared first on InfoMoney.
