Frigoríficos vivem tempestade perfeita? Entenda a pressão sobre as ações do setor

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As ações dos frigoríficos brasileiros atravessam um período de pressão na Bolsa após uma sucessão de notícias negativas atingir o setor em poucos dias. Além das preocupações com a disseminação da bicheira (New World screwworm) nos Estados Unidos, que elevou as incertezas sobre a operação de carne bovina no país, a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal adicionou um novo foco de atenção para investidores.Embora analistas considerem que os efeitos financeiros imediatos dessas medidas tendem a ser limitados e, em alguns casos, possam até favorecer exportadores brasileiros, a sucessão de eventos reacendeu o debate sobre se o setor atravessa apenas um período de turbulência ou um cenário mais desafiador para as ações.Leia tambémRumo (RAIL3) bate recorde de volumes; o que isso implica para as ações?Volumes consolidados atingiram recorde de 8,2 bilhões de tonelada por quilômetro (RTK)Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com foco na guerra e tenta manter os 169 milBolsas dos EUA recuam com nova ofensiva contra o IrãNa avaliação da Ágora Investimentos, a restrição da União Europeia adiciona pressão ao setor de proteínas, o que ajuda a explicar o movimento de baixa recente e o posicionamento mais defensivo dos investidores.Os dados do mercado de aluguel de ações também apontam para um aumento do ceticismo. A Minerva (BEEF3) aparece entre os papéis com as maiores taxas de aluguel, em 9,49%, enquanto a Marfrig (MBRF3) figura entre as ações com maior número de dias para cobertura das posições vendidas, em 13,5 dias. “A combinação entre o evento regulatório, as preocupações sanitárias e o elevado nível de posições vendidas ajuda a explicar a maior volatilidade recente dos papéis e o aumento da cautela em relação ao setor no curto prazo”, comenta a Ágora.A Genial Investimentos, por sua vez, avalia que uma eventual perda desse mercado poderia pressionar o mix de produtos e reduzir margens das companhias exportadoras, gerando um impacto proporcionalmente maior sobre a rentabilidade do que os números de receita sugerem. Dessa forma, o efeito da medida tende a ser mais relevante pela perda de mercados premium do que pelo volume financeiro diretamente envolvido.Por outro lado, a Genial destaca que existe um importante amortecedor para o setor. Lotes originalmente destinados à Europa a partir de plantas brasileiras já estão sendo redirecionados para unidades dos mesmos grupos localizadas na Argentina e no Uruguai, países que seguem habilitados a exportar para o bloco europeu. Na prática, isso transforma uma restrição ao Brasil em uma questão de logística e de capacidade produtiva fora do país.O cenário tende a favorecer empresas com operações diversificadas, capazes de realocar a produção entre diferentes países, enquanto companhias com volumes mais dependentes de plantas brasileiras podem enfrentar maiores dificuldades. No caso do setor de aves, essa limitação é considerada mais relevante.Além disso, a corretora ressalta que o prazo até setembro de 2026 e as negociações em andamento entre autoridades brasileiras e europeias reduzem a probabilidade de um cenário mais severo, com interrupção total das exportações. Assim, embora a medida represente um fator de risco para o setor, a expectativa é que seus efeitos possam ser mitigados caso haja avanços nas tratativas ou maior flexibilidade na redistribuição da produção.No caso do avanço da bicheira nos Estados Unidos, a Genial Investimentos avalia que a tese de investimento para a JBS permanece inalterada. Para a corretora, a diversificação geográfica e de negócios da companhia deve compensar os impactos sobre a operação de carne bovina nos EUA, que já opera com margens negativas. Ao mesmo tempo, o cenário aumenta a probabilidade de benefícios para exportadores brasileiros.Segundo a Genial, a confirmação de quatro casos em diferentes regiões do Texas em menos de uma semana indica que o surto ultrapassou a área inicialmente considerada passível de contenção. Na avaliação da casa, a disseminação mais ampla deixou de ser um risco remoto e passou a representar um fator relevante para o mercado.Para a JBS, o efeito financeiro tende a ser limitado, uma vez que a divisão de carne bovina na América do Norte já apresentava lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) negativo nos últimos 12 meses. A corretora destaca que operações como Pilgrim’s Pride, Seara, JBS USA Pork e JBS Austrália devem continuar sustentando os resultados consolidados da companhia.A Genial também avalia que a Tyson Foods aparece como a empresa mais exposta ao problema, por concentrar sua operação na pecuária bovina dos Estados Unidos e não contar com o mesmo nível de diversificação da JBS.Para os frigoríficos brasileiros, o cenário pode ser favorável. A combinação entre um rebanho bovino americano no menor nível em décadas e a possibilidade de expansão do surto tende a prolongar a escassez de carne bovina nos Estados Unidos, favorecendo operações exportadoras. Nesse contexto, a corretora vê potencial de ganho não apenas para as operações da JBS no Brasil e na Austrália, mas também para empresas como MBRF (MBRF3) e Minerva, que podem se beneficiar de um ambiente internacional de preços mais favorável.No curto prazo, o principal fator de atenção será a evolução do surto. Caso os novos registros permaneçam concentrados em uma mesma região, aumentam as chances de contenção. Por outro lado, a confirmação de casos em outros estados americanos tende a elevar a pressão sobre a cadeia de proteína bovina dos Estados Unidos e reforçar o cenário positivo para os exportadores brasileiros, avalia a Genial.The post Frigoríficos vivem tempestade perfeita? Entenda a pressão sobre as ações do setor appeared first on InfoMoney.

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