O Morgan Stanley considera exagerada a desvalorização de cerca de 27% das ações da RD Saúde (RADL3) neste ano, avaliando que os fundamentos da companhia seguem sólidos e que o atual patamar de preços representa uma oportunidade de entrada.Segundo o banco, a queda das ações reflete principalmente preocupações dos investidores com riscos para o setor, e não uma deterioração do desempenho operacional da empresa. Por volta das 10h15 (horário de Brasília) desta terça-feira (16), as ações da companhia subiam 1,56%, cotadas a R$ 17,56.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terçaÍndices futuros dos EUA operam sem força após recordesBrava, Copasa, Motiva, Gerdau e mais ações para acompanhar hojeConfira os principais destaques do noticiário corporativo desta terça-feiraA instituição realizou diferentes análises de valuation, incluindo múltiplos históricos, índice PEG, fluxo de caixa descontado (DCF), taxa interna de retorno (TIR) e retorno sobre patrimônio (ROE) em relação ao custo de capital. Todas sustentam a recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).Apesar de reduzir o preço-alvo da ação de R$ 28 para R$ 26, o Morgan Stanley afirma que o ajuste reflete um custo de capital mais elevado, e não uma piora dos fundamentos da companhia.Nesse contexto, o banco considera que o mercado está excessivamente pessimista em relação ao potencial de crescimento estrutural da companhia, à sua capacidade de geração de retorno sobre patrimônio e ao caráter defensivo do varejo farmacêutico brasileiro.GLP-1 continua sendo um motor de crescimentoPara o Morgan Stanley, as preocupações recentes com o mercado de medicamentos para obesidade e diabetes são temporárias. A desaceleração observada nas vendas do Mounjaro decorre principalmente de limitações de oferta, fatores sazonais, interrupções no tratamento e concorrência de produtos manipulados ou comercializados de forma irregular, e não de uma queda estrutural da demanda.O banco revisou seu modelo para o mercado de GLP-1, incorporando uma expansão mais lenta do Mounjaro no curto prazo e uma redução mais rápida dos preços com a chegada de versões aprovadas da semaglutida. O banco acredita que, com medicamentos mais acessíveis, a demanda deverá migrar de volta para os canais formais de farmácia, beneficiando a RD Saúde por meio do aumento do fluxo recorrente de prescrições, maior disponibilidade de produtos e margens superiores.A estimativa é que os medicamentos GLP-1 representem 11,8% das vendas brutas da companhia em 2026, ante 9,4% em 2025, podendo atingir cerca de 19% em 2029.Reforma da escala 5×2 O Morgan Stanley também avaliou os efeitos da proposta de reforma da jornada de trabalho 5×2. Segundo seus cálculos, embora a mudança aumente os custos trabalhistas do setor farmacêutico, o impacto sobre a Raia Drogasil tende a ser limitado.Como grande parte dos funcionários da companhia já trabalha nesse regime, a principal mudança seria a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. O banco estima que, sem medidas compensatórias, o custo adicional seria de aproximadamente R$ 356 milhões por ano. Com ajustes operacionais, como otimização de escalas e redução de equipes em horários de menor movimento, esse impacto poderia cair para cerca de R$ 163 milhões anuais, equivalente a apenas 0,32% da receita bruta projetada para 2026.Varejo farmacêutico segue resilienteO banco destaca que o varejo farmacêutico historicamente apresenta baixo grau de correlação com o desempenho da economia brasileira, sustentado pela demanda recorrente por medicamentos, pelo envelhecimento da população, pela expansão dos genéricos e pelos reajustes anuais autorizados pela CMED.Mesmo durante a recessão brasileira de 2015 e 2016, a Raia Drogasil conseguiu manter crescimento de vendas nas mesmas lojas, expansão de margens e avanço do lucro por ação.Embora categorias mais sensíveis ao ciclo econômico, como GLP-1 e produtos de higiene e cuidados pessoais, tenham hoje maior peso no mix de vendas, elas representam cerca de 36% da receita, limitando a exposição da empresa a uma eventual desaceleração econômica.Entrada do Mercado Livre preocupa, mas riscos são limitadosOutro tema acompanhado pelo mercado é a expansão do Mercado Livre no setor farmacêutico, após a aquisição da Cuidamos Farma.O Morgan Stanley considera que a iniciativa ainda está em estágio inicial e enfrenta obstáculos regulatórios e operacionais importantes, como exigências sanitárias, validação de receitas, armazenamento, transporte e fiscalização da venda de medicamentos.Além disso, o banco avalia que as grandes redes de farmácia, como a Raia Drogasil, mantêm vantagens competitivas relevantes, incluindo ampla cobertura de lojas, entregas rápidas, escala de compras e integração entre canais físicos e digitais.Assim, embora a movimentação do Mercado Livre possa continuar pressionando o sentimento dos investidores no curto prazo, especialmente em grandes centros urbanos, o Morgan Stanley considera improvável uma disrupção significativa do setor no horizonte próximo.The post Morgan vê queda exagerada da RD Saúde e aponta oportunidade de compra; RADL3 sobe appeared first on InfoMoney.
