Omã avisa aliados que pode passar a cobrar pedágio no Estreito de Ormuz

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Omã sinalizou a autoridades europeias que não vê possibilidade de retorno ao cenário pré-guerra no Estreito de Ormuz e que navios em trânsito pela rota poderão passar a pagar algum tipo de taxa, segundo pessoas a par das conversas.De acordo com essas fontes, autoridades omanenses disseram que o país continuará respeitando o direito marítimo internacional, mas ponderaram que poderão ser cobrados valores por serviços como descontaminação da via marítima ou apoio à navegação. Ainda não está claro se essas cobranças seriam obrigatórias em todos os casos.Omã também estaria analisando modelos adotados em outros gargalos do comércio global, como o estreito de Malaca, na Ásia — embora ali não existam tarifas obrigatórias para a navegação.Leia tambémIrã intercepta três petroleiros em Ormuz e exige autorização para travessiaA Guarda Revolucionária barrou as embarcações por usarem uma rota não autorizada, intensificando a pressão contra o corredor alternativo apoiado pela Organização Marítima Internacional para a saída de navios retidos no Golfo PérsicoONU suspende escolta de navios pelo Estreito de Ormuz após navio ter sido atacadoA Organização Marítima Internacional interrompeu as operações de escolta na região depois que um navio de Taiwan foi atingido por um projétil, elevando a tensão sobre a estabilidade do acordo preliminar que visa encerrar o conflito com o IrãA possibilidade de criação de um sistema de pedágio ou taxas em Ormuz, possivelmente em coordenação com o Irã, vem elevando a preocupação de Estados Unidos, Europa e países árabes do Golfo. O tema deve entrar na agenda do encontro entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, em Paris, na segunda-feira.Segundo o gabinete de Macron, os dois líderes vão discutir a segurança das rotas marítimas, que depende da passagem “livre e incondicional” pelo estreito. O Ministério das Relações Exteriores de Omã e a embaixada do país na França não comentaram o assunto até o momento.Omã e Irã dividem o controle geográfico do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. O Irã fechou a passagem ao atacar e ameaçar embarcações a partir do fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios contra a República Islâmica. Governos ocidentais afirmam ainda que Teerã provavelmente instalou minas em partes da região.Agora, com EUA e Irã em negociações de paz, Teerã insiste em participar da gestão do tráfego marítimo em conjunto com Omã. Para tradings de commodities e empresas de navegação, a eventual cobrança de taxas pode representar um custo anual de dezenas de bilhões de dólares. Governos como os de EUA, Reino Unido, França, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já alertaram que isso violaria o direito marítimo internacional.Aliado de Washington, Omã mantém ao mesmo tempo uma relação próxima com o Irã e costuma ser visto como um ator neutro na região — o que lhe rendeu o apelido de “Suíça do Oriente Médio”. Antes da guerra, o país atuava como mediador entre americanos e iranianos.Nos últimos dias, porém, Mascate tem emitido sinais contraditórios sobre o futuro de Ormuz. Na terça-feira, divulgou uma declaração conjunta com o Irã dizendo que discutiria a operação da hidrovia e os custos associados. Dois dias depois, assinou uma nota com os EUA e o Conselho de Cooperação do Golfo rejeitando “quaisquer pedágios, taxas ou tentativas de exercer controle sobre o estreito”.“Eles disseram na reunião e assinaram a declaração afirmando que não haverá taxas nem pedágios, então isso me parece uma boa notícia”, afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante visita ao Bahrein.Ainda assim, autoridades de Omã disseram a europeus que o país está sob pressão do Irã. Durante o conflito, a República Islâmica lançou mísseis e drones pelo Oriente Médio, inclusive contra Omã, e segue como a principal potência militar do Golfo Pérsico, apesar das perdas sofridas nos ataques de EUA e Israel.“Omã está tentando se equilibrar entre Irã e Estados Unidos, ficando entre a cruz e a espada”, disse Bader Al-Saif, professor da Universidade do Kuwait e pesquisador associado da Chatham House. “Isso funcionou razoavelmente no passado. Mas, com os dois lados em guerra e tentando se sobrepor um ao outro, esse comportamento omanense tende a cobrar um preço.”O Irã já afirmou que navios que cruzarem o estreito precisarão contratar seguro junto ao país e sinalizou que essas apólices só serão gratuitas por cerca de 60 dias. O tema virou um dos principais pontos de atrito nas negociações entre Teerã e Washington por um acordo de paz definitivo, após quase quatro meses de guerra.Na quinta-feira, Rubio disse que o Irã terá de garantir passagem sem pedágio em Ormuz se quiser fechar um acordo formal com os EUA. Caso contrário, afirmou, outros países poderão tentar fazer o mesmo em gargalos marítimos estratégicos, o que levaria ao “caos”.O fluxo de petróleo por Ormuz reagiu desde que o presidente Donald Trump assinou, na semana passada, um acordo interino de paz com o Irã, movimento que ajudou a derrubar os preços do petróleo. Ainda assim, o tráfego segue bem abaixo do nível pré-guerra, e os riscos permanecem. Na quinta-feira, o porta-contêineres Ever Lovely foi atingido na região.A maior parte dos governos defende que navios possam atravessar Ormuz sem pagar taxas. Em geral, essa é também a regra em outros estreitos naturais compartilhados por mais de um país. No estreito de Malaca, por exemplo, Indonésia, Malásia e Cingapura administram a rota de forma coordenada e cobram apenas por serviços específicos de navegação e segurança, quando necessários.© 2026 Bloomberg L.P.The post Omã avisa aliados que pode passar a cobrar pedágio no Estreito de Ormuz appeared first on InfoMoney.

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