São Paulo, 27 (AE) – Em um jogo com contornos dramáticos, a República Democrática do Congo fez tremer o Mercedez-Benz Stadium na noite deste sábado ao derrotar, de virada, o Uzbequistão por 3 a 1 em um confronto épico. O triunfo, construído com gols de Wissa (duas vezes) e Mayele, (Shomurodov descontou), classificou os africanos, e fez o time do técnico Sébastien Desabre entrar para a história do futebol local, além de emocionar os pouco mais de 68 mil presentes que estiveram nessa verdadeira “decisão”.
A RD Congo entrou em campo com dois objetivos. Conseguir o seu primeiro triunfo em Copas e também buscar, pela primeira vez, uma vaga nas fases eliminatórias. A missão esteve perto de se transformar em tragédia, mas na base da raça e do coração, o objetivo foi alcançado. Agora, que venham os ingleses.
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Após um domínio até certo ponto “estéril” nos primeiros 45 minutos, a RD Congo empilhou chances, perdeu gols incríveis, mas viu a defesa adversária se defender de forma hercúlea para garantir o 1 a 0 diante de um estádio completamente lotado.
No entanto, o segundo tempo foi avassalador. A virada veio para representar o esforço de um time que segurou um empate heroico contra Portugal na estreia, amargou uma derrota de 1 a 0 para a Colômbia e fez o dever de casa para colocar o time na sequência do Mundial.
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Com portugueses e colombianos na disputa pelos dois primeiros lugares da chave, RD Congo entrou precisando de uma vitória simples, sofreu ao tomar um gol logo no início, mas buscou a virada para confirmar sua permanência no Mundial e encara os ingleses na segunda fase. Já o Uzbequistão, que vinha de duas derrotas, se despede do torneio na lanterna.
COMO FOI O JOGO ENTRE RD CONGO X UZBEQUISTÃO PELA COPA DO MUNDO?
A partida começou em alta voltagem e com apenas 20 segundos de andamento, a rede balançou no Mercedez-Benz Stadium, em Atlanta. Shomurodov se aproveitou de um rebote do goleiro e mandou za bola para o fundo do gol. O lance, porém, foi invalidado por impedimento, mas deu uma mostra da disposição das equipes.
Mesmo sem ter pontuado no torneio, a seleção uzbeque entrou com uma postura bem mais ofensiva, perdeu outra chance clara antes mesmo dos cinco minutos e acabou sendo premiada pela ousadia de buscar o ataque já no início do duelo. Numa bela conclusão pelo lado esquerdo da grande área, Shomurodov encobriu o goleiro, fez um golaço, e colocou o Uzbequistão em vantagem com apenas nove minutos de confronto.
O jogo manteve o ritmo dinâmico e a trocação imperou. O conjunto africano se lançou ao ataque e o empate veio aos 16 minutos incendiando as arquibancadas. Mbuku iniciou a trama, chegou na área para empatar a partida e festejou muito. A sua alegria, entretanto, foi breve. O VAR pediu revisão do lance e o juiz alemão Feliz Zwayer viu falta do atleta africano que atingiu o rival no rosto na origem da jogada.
A partir daí, o jogo ganhou uma outra roupagem. RD Congo adiantou suas linhas, passou a jogar no campo do adversário e fez o adversário ficar acuado. A falta de objetividade, no entanto, marcou a equipe comandada por Sébastien Desabre. Mesmo com 64% de posse de bola, a equipe falhou no momento da definição das jogadas
Com a clara intenção de defender a vantagem, o Uzbequistão se encolheu, abusou das faltas e viu o perigo rondar a sua área somente por meio de cruzamentos. Bem postada, a defesa soube segurar a vantagem e foi para o intervalo com o 1 a 0 a seu favor.
A etapa complementar foi uma espécie de tudo ou nada para a RD Congo. Cipenga e suas investidas pela esquerda foi a principal arma dos africanos. A precipitação no momento da finalização, porém demonstrou o nervosismo da equipe que passou a ter o relógio como um outro obstáculo na partida.
Colocando o coração na ponta da chuteira, a RD Congo se manteve no ataque e, aos 20 minutos, teve um pênalti a seu favor. Wissa se antecipa à marcação e levou uma entrada dura de Khusanov na área. O juiz marcou a penalidade e ele mesmo foi para a cobrança e deixou tudo igual: 1 a 1.
O Mercedez-Benz se transformou em um caldeirão e o duelo virou um ataque contra a defesa. E o gol da virada veio de forma chorada. Elia, que entrou no segundo tempo, entrou pela esquerda e chutou rasteiro. A bola desviou na zaga e Mayele, com um toque, decretou a virada de 2 a 1. E teve mais. Um dos melhores em campo Wissa selou a classificação no final com um chute cruzado, para selar a classificação e emocionar todo um país na África.
FICHA TÉCNICA
RD CONGO 3 X 1 UZBEQUISTÃO
RD CONGO – Mpasi; Wan-Bissaka, Mbemba, Tuanzebe e Masuaku (Kayembe); Mbuku (Mukau), Moutoussamy (Elia) e Sadiki; Wissa, Bakambu (Mayele) e Cipenga (Bongonda). Técnico: Sébastien Desabre.
UZBEQUISTÃO – Nematov; Khusanov, Alijonov, Ashurmatov; Nasrullaev, Urozov (Sergeev, Mozgovoy (Iskanderov) e Shukurov (Khamrobekov); Khamdamov (Ganiev), Fayzullaev (Urunov) e Shomurodov. Técnico: Fabio Cannavaro.
GOLS – Shomurodov, aos 9 minutos do primeiro tempo. Wissa (de pênalti), aos 21 e 45, Mayele, 32 minutos do segundo tempo.
CARTÕES AMARELOS – Mbuku, Motoussamy e Sadiki (RD CONGO); Khusanov e Nasrullaev (Uzbequistão).
ÁRBITRO – Felix Zwayer (ALE).
PÚBLICO – 68.239 presentes.
LOCAL – Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (EUA).
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