Vitol, Cargill e Glencore suspendem negócios com trader suspeita de fraudes

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O Vitol Group e a Cargill pararam de fazer negócios com a Radiant World, uma empresa que virou uma das maiores traders de minério de ferro do mundo do nada. Já a Glencore não está mais fechando novos contratos com a companhia, disseram pessoas a par do assunto.Duas dessas trading houses descobriram que faturas e outros documentos que a Radiant World apresentou aos bancos não eram válidos, contaram várias fontes, que pediram anonimato por se tratar de um caso sensível. A terceira resolveu se afastar depois que os próprios traders ouviram de colegas do setor histórias sobre documentos falsificados — e acharam a história crível, disse uma das pessoas.Leia tambémB3 fora do ar? Relembre outros episódios que afetaram negociações e sistemas da BolsaA operadora da Bolsa informou, nesta sexta-feira (31) atraso na abertura do pregão de listados devido a problemas relacionados ao envio de arquivos e à abertura da Câmara B3Vale supera projeções no 2T e paga dividendos bilionários – mas custo segue no radarApesar da revisão para cima dos custos do minério de ferro, analistas avaliam que os pontos positivos superam os negativos e veem espaço para uma reação favorável das açõesA Radiant World é um nome que pouca gente conhece fora do mundo do trading de commodities, mas a empresa cresceu num passe de mágica e virou peça-chave no mercado de minério de ferro. A escalada foi bancada por centenas de milhões de dólares em linhas de crédito de uma rede de bancos e fundos — muitas vezes lastreadas por documentos como faturas e recibos de embarque.Pelo menos dois credores, o Intesa Sanpaolo (Itália) e o fundo Point Bonita, do Jefferies, estão revisando sua exposição à empresa, segundo fontes. O Intesa já fez uma provisão para cobrir o rombo, disse o banco em comunicado à Bloomberg.Procurada, a Radiant World disse: “Essas acusações são categoricamente falsas. As relações comerciais da Radiant World são saudáveis e ininterruptas.”Um porta-voz da Radiant World mandou para a Bloomberg detalhes do que seriam negociações recentes com Vitol, Cargill e Glencore. Mas pessoas familiarizadas com o caso em cada uma dessas empresas disseram que os detalhes estavam errados e que os números de contrato mencionados não batiam com negociação real alguma.Vitol e Cargill não fazem negócios com a Radiant World há meses, segundo algumas fontes. Já a Glencore está monitorando a situação de perto e não está entrando em novos negócios com a empresa, disse uma pessoa.Num caso confirmado por fontes com conhecimento direto, faturas de negociações de minério de ferro com a Vitol foram usadas pela Radiant World para levantar grana com o Intesa. Só que, quando o banco italiano checou os detalhes com a Vitol, ouviu que parte das negociações simplesmente não existia.O Intesa disse em nota que “o assunto diz respeito a uma exposição de cerca de € 200 milhões, prudencialmente e amplamente coberta, sem impacto no lucro líquido esperado do Intesa Sanpaolo para 2026.”O fundo Point Bonita, do Jefferies — que já estava tonto com perdas não relacionadas ao colapso do First Brands Group — também está revisando seus negócios com a Radiant World. Verificações com contrapartes da empresa, incluindo a Glencore, revelaram discrepâncias em parte da papelada que garante o financiamento, disse uma fonte a par da revisão do Jefferies. Ainda assim, o banco acredita por enquanto que os negócios de verdade existem.Os advogados da Radiant World disseram em carta que “nenhuma preocupação foi levantada sobre as linhas de crédito de nossa cliente por seus credores, inclusive Intesa Sanpaolo, Jefferies ou o fundo Point Bonita”.“Nossa cliente é uma empresa de trading responsável e leva suas obrigações comerciais e legais muito a sério. Qualquer sugestão de que tenha se envolvido em negociação fraudulenta ou usado registros falsos para conseguir empréstimos seria falsa”, diz a carta.Vitol, Glencore, Cargill e Jefferies não quiseram comentar.O esquema do financiamento por faturaDocumentos como faturas e recibos de embarque são usados como garantia para empréstimos no mercado de commodities. Empresas menores costumam captar dinheiro usando faturas de vendas para empresas maiores — já que o nome grande torna o negócio mais atraente para os bancos.A Radiant World, do indiano Pinkesh Nahar, de 45 anos, usou crédito de dezenas de bancos para sair do trading de minério de ferro na Índia e virar um grupo global com escritórios de Cingapura a Genebra. Hoje a empresa fatura cerca de US$ 12 bilhões, segundo seus advogados.A Bloomberg noticiou no ano passado que a Glencore mantinha uma exposição à Radiant World na casa das centenas de milhões de dólares e tinha uma equipe só para monitorar o risco.O fundo Point Bonita, que o Jefferies administra e no qual tem 5,9% de participação, também é um financiador de peso da Radiant World. Uma fonte disse que a exposição do fundo hoje é inferior a US$ 300 milhões.Não é a primeira vez que contrapartes desconfiam dos documentos da Radiant World. A Bloomberg mostrou no ano passado que o banco holandês Rabobank parou de financiar a empresa no início de 2020, depois que uma investigação interna encontrou indícios de que a trading house esteve envolvida em negociações com documentos de embarque falsificados.Na época, a Radiant World disse que não sabia da investigação do Rabobank e que nunca foi investigada ou processada por autoridade regulatória alguma.© 2026 Bloomberg L.P.The post Vitol, Cargill e Glencore suspendem negócios com trader suspeita de fraudes appeared first on InfoMoney.

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