Ibovespa sobe 3,5% em julho entre tarifaço e volta do fluxo: o que esperar de agosto?

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Julho foi um mês de fortes contrastes para o mercado brasileiro. Ao mesmo tempo em que os investidores encontraram suporte em indicadores de inflação mais benignos, fluxo estrangeiro e expectativa de afrouxamento monetário no Brasil, a Bolsa precisou lidar com o aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, além das incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).Apesar dos desafios, o Ibovespa fechou julho em alta de 3,47%, a 177.999 pontos, após uma última sessão do mês que foi marcada por problema técnico na B3 que atrasou as negociações do índice à vista em quase três horas. O mês também contou com a volta do fluxo estrangeiro após dois meses seguidos de fortes saídas e pela primeira alta do índice após quatro meses seguidos de queda. Para Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, um dos fatores de volatilidade para os ativos brasileiros foi o avanço das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a oficialização das medidas elevou a percepção de risco para empresas exportadoras e trouxe dúvidas sobre possíveis impactos na atividade econômica e na balança comercial.“O principal vetor de volatilidade para os ativos brasileiros foi o avanço do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos nacionais”, afirma o especialista.Além da questão comercial, os investidores acompanharam de perto a política monetária americana. O Fed optou por manter os juros inalterados e reforçou o discurso de dependência dos dados econômicos para futuras decisões, o que sustentou um dólar forte globalmente e limitou parte do apetite por mercados emergentes.Apesar desses obstáculos, o Ibovespa encontrou sustentação em alguns fatores domésticos. Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a sequência de indicadores de inflação mais comportados fortaleceu as apostas de continuidade do ciclo de queda da Selic nos próximos meses.Na avaliação dele, mesmo diante das preocupações fiscais e dos desdobramentos do tarifaço americano, o fluxo estrangeiro permaneceu positivo ao longo do mês, ajudando a sustentar a Bolsa brasileira e contribuindo para uma valorização relativa do real frente ao dólar.Leia tambémPor que Santander lançou OPA por operação brasileira? O que acionistas devem fazer?Oferta de troca de ações do grupo espanhol pode destravar valor para minoritários em meio a momento desafiador do Santander Brasil, mas analistas divergem sobre o quanto a proposta é atrativa“O fluxo estrangeiro permaneceu positivo, sustentando o Ibovespa mesmo em um ambiente de maior incerteza”, destaca Lima. Até o fechamento do último dia 28, o superávit era de R$ 3,3 bilhões em julho, levando a um saldo positivo no ano de R$ 37 bilhões. As commodities também tiveram papel importante no desempenho do índice. As ações da Vale (VALE3) oscilaram ao sabor das preocupações envolvendo o crescimento da economia chinesa e o comportamento do minério de ferro, enquanto a Petrobras (PETR4; PETR3) foi influenciada pelas variações do petróleo e pelas tensões geopolíticas globais. no mês de julho, o petróleo WTI avançou 21,8% e o Brent subiu 23,5%.No cenário internacional, a temporada de balanços corporativos ajudou a amenizar parte da aversão ao risco. Os resultados das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos reforçaram o otimismo com o setor e deram suporte às bolsas globais, limitando parte dos impactos negativos vindos da política comercial americana.O que esperar de agosto?Se julho foi marcado pela convivência entre fatores positivos e riscos crescentes, agosto promete manter a mesma dinâmica.Para Gabriel Uarian, as atenções devem permanecer voltadas para a evolução das negociações envolvendo as tarifas americanas. Além disso, os próximos indicadores de inflação e mercado de trabalho dos Estados Unidos poderão alterar significativamente as expectativas para os juros americanos.A continuidade da temporada de balanços e o comportamento das commodities também devem influenciar diretamente os ativos brasileiros, especialmente empresas com peso relevante no Ibovespa.Já Sidney Lima vê os investidores monitorando simultaneamente quatro grandes temas: os resultados corporativos do segundo trimestre, os dados de inflação e atividade da economia americana, os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos e a comunicação do Banco Central brasileiro sobre os próximos passos da Selic.Leia tambémVale está cuidadosa para falar de dividendo extraordinário por volatilidade, diz CFOA companhia divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026 na noite desta quinta-feira Segundo ele, caso a inflação continue mostrando sinais de desaceleração e o fluxo estrangeiro siga robusto, o viés para a Bolsa brasileira permanece construtivo. Mas a combinação entre riscos fiscais domésticos, incertezas comerciais globais e uma temporada intensa de resultados corporativos pode aumentar a volatilidade no curto prazo.Com relação ao fluxo estrangeiro, as visões são diversas. Para o Bradesco BBI, após meses marcados por cautela com o cenário fiscal e político brasileiro, há sinais de que a percepção dos investidores sobre os ativos locais começa a melhorar. Segundo a equipe de estratégia do banco, liderada por Ben Laidler, o sentimento dos investidores brasileiros tornou-se menos negativo, o posicionamento dos portfólios está mais equilibrado e os fluxos de saída dos fundos locais parecem ter chegado ao fim. Na avaliação dos estrategistas, isso deixa a Bolsa brasileira mais sensível a notícias positivas e, principalmente, a uma eventual retomada dos investimentos estrangeiros.Já para o JPMorgan, a volta do fluxo estrangeiro deve ser um movimento passageiro, com dois freios domésticos: juros e eleições.The post Ibovespa sobe 3,5% em julho entre tarifaço e volta do fluxo: o que esperar de agosto? appeared first on InfoMoney.

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