A definição do vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se transformou em uma das principais pendências da campanha presidencial da direita. Desde que Jair Bolsonaro lançou o nome do filho para disputar o Planalto, em dezembro, pelo menos dez políticos chegaram a ser cogitados para dividir a chapa. A maioria, porém, ficou pelo caminho por recusas, vetos partidários, disputas internas ou pela dificuldade de atrair aliados de fora do PL.O episódio mais recente envolveu a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Considerada a principal aposta da campanha, ela aceitou o convite de Flávio para compor a chapa, mas o plano foi interrompido depois que a Executiva Nacional do Progressistas decidiu manter neutralidade na disputa presidencial. Sem o aval do partido, a composição se tornou inviável.A escolha de Tereza Cristina tinha o objetivo de ampliar o alcance eleitoral da candidatura. Ex-ministra da Agricultura, ela é vista como um nome de forte interlocução com o agronegócio, boa relação com o Congresso e potencial para reduzir a resistência do eleitorado feminino ao candidato do PL. Com a decisão do PP, a campanha voltou praticamente à estaca zero.Leia tambémFlávio admite revés com Tereza Cristina e mantém corrida por vice: “Não desisto”Candidato do PL afirma que negociações continuam com outros partidos e diz que ex-ministra seguirá engajada na campanha mesmo fora da chapaDaniella MarquesOutro nome tratado como competitivo é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Ela participou da convenção do PL que oficializou o nome do filho do ex-presidente como candidato ao Planalto e permaneceu ao lado dele, em uma posição privilegiada comparada a outros aliados. A possibilidade, porém, perdeu força à medida que o partido caminhou para a neutralidade nacional. Sem apoio formal da legenda à candidatura presidencial de Flávio, a hipótese se tornou ainda mais complicada.A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) também apareceu nas conversas. Assim como Tereza Cristina, sua eventual indicação ficou inviável após a decisão do Progressistas de não apoiar nenhum candidato ao Palácio do Planalto.A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) chegou a integrar a lista de possibilidades. Nos últimos meses, no entanto, ela se afastou da campanha de Flávio em meio ao desgaste provocado pelas divergências entre integrantes da família Bolsonaro e aliados políticos.A vereadora de Fortaleza Priscilla Costa (PL-CE) também foi lembrada durante a pré-campanha. Seu nome, porém, perdeu espaço após a crise envolvendo Michelle Bolsonaro e a disputa política no Ceará. Internamente, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, passou a defender que a vice precisaria agregar votos fora do eleitorado já identificado com o bolsonarismo.As deputadas Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF) continuam sendo figuras de destaque entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dentro da campanha, entretanto, a avaliação predominante é que ambas reforçariam o eleitorado já consolidado do PL, sem ampliar a penetração entre mulheres, centro ou eleitores independentes.O ex-ministro Gilson Machado também figurou entre os cotados. Sua saída do PL e a filiação ao Podemos, além da intenção de disputar uma vaga no Legislativo por Pernambuco, encerraram qualquer possibilidade de integrar a chapa presidencial.Os senadores Marcos Pontes (PL-SP) e Rogério Marinho (PL-RN) permanecem como alternativas. Pontes já declarou publicamente estar à disposição. Marinho, por sua vez, coordena a campanha presidencial de Flávio. Ambos têm boa interlocução dentro do partido, mas interlocutores reconhecem que dificilmente entregariam o ganho eleitoral inicialmente buscado para a vice.O nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a circular nos bastidores. A especulação, contudo, estava mais ligada à hipótese de ela substituir Flávio como cabeça de chapa em caso de agravamento do cenário eleitoral do senador. A possibilidade de Michelle aceitar ser vice foi rapidamente descartada pela própria família Bolsonaro.O que sobra para FlávioA dificuldade em fechar a composição também reflete a resistência de partidos do Centrão em embarcar formalmente na candidatura presidencial do PL.Sem PP, União Brasil, Podemos e Republicanos, Flávio tende a disputar a eleição com uma chapa exclusivamente formada por integrantes de seu partido. A solução preserva a identidade da campanha, mas reduz as chances de ampliar alianças, tempo de propaganda eleitoral, acesso ao fundo eleitoral por meio de coligações e capilaridade nos estados.As convenções partidárias terminam em 5 de agosto. Até lá, a campanha ainda busca uma solução de última hora. Caso nenhuma negociação avance, a tendência é que a vaga de vice fique com um nome do próprio PL.The post Relembre quem já foi cotado para vice de Flávio Bolsonaro — e ficou pelo caminho appeared first on InfoMoney.
