Por que o Ibovespa caiu mais de 1% nesta 5ª mesmo com o corte de juros pelo Copom?

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O Ibovespa fechou em queda expressiva a sessão desta quinta-feira, mesmo após o Banco Central reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano na véspera. Após três primeiras sessões de agosto com o índice registrando apenas leves variações, neste pós-Copom ele teve fortes baixas, acima de 1%. Mais precisamente o benchmark da Bolsa teve uma queda de 1,23%, aos 175.546,36 pontos.Pode ser uma contradição, já que juros mais baixos tendem a estimular a Bolsa por ter impacto positivo no consumo e negativo na renda fixa, mas o corte de 0,25 ponto percentual já estava amplamente precificado pelos investidores, enquanto o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) frustrou parte das expectativas ao evitar qualquer indicação sobre novas reduções de juros nos próximos meses.Na avaliação de gestores e especialistas ouvidos pelo mercado, o foco da reunião não estava no corte em si, mas nos sinais sobre os próximos passos da política monetária. E foi justamente nesse ponto que o BC adotou uma postura mais cautelosa.“O corte de 0,25 ponto percentual era a parte menos relevante da reunião. O verdadeiro foco estava no comunicado”, afirma Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital. Segundo ele, o Copom apresentou o ajuste como uma decisão pontual, e não como parte de um ciclo contínuo de flexibilização monetária.A leitura predominante é que o Banco Central decidiu preservar total flexibilidade para as próximas reuniões, sem se comprometer com uma nova redução em setembro. Isso levou investidores a revisarem as probabilidades para a trajetória da Selic até o fim do ano.Até antes da decisão, parte relevante do mercado trabalhava com a hipótese de mais uma redução de 0,25 ponto percentual até dezembro, levando a Selic para 13,75%. Esse cenário continua possível, mas deixou de ser considerado automático.“O que mudou não foi o nível da Selic, mas a distribuição de probabilidades. Antes da decisão, o mercado discutia quando viria o próximo corte. Agora, precisa primeiro avaliar se haverá outro corte em 2026”, afirma Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.Na mesma linha, Antônio Patrus, diretor da Bossa Invest, destaca que o BC sinalizou que precisará de mais evidências de desaceleração da inflação para continuar flexibilizando a política monetária.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com Selic, balanços e guerras em focoBolsas dos EUA operam mistas com Estreito de Ormuz no radar Dólar opera perto da estabilidade após decisão do CopomInvestidores avaliam o comunicado do Banco Central, que não trouxe indicação clara sobre os próximos passos da política monetária, mantendo as apostas para a Selic em aberto“O que deixou de existir foi a segurança sobre quando esse movimento ocorrerá”, afirma. A ausência de guidance para setembro foi interpretada por parte dos investidores como um tom mais duro do que o esperado, provocando um ajuste nos preços dos ativos que haviam apostado em uma trajetória mais clara de queda dos juros.Ainda em destaque, relatos de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode elevar juros na reunião em setembro guiaram o Ibovespa na sessão.Citando fontes, o Financial Times diz que presidente do Fed, Kevin Warsh, estaria disposto a elevar os juros na reunião de setembro caso os dados de inflação venham acima do esperado. Os rendimentos dos Treasuries avançam, influenciando os juros futuros brasileiros. Somado a essas questões de política monetária, investidores digeriram balanços, como o do Bradesco (BBDC4), enquanto aguardam o resultado da Petrobras (PETR4), após o fechamento do mercado. Leia tambémPETR4: Petrobras deverá pagar dividendos de cerca de US$ 3 bi, segundo analistasAs projeções de analistas consideram que que capital de giro limita potencial para proventosPetrobras (PETR4) divulga seu balanço nesta quinta (6): o que esperar?Os analistas esperam dividendos próximos de US$ 3 bilhões e Ebitda entre US$ 18 bilhões e US$ 19 bilhões para petroleira Na sessão, os preços do petróleo fecharam em alta, mas não animaram as ações das petroleiras brasileiras. O brent chegou a subir cerca de 4% após notícias de que uma comissão do Parlamento iraniano está analisando um projeto de lei que proibiria a entrada de embarcações dos Estados Unidos e de Israel no Estreito de Ormuz e aplicaria multas aos infratores de até um quinto do valor de sua carga.Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$3,04, ou 3,83%, a US$82,49 o barril. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos fecharam com alta de US$2,07, ou 2,75%, a US$77,29. Tal movimento fez com que os juros futuros subissem no Brasil, também em sintonia com os Treasuries americanos. “Entendo que o mercado está reagindo muito mais ao que está acontecendo lá fora e a balanços do que propriamente a decisão de política monetária”, destacou Luan Aral, trader e especialista em dólar da Genial Investimentos.Juros altos por mais tempo?A manutenção da incerteza sobre os próximos passos da Selic afeta principalmente empresas mais dependentes de crédito e do consumo doméstico, que costumam ser as maiores beneficiadas por um ciclo de afrouxamento monetário.Segundo Valdir Piran Jr., empresas ligadas ao varejo, construção civil e setores mais sensíveis ao financiamento podem reagir com frustração porque o custo de capital tende a permanecer elevado por mais tempo.Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, afirma que a reação dos ativos brasileiros tende a ser “neutra a levemente negativa” justamente porque o mercado já havia incorporado o corte de juros, mas buscava maior clareza sobre o ponto de parada do ciclo. “Em ambiente de expectativas desancoradas, ausência de guidance não é neutralidade. É incerteza”, avalia.Letícia Moschioni, sócia da Finscale, também ressalta que o principal sinal da reunião foi justamente aquilo que o Copom evitou dizer. “Ao não indicar setembro, o Banco Central mostrou que cada reunião passa a depender mais da informação acumulada entre um encontro e outro”, afirma.Segundo Fabiano Guerra, CEO da Alumni Investimentos, a Selic segue em nível ainda elevado e a inflação continua pressionada. Isso, diz, mantém o custo do dinheiro alto e o ambiente seletivo. “Para as empresas endividadas e com pouca liquidez, o desafio continua sendo rolar passivos, reorganizar o caixa e preservar valor”, afirma.(com Estadão Conteúdo)The post Por que o Ibovespa caiu mais de 1% nesta 5ª mesmo com o corte de juros pelo Copom? appeared first on InfoMoney.

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