MRV (MRVE3): por que as ações saltam mais de 10% mesmo com prejuízo de R$ 626 mi?

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A MRV (MRVE3) reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 626 milhões no segundo trimestre de 2026, resultado fortemente impactado pela operação da Resia, nos Estados Unidos. Apesar do efeito negativo de baixas contábeis ligadas à venda de ativos da subsidiária americana, analistas destacaram que a operação brasileira segue apresentando evolução operacional, com melhora consistente de margens e geração de caixa. Assim, às 10h53 (horário de Brasília), os papéis saltavam 10,95%, a 4,66.O trimestre foi marcado pelo reconhecimento de impairments relacionados à reestruturação da Resia. A XP estima que o impacto das baixas somou R$ 569 milhões, enquanto o Bradesco BBI destaca que o prejuízo da operação americana alcançou R$ 617 milhões no período.Sem esse efeito extraordinário, a leitura sobre o negócio doméstico é bem mais positiva. Segundo o BBI, a MRV Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 86 milhões e margem bruta de 31,2%, o maior patamar dos últimos sete anos. A administração afirmou ainda que os novos empreendimentos já vêm sendo comercializados com margens próximas de 35%, reforçando a perspectiva de recuperação operacional.A receita líquida consolidada atingiu R$ 3 bilhões, alta de cerca de 11% na comparação anual, superando as expectativas da XP, do Morgan Stanley e do consenso de mercado. O lucro bruto somou R$ 906 milhões, com margem de 30,2%, também acima das projeções dos analistas.Resia volta a dominar o resultadoEmbora as tendências operacionais tenham sido consideradas saudáveis, a reestruturação da Resia voltou a pesar sobre os números. O Morgan Stanley destacou que a receita e o lucro bruto vieram fortes, mas foram ofuscados por encargos ligados ao processo de reorganização da operação americana. Segundo o banco, somente no segundo trimestre foram reconhecidos cerca de US$ 110 milhões em despesas extraordinárias associadas à reestruturação.Na avaliação da instituição, o mercado já esperava novas baixas após os anúncios feitos pela companhia durante seu Investor Day, o que limita o fator surpresa. Ainda assim, o banco acredita que a volatilidade dos resultados e das ações deve permanecer elevada até que haja maior visibilidade sobre a estabilização operacional da Resia e sobre a trajetória de desalavancagem da companhia.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoA XP também avaliou o resultado como fraco, justamente porque a companhia reconheceu integralmente no trimestre as perdas relacionadas às recentes vendas de ativos da subsidiária americana.Se a Resia continua sendo a principal fonte de preocupação, o negócio brasileiro permanece mostrando evolução consistente.A margem bruta consolidada atingiu 30,2%, avanço de 0,8 ponto percentual tanto na comparação anual quanto trimestral. Já a margem da operação MRV Inc. alcançou 31,2%, acima dos níveis observados nos últimos anos.O Bradesco BBI ressaltou que a melhora contínua das margens reforça a recuperação estrutural do negócio brasileiro. Na visão da instituição, à medida que os problemas da Resia forem resolvidos, os investidores tendem a voltar o foco para a operação doméstica, que negocia a múltiplos considerados atrativos.O Goldman Sachs também enxergou sinais positivos no desempenho operacional, destacando que a margem do banco de terrenos permaneceu em cerca de 44%, estável em relação ao trimestre anterior, indicador visto como saudável para os próximos ciclos de lançamento.Alavancagem segue elevada, mas vendas de ativos devem ajudarSegundo a companhia, as vendas de ativos da Resia devem gerar redução relevante da dívida líquida consolidada. A XP estima que a dívida líquida recuará para cerca de R$ 4,6 bilhões após a conclusão das transações anunciadas, contra R$ 6,3 bilhões ao fim de 2025.O Goldman Sachs destacou que uma das operações já foi concluída em julho, gerando entrada de US$ 139 milhões para a companhia. A segunda venda anunciada poderá acrescentar mais US$ 141 milhões em caixa quando concluída. Com isso, a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido poderia recuar significativamente nos próximos trimestres, embora continue em níveis elevados.Já o BBI observou que o indicador de dívida líquida sobre patrimônio da MRV Brasil encerrou o trimestre em 41,3%, praticamente estável em relação ao trimestre anterior.Cautela permaneceApesar do resultado reportado ter sido penalizado pelos eventos da Resia, os bancos continuam enxergando potencial de valorização para as ações.A XP mantém recomendação de compra, citando a forte expectativa de geração de caixa após a conclusão das vendas de ativos e a continuidade da desalavancagem. O banco avalia que o terceiro trimestre poderá apresentar melhora relevante nos resultados, sem novos impactos de impairments e com entrada expressiva de caixa.O Bradesco BBI também segue com recomendação de compra e vê a operação brasileira como o principal vetor de valor da tese. A instituição atualizou seu preço-alvo para R$ 9 por ação, embora tenha reduzido as estimativas de lucro para 2026 e 2027 devido à Resia.Já Morgan Stanley e Goldman Sachs permanecem mais cautelosos. As duas instituições destacam que o mercado ainda precisa de maior clareza sobre a conclusão da reestruturação da operação americana, a redução efetiva da alavancagem e a estabilização dos resultados antes de adotar uma visão mais construtiva para a companhia.The post MRV (MRVE3): por que as ações saltam mais de 10% mesmo com prejuízo de R$ 626 mi? appeared first on InfoMoney.

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