Nem Lula, nem Flávio: quem não votar também pode decidir a eleição

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A reta final da eleição presidencial não será disputada apenas para convencer eleitores a trocar de candidato. Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) próximos nas pesquisas, fazer quem já escolheu um lado efetivamente comparecer às urnas também se tornou parte da equação.Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), chama atenção para o que define como “alienação eleitoral”: a soma de abstenções, votos brancos e nulos.“Eu olharia muito também para o nível de alienação eleitoral desse primeiro turno, que é a junção do voto branco, nulo e da abstenção. Esse é um indicador que também pode desequilibrar a reta final da campanha eleitoral”, afirmou no Mapa de Risco, programa semanal de política do InfoMoney.Leia tambémThe Economist chama disputa entre Lula e Flávio de “sombria” e critica os doisRevista britânica questiona capacidade dos líderes das pesquisas de enfrentar corrupção e desequilíbrio fiscal e manifesta preferência por Renan SantosO eleitor que ainda oscilaPara Medeiros, a polarização consolidou boa parte dos eleitores identificados com Lula e Flávio. Isso aumenta proporcionalmente a importância de quem não pertence a nenhum dos dois campos.Nesse grupo está um eleitor que apoiou Lula em 2022, mas se dispersou ao longo dos últimos quatro anos. Segundo o cientista político, algumas características aparecem com frequência nesse segmento: jovens, moradores do Sudeste, pessoas de renda intermediária e eleitores com ensino médio completo.“Esse eleitor pêndulo que votou com Lula lá atrás em 2022 e que agora está disperso nessa eleição […] é esse público que vai ser decisivo nessa reta final da campanha”, disse.O desafio não é necessariamente fazer esse eleitor atravessar diretamente de um polo para outro. Em uma disputa apertada, a decisão entre votar em um candidato, anular, votar em branco ou simplesmente não comparecer altera o universo de votos válidos.Com disputa acirrada, Lula busca voto 70+ e cobra eleitorado mais velho nas urnasCampanha precisa levar eleitor até a urnaJoão Paulo Machado, analista de política da XP, vê um problema semelhante entre os eleitores mais identificados com os dois campos.Para ele, entusiasmo político ou declaração de preferência não bastam. Lula e Flávio precisam transformar apoio em comparecimento.“É necessário que esse eleitor ideológico dos dois lados compareça às urnas”, afirmou.Machado pondera que não é possível antecipar o tamanho da abstenção em 2026, mas considera que uma variação relevante pode afetar o resultado em uma disputa de margens estreitas.“As duas campanhas precisam que esse eleitor polarizado não apenas faça a campanha e diga que gosta do Lula ou do Bolsonaro ou do Flávio Bolsonaro. As campanhas precisam que esse eleitor vá até as urnas para votar”, disse.Tabu de 37 anos pode cair? Líder do 1º turno nunca perdeu eleição presidencialQuanto menor a diferença, maior o pesoA preocupação aparece também quando se olha para um eventual segundo turno. Medeiros lembra que, desde a redemocratização, o candidato que terminou o primeiro turno na liderança sempre venceu a eleição presidencial. Em 2026, porém, ele considera possível que uma distância muito pequena coloque esse padrão histórico à prova.“Se os dois principais concorrentes chegarem com uma diferença abaixo de cinco pontos […] qualquer mudança na taxa de abstenção, do voto branco e nulo e da mobilização mesmo das bases eleitorais são fatores que podem influenciar a presença ou não do eleitor no segundo turno”, afirmou.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Nem Lula, nem Flávio: quem não votar também pode decidir a eleição appeared first on InfoMoney.

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