Escalada da violência no Líbano e em Gaza ameaça a paz no Oriente Médio

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(Bloomberg) — Os confrontos entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, eclodiram no Líbano durante o fim de semana, representando o mais recente revés nos esforços para pôr fim às guerras paralelas no Oriente Médio, que se arrastam há quase seis meses e perturbaram os mercados globais.O exército israelense afirmou no domingo que matou Abu Hassan Alaa, um importante comandante do Hezbollah, no sul do Líbano, um dia antes. Onze pessoas morreram nos ataques israelenses, que, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foram uma retaliação a um ataque do grupo militante que deixou três soldados gravemente feridos.Leia tambémPrévia do PIB do Brasil, leilão do BC, Galípolo e mais destaques desta segunda-feiraInfoMoney reúne as principais informações que devem movimentar os mercados nesta segunda-feira (17)Nasdaq e S&P 500 futuros avançam com menor aposta em alta de juros pelo FedDados recentes de inflação, vendas no varejo e confiança do consumidor reduziram as apostas de alta dos juros em setembro, enquanto investidores aguardam a ata do Fed e os balanços do varejoNos últimos dias, Israel também atacou o Hamas, apoiado pelo Irã, em Gaza; os houthis, com base no Iêmen, atacaram navios no Mar Vermelho; e várias embarcações foram atingidas por projéteis no Estreito de Ormuz. Enquanto isso, as tensões na Cisjordânia aumentaram, com colonos israelenses sitiando casas palestinas, o que gerou condenação internacional. Netanyahu minimizou a violência e culpou um pequeno grupo de radicais.A retomada dos combates no Líbano ameaça comprometer o cessar-fogo mediado pelos EUA, que prevê o desarmamento do Hezbollah, a eventual retirada israelense do território ocupado e a assunção da responsabilidade pela segurança pelo exército libanês. Além disso, complicará os esforços para reativar as negociações paralisadas para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irã, cujo cessar-fogo de 60 dias — já repetidamente violado — expira na segunda-feira sem um acordo sobre a gestão do Estreito de Ormuz, e com Washington preparando novas medidas econômicas para pressionar o Irã.O preço do petróleo Brent subiu mais de 5% desde o início da semana passada, ultrapassando os US$ 88 por barril, à medida que as perspectivas de uma rápida reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do petróleo e gás mundial antes da guerra, diminuíram ainda mais. A referência global oscilou entre altas e baixas na segunda-feira.A hidrovia é um “ativo geopolítico dado por Deus à nação iraniana e essa influência jamais retornará ao seu estado anterior”, afirmou no domingo o comandante-em-chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, citado pela agência de notícias semioficial Fars . “Protegeremos essa capacidade com todas as nossas forças.”A guerra eclodiu em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel atacaram o Irã. A República Islâmica respondeu lançando mísseis e drones contra aliados americanos em toda a região, e o Hezbollah juntou-se ao ataque, disparando contra Israel.Milhares de pessoas morreram, a maioria no Irã, antes de Washington e Teerã assinarem um memorando de entendimento de 14 pontos em junho. Entre suas disposições estavam uma pausa nas hostilidades “em todas as frentes, incluindo o Líbano” e livre passagem pelo Estreito de Ormuz, abrindo um prazo de 60 dias para que as partes negociassem um acordo abrangente.O acordo nunca se consolidou e confrontos intermitentes continuaram, embora em menor escala, e no mês passado o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou o cessar-fogo efetivamente encerrado. Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse a repórteres que as violações da trégua pelos EUA tornaram o prazo de 60 dias irrelevante.Trump tem tido dificuldades em encontrar uma saída para a guerra, que é cada vez mais impopular nos EUA, e na semana passada anunciou planos para intensificar a pressão econômica sobre Teerã. Embora a economia iraniana já tenha sido duramente atingida, com grande parte de sua capacidade industrial danificada e as exportações de petróleo bruto severamente reduzidas por um bloqueio naval dos EUA, décadas de sanções não conseguiram forçar Teerã a ceder em seu programa nuclear ou a renunciar ao controle sobre o Ormuz.O Irã e Omã afirmam ter finalizado um “mapa de navegação” como parte de um acordo mais amplo sobre como regular o tráfego no estreito, mas isso não significa necessariamente sua reabertura. Os EUA não estão diretamente envolvidos nessas negociações e podem resistir a termos que não restabeleçam a livre passagem pela hidrovia.O Irã aproveitou a relativa trégua nos combates para se preparar para um possível confronto mais amplo, informou o Wall Street Journal, citando autoridades iranianas e árabes. Teerã teria dado maior influência à Guarda Revolucionária Islâmica sobre as forças armadas, instalado veteranos linha-dura em cargos-chave de segurança, acelerado a produção de mísseis e drones e fortalecido a coordenação com milícias aliadas em toda a região, afirmou a publicação.Enquanto isso, o genro de Trump e enviado para a paz, Jared Kushner, está visitando o Oriente Médio esta semana para tentar acelerar o cessar-fogo mediado pelos EUA em Gaza. Ele discutiu maneiras de acelerar a segunda fase da trégua com os mediadores Egito, Turquia e Catar, antes de uma viagem planejada a Israel na segunda-feira, de acordo com relatos egípcios e regionais.Kushner também se reuniu com o chefe do Hamas, Khalil al-Hayya, no Egito, no domingo, segundo a Associated Press, citando um funcionário regional e um representante do Hamas. Em um comunicado posterior, o Hamas pediu aos mediadores e ao Conselho de Paz, criado pelos EUA e responsável pela supervisão do cessar-fogo, que “obriguem” Israel a aprovar um roteiro que estabeleça os próximos passos, informou a agência de notícias.Os ministros das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia, Arábia Saudita e Egito emitiram, no domingo, uma declaração condenando o que consideraram ser a rejeição, por parte de Israel, do roteiro para a paz. O roteiro prevê o desarmamento do Hamas, a retirada simultânea das forças israelenses e o envio de uma Força Internacional de Estabilização para manter a segurança.As ações de Israel “ameaçam diretamente comprometer os extensos esforços empreendidos pelo presidente dos EUA, Trump, para pôr fim à guerra em Gaza e estabelecer as condições para uma paz duradoura”, disseram os ministros.© 2026 Bloomberg LPThe post Escalada da violência no Líbano e em Gaza ameaça a paz no Oriente Médio appeared first on InfoMoney.

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