A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do debate da TV Globo alterou a estratégia da campanha a menos de três dias do primeiro turno. Até poucas horas antes do programa, o senador pretendia comparecer mesmo sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), explorar a ausência do presidente e usar o debate para ampliar sua exposição. A preparação incluía tom mais moderado, mensagens voltadas às redes e respostas sobre temas como Banco Master e Nossa Senhora Aparecida.O cálculo mudou depois que a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio reservado a Lula. Flávio atribuiu sua decisão ao que chamou de “censura imposta ao evento pelo TSE”.A campanha perdeu, com a decisão judicial, o principal recurso visual que pretendia usar contra o presidente. A ordem não impedia críticas verbais à ausência de Lula, mas esvaziava parte da estratégia preparada para o programa.Leia tambémDatafolha 2º turno: Lula tem 48%, Flávio 45%; disputa segue em empate técnicoCenário repete rodada anterior, com oscilação dentro da margem de erro positiva para o petistaLula investe em Rio, SP e MG nos últimos dias em busca de voto dos indecisosMobilização será combinada com um movimento “48 horas com Lula”, em que PT convocou a militância para intensificar a busca por votos nas ruas e nas redes sociaisSem Lula, Flávio viraria o principal alvoA exposição na Globo também trazia um risco adicional, colocando Flávio como o único dos dois líderes das pesquisas no palco.Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e outros candidatos tentam reduzir o voto útil concentrado nos dois primeiros colocados. A CNN informou que as campanhas de Cury e Caiado preparavam ataques a Flávio justamente com esse objetivo.O senador teria tempo de televisão em rede nacional, mas enfrentaria adversários interessados em questioná-lo sobre temas sensíveis sem a presença de Lula para dividir as atenções.Esse cálculo já havia influenciado a campanha durante a eleição. Aliados defendiam evitar debates sem o presidente por considerar que Flávio poderia assumir sozinho o papel de principal alvo.Como Lula e Bolsonaro estavam nas pesquisas na última semana antes da eleição de 2022 Entrada de Renan elevou a pressãoO cenário ainda mudou poucas horas antes do programa com uma decisão de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que garantiu a participação de Renan Santos (Missão).Renan disputa parte do eleitorado insatisfeito com os dois principais candidatos e aparece entre 3% e 8% nas pesquisas recentes, dependendo do instituto.Não há evidência de que sua entrada tenha determinado a decisão de Flávio. O argumento público apresentado pelo senador foi a proibição do púlpito vazio. A inclusão de mais um adversário, porém, ampliou o número de candidatos que poderiam confrontá-lo no palco.Lula evita debate, mas ocupa outro espaçoAs estratégias dos dois líderes terão uma diferença relevante nesta quinta-feira. Lula ficará fora da Globo, mas concederá entrevista ao vivo ao Flow Podcast a partir das 20h45, pouco antes do início do debate, marcado para 21h30.Com isso, o presidente mantém exposição pública em um ambiente no qual pode desenvolver respostas sem réplicas e tréplicas dos adversários.Flávio ficará fora do debate e, até o momento, não anunciou uma aparição equivalente em outro programa de grande audiência no mesmo horário.Para o PL, a vantagem é reduzir a possibilidade de um erro, confronto desfavorável ou imagem negativa nos últimos dias. O custo é abrir mão de uma audiência nacional justamente depois de a campanha ter investido na preparação do senador para o programa.Com Lula e Flávio fora, o último debate antes do primeiro turno perde os dois nomes que concentram a maior parte das intenções de voto. Para os demais candidatos, aumenta o espaço de exposição. Para Flávio, a escolha reduz o risco de um confronto imprevisível, mas também elimina uma das últimas oportunidades de falar para um público amplo antes da votação.The post Flávio evita risco do último debate, mas abre mão da maior vitrine da reta final appeared first on InfoMoney.
