Empresários veem uso da reciprocidade como parte do processo de negociação com EUA

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Empresários brasileiros afetados pelo tarifaço de Donald Trump avaliam que a abertura do processo de reciprocidade por parte do governo Lula funciona como uma espécie de ferramenta para atrair a Casa Branca para a negociação sobre as tarifas.Se assim for e os passos forem conduzidos com “cautela”, como garantiu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o empresariado não vê motivos para grandes preocupações no momento, até porque entendem que a abertura do processo não significa necessariamente que serão adotadas efetivamente medidas retaliatórias.Leia tambémPetróleo, indústria nos EUA, balanço da Home Depot e mais destaques nesta 3ªInfoMoney reúne as principais informações que devem movimentar os mercados nesta terça-feira (18)Alckmin: processo de reciprocidade com os EUA não é retaliação, não há interesseEle salientou que o governo brasileiro não abandonou as negociações com os Estados Unidos e demonstrou confiança num acordo entre os paísesO problema, afirma um interlocutor, é que Donald Trump segue imprevisível e sempre pode voltar o olhar sobre o Brasil.De qualquer forma, o setor privado avalia que nenhuma iniciativa para reverter o tarifaço deve ser bem-sucedida antes das eleições presidenciais do Brasil e da votação de meio de mandato nos EUA.O processo de reciprocidade foi aberto oficialmente na última quinta-feira, cerca de um mês após o governo Donald Trump anunciar a adoção da tarifa adicional de 25% para parte das exportações brasileiras aos EUA.Depois, o Brasil ainda foi um dos 60 países sancionados devido à alegação americana de que falha em barrar a entrada de produtos importados fabricados com trabalho forçado. Nesse caso, a taxa foi de 12,5%, também com algumas exceções.O país ainda tem tarifas específicas para alguns setores, como de aço e automotivo. Pelos cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 47,3% da pauta exportadora para os Estados Unidos está sujeita a alguma tarifa imposta pelo governo Trump.Nesta segunda-feira, o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, se reuniu com representantes da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em um primeiro movimento do governo de oitiva do setor privado sobre o tema.O governo quer manter essa interlocução ao longo de todo o processo ordinário de reciprocidade, mas uma participação formal só ocorreria mais para frente, caso seja criado um grupo de trabalho para sugerir propostas de retaliação.Antes disso, a secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão ligado ao MDIC, tem um prazo de até 60 dias, contados a partir da última quinta, para apresentar um relatório de aderência do pleito do governo à lei de reciprocidade. Depois, o comitê-executivo da Camex (Gecex), que conta com integrantes de outros ministérios, terá igual período para deliberar sobre o enquadramento.Só então poderá ser criado o grupo de trabalho, que vai sugerir as medidas. As propostas na sequência ainda terão de passar por consulta pública para manifestação de interessados no tema. Só então o Gecex e o conselho estratégico da Camex vão decidir sobre a adoção ou não de alguma retaliação.Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, diz que a reciprocidade faz parte do arcabouço legal brasileiro, uma vez que foi aprovado por unanimidade no Congresso. Ele pontuou que o processo é longo, ainda vai passar por consultas ao setor privado e não significa necessariamente uma “retaliação ampla, geral e irrestrita”.— Pode até gerar uma retaliação mais direcionada, mas é algo que faz parte do jogo, foi aprovado pelo Congresso, então eu entendo que não há porque, pelo menos neste momento, registrar qualquer tipo de surpresa. A única coisa é que nós temos de manter a nossa posição de que vamos continuar negociando, negociando, negociando, tanto no âmbito de governo quanto no âmbito privado — disse ele, que ainda não foi consultado formalmente pelo governo sobre o tema e avalia que não haverá solução antes das eleições.Outro representante do setor privado corrobora essa avaliação de que a abertura do processo de reciprocidade representa o governo subindo mais “um andar” numa mesma ferramenta de negociação, que já estava na mesa devido à aprovação da lei no ano passado.De certa maneira, o interlocutor afirma que o próprio EUA fez isso ao abrir as investigações comerciais contra o Brasil e outros países, mas, diferentemente de Trump, o governo Lula não tem como taxar os exportadores americanos, sob pena de grande prejuízo à economia local.O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, disse que o setor não está preocupado com a aplicação da Lei da Reciprocidade pelo governo brasileiro porque não acredita que a medida será adotada na prática.Segundo ele, o processo levaria entre 90 dias e 120 dias, no mínimo, para resultar em algum ato concreto de retaliação aos Estados Unidos pelo tarifaço. Ele afirmou que a entidade ainda não foi procurada pelo governo para tratar da reciprocidade.— Não estamos preocupados porque não acreditamos que vá se configurar na realidade — disse Velloso, acrescentando que o governo brasileiro deve voltar a insistir na negociação. — Tanto a decisão de dar início ao processo da reciprocidade, quanto os recursos à Organização Mundial do Comércio (OMC) não terão resultado — concluiu.Integrantes do Itamaraty justificam que o governo brasileiro não poderia fingir que não existe uma lei aprovada pelo Congresso como instrumento de defesa e não abrir o processo só sob o argumento de que o outro lado é “mais forte”. Segundo essa fonte, contudo, nada deve acontecer até o resultado das eleições.Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que a iniciativa não defende a soberania do país, mote utilizado pelo presidente Lula, mas é “um gesto que vai contra o emprego de milhares de brasileiros”.“O governo brasileiro está dobrando a aposta. Isso não é negociar. Isso fere todos os princípios da boa diplomacia. Mais uma vez, isso está virando uma pauta eleitoreira. Isso não é defender a soberania brasileira, e sim um gesto que vai contra o emprego de milhares de brasileiros. Os EUA são a maior economia do mundo e um parceiro com mais de 200 anos de história com o Brasil. Quem você acha que vai perder nesse cabo de guerra?”, disse Paulo Skaf, em posicionamento por escrito.The post Empresários veem uso da reciprocidade como parte do processo de negociação com EUA appeared first on InfoMoney.

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