Abecip: novo modelo do crédito imobiliário pede recalibragem antes de janeiro

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O novo modelo de funding do crédito imobiliário brasileiro, criado para reduzir a dependência da caderneta de poupança e ampliar o uso de instrumentos de mercado, trouxe mais solidez para o sistema, mas também aumentou sua exposição às oscilações dos juros – e agora pede uma recalibragem antes de 2027. A avaliação foi feita nesta terça-feira (18) por Michel Cury, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), durante a abertura do ABECIP Summit 2026.Segundo Cury, a transformação mais importante vivida pelo setor nos últimos anos não está apenas no volume de crédito concedido, mas na origem dos recursos que financiam os empréstimos imobiliários, com a diminuição da fatia da poupança nesse bolo e o aumento dos pedaços das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras Imobiliárias Garantidas (LIG) e do mercado de capitais – uma diversificação que fortaleceu o sistema, mas tornou o custo do crédito mais sensível aos movimentos do mercado financeiro. “Quando os vértices da taxa pré sobem, a captação a mercado fica mais cara. Como essas fontes ganharam peso, essa pressão chega mais rapidamente ao custo final do financiamento”, disse. “A diversificação trouxe resiliência, mas também maior sensibilidade ao mercado. Não é um defeito do desenho, é uma característica dele. E características se administram com prazos mais longos, previsibilidade regulatória e calibragem contínua”, completou.Leia mais: BC vê primeiros resultados de novo modelo para financiar crédito imobiliárioModelo precisará ser ajustado até 2027Cury defendeu o novo modelo de funding desenhado ao longo de 2025, mas ressaltou que sua implementação definitiva, prevista para 2027, ocorrerá em um cenário econômico diferente daquele observado durante sua elaboração.“O modelo foi desenhado em 2025 e entra em vigor em 2027. E nesse intervalo algumas variáveis mudaram. Isso não invalida o que foi construído. Nenhum desenho complexo nasce pronto para sempre. Temos tempo para discutir evoluções com base em dados atualizados e chegar a 2027 com um modelo calibrado para o cenário atual”, disse.A avaliação de que o novo modelo exigirá calibragens também apareceu em painel subsequente, que reuniu representantes de Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander. Embora tenha havido consenso sobre a necessidade de reduzir a dependência da poupança, os executivos defenderam ajustes antes da implementação definitiva das novas regras, prevista para janeiro de 2027.Questionado sobre as conversas com o BC em torno da nova estrutura, Cury afirmou que a associação vem mantendo diálogo constante com o regulador e reconheceu a disposição da autoridade monetária para discutir aperfeiçoamentos na proposta. Segundo ele, porém, o prazo para definição das mudanças começa a se estreitar.“Estamos em agosto, falando de uma regra que começa em janeiro. Então, além das boas conversas, vamos precisar ter as boas ações apoiando todo esse debate e toda essa abertura para que, de fato, estejamos preparados e tenhamos, em janeiro, as condições adaptadas à realidade que vivemos agora”, afirmou.Segundo o executivo, o desafio é encontrar soluções que resolvam questões de curto prazo sem comprometer a sustentabilidade do sistema no longo prazo.Leia mais: Mão de obra em queda, Reforma Tributária e a visão do CEO da MRV para o setorA preocupação não é exclusiva da Abecip. No mesmo painel, representantes dos principais bancos do país afirmaram que a participação da poupança tende a continuar diminuindo nos próximos anos, enquanto instrumentos de mercado ganham relevância no financiamento imobiliário.Segundo Romero Albuquerque, diretor de Crédito Imobiliário do Bradesco, a migração já está em curso. Apesar de a poupança continuar relevante para o setor, o crescimento das carteiras imobiliárias tem sido sustentado cada vez mais por instrumentos como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e outras fontes de mercado. “A poupança continua importante, mas cada vez mais vai ter um peso relativo menor”, afirmou o executivo. “Cada vez mais a gente vai ter essa migração para o mercado”. Na avaliação Albuquerque, a mudança reforça a necessidade de um ambiente de juros mais favorável para o crédito habitacional uma vez que, como as novas fontes de funding estão mais diretamente ligadas às condições de mercado, oscilações na curva de juros tendem a chegar com mais rapidez ao custo dos financiamentos imobiliários. Leia mais: 50% vendidos antes de lançar: o teste que convenceu a Vitacon e a Housi sobre os 60+Desburocratização que reduz custoAlém do funding, Cury defendeu que o setor concentre esforços na redução do tempo necessário para concluir uma operação imobiliária. “O cliente não compra a taxa. O cliente compra a casa (…) Entre a decisão de financiar e a chave na mão existe uma jornada de documentos, registros e prazos. Cada etapa tem um custo que alguém paga, e um tempo que ninguém recupera”, disse.Nesse contexto, defendeu o avanço de iniciativas como o registro eletrônico de imóveis e a padronização de processos entre instituições financeiras, registradoras e incorporadoras.“Temos o compromisso de reduzir de forma significativa o prazo entre a proposta e a assinatura. Registro eletrônico de imóveis e padronização de processos entre agentes financeiros, registradoras e incorporadoras são agendas essenciais. Simplificar é hoje uma das formas mais eficientes de baratear o crédito”, afirmou.The post Abecip: novo modelo do crédito imobiliário pede recalibragem antes de janeiro appeared first on InfoMoney.

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