Anthropic afirma que adversários dos EUA usaram o Claude para fins bélicos

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(Bloomberg) — A Anthropic informou que seu modelo de inteligência artificial, o Claude, foi usado indevidamente em tentativas de desenvolver uma série de aplicações militares, incluindo enxames de drones kamikaze, sistemas de navegação de mísseis e armas biológicas.De acordo com um relatório divulgado na quinta-feira (10) pela equipe de inteligência de ameaças da Anthropic, nos últimos doze meses usuários de países como Irã, Rússia, China e Iêmen foram identificados por uso indevido dos modelos de ponta da empresa de IA. Nenhum dos casos envolveu os modelos mais avançados da Anthropic, o Fable e o Mythos.“À medida que os modelos se tornam cada vez mais capazes, os riscos também aumentam — a menos que os desenvolvedores de IA e os defensores da sociedade ajam para torná-los mais seguros”, afirmou a Anthropic no relatório.As empresas de IA dos Estados Unidos estão numa corrida para desenvolver e implantar sistemas cada vez mais potentes, em parte para não ficar para trás de concorrentes como a China, ao mesmo tempo em que tentam manter salvaguardas. A Anthropic busca impedir que sua tecnologia seja usada para fins nocivos, incluindo o desenvolvimento de armas biológicas e convencionais.Leia mais: Por que a Anthropic teria desistido da compra da Decart por US$ 6 bilhões?Essa postura a colocou em conflito direto com o Pentágono, que suspendeu a parceria com a Anthropic depois que a empresa se recusou a permitir que o Claude fosse usado para vigilância em massa ou sistemas de armas autônomas.O relatório afirma que usuários tentaram usar o Claude para ajudar inimigos dos Estados Unidos. Em muitos casos, tentaram burlar as salvaguardas do Claude ou esconder sua localização.Usuários na Rússia — que, segundo a Anthropic, não tinham vínculo com o Estado — tentaram usar o Claude para desenvolver software para um enxame de drones kamikaze autônomos em primeira pessoa, treinados com imagens de combate na Ucrânia.O relatório também detalha cinco estudos de caso de pessoas usando o Claude de formas que poderiam contribuir para o desenvolvimento de armas biológicas, incluindo virologistas patrocinados por Estados que tentaram criar uma versão melhorada de um vírus debilitante transmitido por mosquitos, o chikungunya. A tentativa foi identificada por meio de uma solicitação para que o Claude ajudasse a redigir um pedido de bolsa para financiar pesquisas em um instituto militar de um país não identificado, onde a Anthropic não presta serviços.A Anthropic destacou que todos os estudos de caso biológicos do relatório eram “ambíguos” e envolviam pesquisas que poderiam ter intenção científica legítima.Já agentes baseados no norte do Iêmen, controlado pelos houthis, usaram o Claude para desenvolver software para vários tipos de mísseis.“Não temos evidências de que os agentes tenham conseguido colocar em operação um dispositivo funcional”, disse a Anthropic.Agentes ligados a Estados em países como China e Irã tentaram usar o Claude para construir e facilitar sistemas de vigilância. Uma operação ligada à China usou o Claude para “rastrear, traçar perfis e recrutar uigures” no Exército Sírio. Uma unidade iraniana usou o Claude para construir um software de vigilância disfarçado de ferramenta para acompanhar horários de oração. O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.Em outro caso, a empresa descobriu que um consultor, provavelmente trabalhando para uma agência de inteligência estatal do Mali, usou o Claude para construir um sistema projetado para monitorar cerca de 25 milhões de celulares no país da África Ocidental. O sistema conseguia gerar “dossiês de inteligência” sobre qualquer número de telefone específico, sem necessidade de autorização judicial. A Anthropic disse que baniu a conta do consultor, mas que a plataforma de vigilância baseada no Claude já havia sido implantada localmente e estava fora do controle total da empresa. O governo do Mali não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.O relatório da Anthropic também destacou como hackers — desde suspeitos de serem patrocinados por serviços de inteligência da Rússia e da China até hacktivistas e cibercriminosos — estão usando a IA da empresa para acelerar e amplificar seus esforços de roubo de dados sigilosos. O relatório não revela vulnerabilidades novas ou perigosas em sistemas críticos.Leia mais: Pesquisador deixa Anthropic e acusa empresas de IA de “apostarem com nossas vidas”O documento detalha como um grupo de hackers que a Microsoft chama de Midnight Blizzard, ligado aos serviços de inteligência russos, “aumentou sua velocidade automatizando operações com IA”. Isso incluiu o uso do software da Anthropic para automatizar várias partes do desenvolvimento de seus programas maliciosos e para ajudar a criar e-mails de phishing contra alvos da inteligência militar e da defesa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.A Anthropic afirmou que outro grupo de hackers, a gangue de ciberextorsão ShinyHunters, usou IA para vasculhar credenciais de segurança vazadas e usá-las para roubar dados das organizações afetadas.“Os casos que compartilhamos aqui não são casos típicos de uso indevido, mas sim exemplos das atividades de ameaça mais notáveis e inéditas que identificamos até hoje”, disse a Anthropic no relatório, que também detalhou outros tipos de ameaças, incluindo golpes e ferramentas de hacking.© 2026 Bloomberg L.P.The post Anthropic afirma que adversários dos EUA usaram o Claude para fins bélicos appeared first on InfoMoney.

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