Crise no STF domina uma eleição já “sem novidades, projetos e planos”

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A sucessão de conflitos no Supremo Tribunal Federal (STF) está ocupando o espaço que deveria ser usado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e seus adversários para apresentar propostas na reta final da eleição.Paa Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia, o problema é agravado por uma campanha presidencial que já tinha dificuldade para despertar o interesse do eleitor antes da escalada da crise no Judiciário.“Já era uma campanha muito morna, sem novidades, sem projetos, sem planos, e agora a atenção do eleitor fica o tempo inteiro esperando cenas dos próximos capítulos: qual vai ser a operação de hoje, o que vai acontecer”, afirmou no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (11).Quando serão os debates presidenciais de 2026? Veja o calendário completoA disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, os desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e as decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal colocaram o STF no centro do noticiário justamente quando a campanha entra em sua fase decisiva.O efeito é uma eleição na qual a agenda institucional ganha espaço enquanto propostas dos candidatos permanecem em segundo plano.“Os dois principais candidatos não vão a debate e aí não tem debate. Não está tendo discussão nenhuma. Se vocês me perguntarem o que cada candidato propõe, eu própria não saberei dizer, quem dirá o eleitor comum”, disse Schulman.Lula x Flávio: o que cada lado sinaliza fazer com as contas públicas em 2027STF atravessa a agenda de Lula e FlávioPara a analista de política da XP Bárbara Baião, a crise também alterou uma dinâmica tradicional das eleições sobre a vantagem do presidente que disputa a reeleição de usar entregas do governo para pautar a campanha.Ela compara o cenário atual com 2022. Naquele ano, Lula e Jair Bolsonaro disputavam temas como Auxílio Brasil, Bolsa Família, salário mínimo e isenção do Imposto de Renda. Mesmo com Alexandre de Moraes já no centro dos ataques bolsonaristas, o Supremo não dominava a agenda eleitoral. Agora, o quadro é diferente.“A vantagem do incumbente de pautar a agenda, de colher os resultados das medidas anunciadas, está completamente atravessada por um ciclo de notícias que envolvem o presente e o futuro da Suprema Corte”, afirmou Baião.Leia tambémLula: não discuto ajuste fiscal, faço na práticaLula defendeu que seus três mandatos, em especial os dois primeiros, são demonstração de que ele tem responsabilidade fiscalOperação contra Dark Horse é fajuta, diz Flávio BolsonaroO presidenciável voltou a negar que tenha alguma irregularidade na produção cinematográfica A crise também passou a ser incorporada pelas próprias campanhas. Flávio explora a insatisfação com o STF e concentra ataques em Moraes, ao mesmo tempo em que valoriza André Mendonça. Lula, por sua vez, passou a defender a divulgação integral das investigações e tenta associar Mendonça ao campo bolsonarista.Segundo Baião, embora estejam em lados opostos, as campanhas adotam estratégias semelhantes para usar a crise para aumentar a rejeição do adversário.“É uma eleição que você precisa não vencer porque tem as melhores propostas para o Brasil, mas ser menos rejeitado do que o outro lado”, afirmou.Proposta que muda a vida do eleitorA ausência de uma agenda capaz de mobilizar o eleitor não se restringe à crise do STF.Schulman avalia que Lula chega à reta final sem uma proposta com o poder simbólico que outras bandeiras tiveram em eleições anteriores. Ela cita programas como Desenrola e Pé-de-Meia, mas considera a vitrine insuficiente para produzir entusiasmo.“Essa vitrine é muito restrita e é muito pouco, vou usar uma palavra aqui, sexy. Não tem alguma coisa que o cara diga: ‘uau!’”, afirmou. “A picanha tinha um atrativo”.No entanto, a dificuldade também existe do outro lado da disputa.“Do outro lado, o Flávio Bolsonaro também: eu não tenho motivo para votar nele nessas questões. Eu não sei o que ele está propondo, o que vai mudar na minha vida”, afirmou.O resultado, segundo ela, são duas campanhas “muito paralisadas” na disputa política enquanto as preocupações mais concretas permanecem sem respostas claras.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Crise no STF domina uma eleição já “sem novidades, projetos e planos” appeared first on InfoMoney.

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