O mercado imobiliário paulistano voltou a apresentar sinais positivos em julho, com as vendas de imóveis residenciais superando os lançamentos em praticamente todas as faixas de renda. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o Goldman Sachs destacou que o cenário foi especialmente favorável para Cury (CURY3) e Cyrela (CYRE3), duas de suas principais recomendações para o setor.Segundo o banco, as vendas superaram a oferta em quase todos os segmentos de preço, com exceção da faixa intermediária entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão. O maior avanço ocorreu nos imóveis enquadrados no universo do programa Minha Casa, Minha Vida, especialmente aqueles com preços inferiores a R$ 240 mil, onde a relação entre vendas e lançamentos melhorou significativamente na comparação trimestral.“O resultado é favorável para a Cury, pela forte exposição ao segmento de baixa renda, e para a Cyrela, por sua estratégia de atuação tanto nas faixas populares quanto nos empreendimentos de alto padrão”, afirmam os analistas Jorel Guilloty e Igor Machado.Demanda continua sólidaOs números compilados pelo Goldman mostram que, em julho, as vendas de imóveis na cidade de São Paulo atingiram 10.301 unidades, alta de 67% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, os lançamentos cresceram 46%, para 8.354 unidades. Isso levou a relação de vendas sobre oferta para 10,3%, acima dos 9,2% observados no mês anterior e dos 8,8% registrados um ano antes.Leia mais: Cyrela e Direcional sobem, mas estão baratas frente outros ciclos eleitorais, diz GoldmanEntre os imóveis de menor valor, o desempenho foi ainda mais forte. Na faixa de até R$ 275 mil, as vendas cresceram 64% na comparação anual, enquanto na categoria entre R$ 275 mil e R$ 400 mil a expansão chegou a 102%.Nos segmentos de maior renda também houve melhora. As categorias entre R$ 1 milhão e R$ 2,25 milhões e acima de R$ 5 milhões apresentaram avanço da absorção em relação aos lançamentos, indicando demanda consistente mesmo no mercado de alto padrão.Ações do setor voltam a superar o IbovespaAlém dos fundamentos operacionais, agosto foi um mês positivo para as ações das incorporadoras brasileiras. Segundo o Goldman Sachs, a cobertura do banco avançou, em média, 9,7% no período, enquanto o Ibovespa praticamente ficou estável, com variação negativa de 0,3%.Entre as empresas com recomendação de compra, Cyrela (CYRE3) subiu 14% no mês, seguida por Tenda (TEND3), com alta de 11%, e Cury (CURY3), que avançou 10%. A única exceção foi Direcional (DIRR3), com queda de 2%.Já MRV (MRVE3), que possui recomendação neutra, ganhou 16% no período, enquanto EZTEC (EZTC3), que segue com recomendação de venda, avançou 8%.Onde o Goldman vê mais potencialO banco mantém visão positiva para diversas construtoras brasileiras. No segmento de baixa renda, as principais recomendações continuam sendo Cury (CURY3), com preço-alvo de R$ 43, Direcional (DIRR3), com preço-alvo de R$ 20, e Tenda (TEND3), com preço-alvo de R$ 37.Entre as incorporadoras de média e alta renda, a preferência segue sendo Cyrela (CYRE3), cujo preço-alvo está em R$ 31 por ação.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quintaÍndices futuros avançam, um dia após Fed elevar taxas de juros O Goldman destaca que os múltiplos de valuation permanecem abaixo das médias históricas para boa parte da cobertura, especialmente em empresas como Cyrela, Direcional e Tenda, mesmo após a recuperação recente das cotações.Embora o banco aponte melhora nos indicadores operacionais, a trajetória dos juros continua sendo um dos principais fatores para o setor.O relatório mostra que as ações das incorporadoras permanecem bastante sensíveis aos movimentos dos rendimentos dos títulos públicos de dez anos no Brasil. Nesse contexto, uma continuidade do ciclo de queda da Selic tende a beneficiar especialmente as companhias mais expostas à demanda doméstica e ao financiamento imobiliário.The post Vendas superam lançamentos em SP e Goldman reforça preferência por Cury e Cyrela appeared first on InfoMoney.
