O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22) exaltando o desempenho econômico e militar do país e dedicou parte central da fala à guerra contra o Irã.Trump subiu à tribuna logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seguindo a ordem tradicional da Assembleia. Desde 1955, o Brasil abre o debate geral, enquanto o representante dos Estados Unidos fala na sequência.“O nosso país está mais forte hoje do que jamais esteve”, afirmou Trump. O republicano citou a economia, o poder militar e a liderança tecnológica americana para defender os resultados de seu governo.A fala ocorre em um momento de pressão doméstica sobre o presidente. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada às vésperas da Assembleia mostrou sua aprovação em 32%, o menor nível registrado no levantamento durante o atual mandato, enquanto os republicanos se preparam para as eleições legislativas de meio de mandato.Trump também tentou apresentar sua política externa como baseada em ação direta. “Enquanto outros falavam, eu agi. Enquanto outros falavam de paz, eu fiz paz”, afirmou.Leia tambémHoras antes de Lula falar na ONU, protesto projeta Flávio entregando faixa a TrumpAção em Nova York usa imagem criada por IA para criticar possível influência estrangeira na eleição brasileiraO que aconteceu depois da “excelente química” entre Lula e Trump em 2025Conversa inesperada na ONU rompeu meses de distanciamento; desde então, presidentes passaram a negociar diretamente, mas tarifas e disputas políticas mantêm relação instávelTrump endurece discurso contra o IrãO ponto mais contundente do pronunciamento foi direcionado a Teerã. Trump voltou a afirmar que o Irã não poderá desenvolver uma arma nuclear e classificou o regime iraniano como patrocinador do terrorismo no Oriente Médio.O presidente colocou diante da Assembleia duas possibilidades para o futuro da relação: um acordo que permita ao Irã reconstruir sua economia ou uma nova escalada militar.“Será que um acordo será feito com o Irã (…) ou será que eu tenho que aniquilar a República Islâmica?”, disse Trump.A ameaça ocorre quase oito meses depois do início da ofensiva americana contra o país. Trump tem defendido que as ações militares foram necessárias para impedir avanços do programa nuclear iraniano, enquanto a guerra provocou impactos sobre o petróleo, a navegação no Estreito de Ormuz e a segurança de países do Golfo.Apesar da retórica, Washington e Teerã deram sinais nesta terça-feira de que ainda existe espaço para negociação. Uma autoridade iraniana disse à Reuters que a Assembleia Geral poderia representar uma oportunidade para retomar a diplomacia. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também afirmou que os Estados Unidos estão abertos a conversas caso enxerguem possibilidade concreta de avanço.Não há, porém, reunião prevista entre Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.Guerra virou um dos principais desafios de TrumpA situação no Irã é um dos principais temas da passagem de Trump por Nova York. Segundo a Casa Branca, o presidente pretende usar a Assembleia para defender que sua ofensiva impediu o Irã de avançar em direção a uma arma nuclear e apresentar sua política externa como responsável por ampliar a influência dos Estados Unidos na ordem internacional.Trump também terá uma série de reuniões nos bastidores da ONU. Estão previstos encontros com líderes europeus, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, representantes dos países do Golfo e outras autoridades.Os países do Golfo têm interesse direto em uma saída para o conflito, principalmente diante das restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz e dos ataques recentes na região. Teerã sinalizou que poderia reabrir completamente a passagem caso os Estados Unidos aliviem a pressão militar e suspendam o bloqueio de portos iranianos.Fala vem logo depois de LulaA sequência dos discursos também colocou lado a lado duas visões distintas sobre o papel da força militar nas relações internacionais.Pouco antes, Lula havia usado sua fala para criticar a “lei do mais forte”, defender maior atuação das instituições multilaterais e afirmar que a guerra representa a falência da política.Trump adotou uma abordagem centrada no poder americano e na disposição de usar força militar para impedir ameaças que considera estratégicas.O republicano chegou à ONU disposto também a defender a soberania dos Estados Unidos diante das próprias instituições multilaterais. Segundo uma autoridade da Casa Branca ouvida pela Reuters antes do discurso, Trump pretendia criticar organismos internacionais quando considera que eles ultrapassam competências ou interferem em decisões americanas.The post Trump exalta força dos EUA e ameaça ‘aniquilar’ Irã em discurso na ONU appeared first on InfoMoney.
