A B3 vem discutindo com participantes do mercado formas de elevar os padrões de transparência, governança e padronização de informações dos fundos imobiliários (FIIs). A agenda ocorre em meio ao processo de internacionalização da indústria e à busca por aproximar os fundos brasileiros dos padrões adotados pelos Real Estate Investment Trusts (REITs) no exterior.A possibilidade de criar um mecanismo semelhante ao Novo Mercado, segmento da B3 conhecido por estabelecer regras adicionais de governança para companhias abertas, foi levantada durante discussão sobre o futuro da indústria no Liga de FIIs, programa semanal do InfoMoney. Segundo Thalita Forne, superintendente da B3, a discussão sobre novos padrões de governança já chegou à bolsa por meio de gestores, corretoras e outros participantes da indústria. “A gente está entrando em um momento agora de internacionalização dos nossos fundos imobiliários”, comentouDe acordo com Thalita, a B3 vem trabalhando há cerca de um ano e meio com gestoras para ampliar a transparência dos FIIs e aproximar o modelo contábil brasileiro de padrões internacionais. O movimento está relacionado ao reconhecimento dos fundos brasileiros como equivalentes aos REITs, estrutura que pode facilitar a inclusão de FIIs em índices internacionais.Para alcançar essa equiparação, entretanto, os fundos precisam cumprir uma série de requisitos relacionados à transparência, governança e divulgação de informações. Entre eles estão a publicação de documentos e relatórios contábeis em inglês e a manutenção de um site também nesse idioma.Leia Mais: Valora dobra patrimônio em 2 anos e revela onde vê oportunidades em FIIs e FiagrosEntrada de investidores estrangeiros funciona como mecanismo de pressão por transparênciaPara Forne, a entrada de investidores estrangeiros também pode funcionar como um mecanismo adicional de pressão por transparência. “A partir do momento que eu passo a ter um investidor internacional que está acostumado com outros padrões, padrões diferentes do nosso, ele começa a questionar mais o gestor”, dizNesse processo, a demanda internacional pode estimular as próprias gestoras a aprimorar a divulgação de informações e os mecanismos de governança dos fundos. A executiva resumiu a lógica como um ciclo de retroalimentação: quanto maior a exposição internacional, maior a necessidade de atender a padrões reconhecidos globalmente.“Eu acho que é um sonho que a gente pode ter, sim, de cada vez mais dar um próximo passo aqui nessa agenda de transparência, de governança, etc. Não sei se será uma agenda de Novo Mercado para fundos imobiliários, mas gostamos da provocação”, pontuou Forne.A expectativa da B3 é que a aproximação com os padrões internacionais amplie o universo de investidores dos fundos imobiliários brasileiros. Segundo Thalita, quando um FII atende aos requisitos necessários para ser considerado equivalente a um REIT e passa a integrar um índice internacional, ele pode receber recursos de fundos passivos e ETFs que acompanham esse indicador.“Todo esse fluxo internacional vem direto aqui para a B3, vem direto para o fundo imobiliário e a gente começa a ver os volumes saltarem 10, 20, 30 vezes”, disse a executiva. Neste contexto, a bolsa observa aumentos substanciais nos volumes negociados durante os rebalanceamentos de índices internacionais.Leia Mais: “Vai virar ativo previdenciário”: Analista prevê FIIs superando ações em investidoresB3 mantém grupo de trabalho para discutir evolução do mercadoA superintendente também revelou que a B3 mantém um grupo de trabalho com representantes do mercado para discutir os próximos passos da indústria de FIIs. O grupo reúne gestores, corretoras e, eventualmente, casas de research e representantes de outras classes de ativos.Os encontros ocorrem a cada dois ou três meses e discutem temas como transparência, formação de preços, liquidez e desenvolvimento de novos produtos. “A gente senta numa mesa, aqui na Faria Lima, para discutir: bom, o que a gente precisa para dar o próximo passo com fundos imobiliários?”, explicou.Entre as iniciativas discutidas está a ampliação dos ativos aceitos como garantia, tema que já avançou na B3, além de medidas para melhorar a negociação dos fundos e facilitar a entrada e saída dos investidores.O alcance da indústria no longo prazoA executiva também estabelece uma meta de longo prazo para o desenvolvimento da indústria: ampliar significativamente o volume negociado e o tamanho do mercado. “Acho que um sonho que a gente tem é sair de uma negociação de milhões por dia para uma negociação de bilhões por dia”, disse.Segundo ela, a B3 também enxerga espaço para o estoque de FIIs, atualmente próximo de R$ 200 bilhões, avançar para patamares de R$ 500 bilhões ou até se aproximar de R$ 1 trilhão. A perspectiva ocorre em um mercado que pode ser beneficiado por um eventual ciclo de queda dos juros, cenário que tende a afetar a atratividade relativa dos fundos imobiliários.“Olha o tamanho do nosso mercado real imobiliário. Seja o mercado de tijolo, seja o mercado de papel, ainda mais agora com o cenário que a gente começa a ver a taxa de juros a mostrar sinais de uma queda, isso é bastante positivo para o mercado de fundos imobiliários”, conclui Forne. Confira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas. The post “Novo Mercado” dos FIIs? B3 revela o que vem sendo feito para melhorar governança appeared first on InfoMoney.
