O Grupo Tata, um dos conglomerados mais antigos e poderosos da Índia, está mergulhado em um conflito interno sobre liderança e sobre a abertura de capital da companhia.De um lado está Noel Tata, patriarca da família e presidente da Tata Trusts, o grupo filantrópico que controla dois terços da Tata Sons, holding do conglomerado. Do outro está Natarajan Chandrasekaran, presidente da Tata Sons e sem ligação familiar com os fundadores, mas respaldado por importantes aliados corporativos. Conhecido como Chandra, ele lidera o grupo há quase uma década, período em que a empresa ampliou sua atuação em setores de alta tecnologia, como a fabricação de iPhones e semicondutores.Em uma rara rebelião do conselho, em 17 de setembro, os diretores votaram para estender o mandato de Chandrasekaran por mais cinco anos e decidiram cumprir uma exigência regulatória para listar a Tata Sons em Bolsa. Ambas as decisões contrariaram a posição de Noel Tata.A crescente disputa pelo comando do conglomerado de US$ 185 bilhões levantou uma questão central: quem realmente controla o Grupo Tata?Leia tambémAções do Nubank despencam em NY com notícias sobre compra de banco britânicoDe acordo com reportagem do site britânico Sky News no sábado, sem citar fontes, o Monzo foi abordado sobre uma possível combinação de negóciosAo redor de Noel e Chandra estão outros personagens menos conhecidos do público, mas fundamentais para o desenrolar da batalha. Veja cinco deles.Venu SrinivasanAos 73 anos, Venu Srinivasan, presidente emérito da fabricante de motocicletas TVS Motor, apoiou Noel Tata para suceder Ratan Tata no comando da Tata Trusts em 2024.Um ano depois, Noel retribuiu o gesto apoiando, junto aos demais conselheiros, sua recondução ao cargo de vice-presidente da instituição, dentro de um modelo que buscava garantir mandatos vitalícios aos curadores.A relação, porém, se deteriorou antes da reunião decisiva da Tata Sons que frustrou os planos de Noel de ampliar sua influência sobre o conglomerado.Srinivasan, que começou a carreira como mecânico em sua própria oficina, é atualmente o membro mais antigo do conselho da Tata Sons. Isso lhe dá uma memória institucional que antecede praticamente todos os envolvidos na disputa.Ele e Noel são os dois representantes da Tata Trusts no conselho da Tata Sons. Como as entidades beneficentes controlam cerca de 66% da holding, seu voto contrário às preferências de Noel dividiu a posição do principal acionista.Srinivasan também teve papel decisivo no início dos eventos que resultaram em restrições regulatórias sobre uma das principais fundações da Tata. Em abril, apresentou uma reclamação ao órgão regulador de entidades beneficentes do estado de Maharashtra questionando aspectos da governança da Sir Ratan Tata Trust (SRTT).As restrições impostas à fundação impediram reuniões regulares do conselho e levaram ao adiamento da assembleia anual de acionistas da Tata Sons no mês passado.Caso as restrições sejam removidas, a Tata Trusts pode ganhar força para bloquear propostas consideradas controversas e dificultar a abertura de capital da companhia.Shapoor MistryMuito antes de Noel Tata e Srinivasan romperem relações em torno da questão da listagem em Bolsa, o bilionário Shapoor Mistry já defendia publicamente um IPO da Tata Sons.A posição ganhou força depois que o Banco Central da Índia rejeitou um pedido da empresa para escapar da obrigação regulatória de abrir capital.A família Mistry controla o Grupo Shapoorji Pallonji, maior acionista minoritário da Tata Sons, com uma participação de 18,4%.Essa fatia se tornou o ativo mais valioso do conglomerado, mas também o menos líquido. Uma abertura de capital permitiria monetizar a posição e ajudar a reduzir dívidas acumuladas ao longo dos anos.Por isso, o Grupo Shapoorji Pallonji está entre os potenciais maiores beneficiários caso Noel Tata fracasse na tentativa de manter a empresa fechada.Há ainda um componente familiar na disputa: Aloo Mistry, esposa de Noel Tata, é irmã de Shapoor Mistry.Mesmo assim, as relações entre os grupos se deterioraram desde a destituição de Cyrus Mistry, irmão de Shapoor, do comando da Tata Sons em 2016 por Ratan Tata, episódio que desencadeou uma longa batalha judicial.Amogh KalotiO discreto escritório de Amogh Kaloti pode desempenhar um papel decisivo na disputa.Kaloti é o Comissário de Entidades Beneficentes do estado de Maharashtra, responsável por supervisionar fundações registradas na região, incluindo a Tata Trusts.Ex-juiz distrital, ele já encerrou uma das três investigações envolvendo entidades ligadas ao Grupo Tata. As outras duas continuam em andamento.Uma delas trata justamente da reclamação de Srinivasan sobre a composição permanente do conselho da Sir Ratan Tata Trust. A outra envolve questões de governança levantadas pelo ex-conselheiro Mehli Mistry.Em maio, Kaloti ordenou o adiamento de uma reunião da Tata Trusts e determinou a suspensão de novas deliberações até a conclusão das investigações.Essas medidas enfraqueceram a capacidade de Noel Tata de influenciar decisões estratégicas e podem se tornar ainda mais importantes caso a disputa migre do conselho para os tribunais e para votações de acionistas.Saurabh AgrawalEx-banqueiro de investimentos, Saurabh Agrawal ingressou no Grupo Tata em 2017 após passagem pelo conglomerado Aditya Birla.Hoje ele acumula os cargos de diretor financeiro (CFO) da Tata Sons e membro do conselho da companhia.Agrawal é amplamente visto como um dos principais aliados de Chandrasekaran e participa diretamente das principais frentes da disputa atual: as exigências regulatórias para abertura de capital, as negociações com o grupo Shapoorji Pallonji e as discussões estratégicas sobre o futuro financeiro da empresa.Como CFO, ele está diretamente envolvido em decisões ligadas aos bilionários investimentos do grupo em semicondutores, fabricação de iPhones e possíveis consequências de uma eventual listagem em Bolsa.Um dos pontos de conflito entre Noel e Chandrasekaran é justamente a disciplina financeira. Em reuniões anteriores, Noel teria cobrado explicações sobre unidades que continuam registrando prejuízo.Jimmy TataJimmy Tata, meio-irmão de Noel Tata, é curador da Sir Ratan Tata Trust e de outras fundações ligadas ao grupo.Apesar da posição estratégica, ele tem mantido distância dos assuntos corporativos e das disputas de poder que periodicamente abalam o conglomerado criado por sua família.Sua influência, no entanto, permanece relevante. Dependendo da posição que adotar, seu voto pode ajudar a definir o rumo das decisões dentro das instituições que controlam a Tata Sons.Caso Noel não consiga contar com seu apoio, a fragmentação ao seu redor pode se tornar ainda mais profunda, evidenciando divisões internas na família e nas entidades que sustentam sua autoridade.Enquanto Jimmy permanece em silêncio, outros conselheiros independentes vêm reduzindo a influência tradicional da família Tata. Harish Manwani, ex-executivo da Unilever, e Anita George, ex-dirigente do Banco Mundial, votaram pela renovação do mandato de Chandrasekaran apesar da oposição de Noel.Quando os representantes da Tata Trusts atuavam de forma alinhada, o poder do principal acionista era quase inquestionável, como ficou evidente durante a destituição de Cyrus Mistry há uma década.Agora, com Noel e Srinivasan em lados opostos e Jimmy ausente da disputa, figuras antes periféricas ganham espaço para influenciar os rumos do conglomerado de quase 160 anos de história. Enquanto isso, os dois lados reforçam seus times jurídicos para uma batalha que promete se estender muito além das salas de reunião.© 2026 Bloomberg L.P.The post Quem manda na Tata? A disputa que ameaça o maior conglomerado da Índia appeared first on InfoMoney.
