A poucos dias do primeiro turno das eleições, o Bradesco BBI montou três cestas de ações para ajudar investidores a navegar diferentes resultados nas urnas. De um lado estão papéis que historicamente se beneficiaram da melhora das chances de reeleição do atual governo. De outro, aqueles que reagiram positivamente ao fortalecimento do desafiante. Para quem não deseja olhar para um resultado específico, há ainda uma terceira carteira, de ações consideradas mais resilientes à volatilidade eleitoral.O exercício foi elaborado pelos estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, que analisaram mais de 220 ações do Ibovespa e índices de small caps, além de empresas relacionadas ao Brasil negociadas nos Estados Unidos e de companhias mexicanas e chilenas. O objetivo foi identificar como ações e setores reagiram às mudanças nas expectativas para a eleição.Mas o banco vai além de tentar escolher os vencedores de cada resultado eleitoral. O Bradesco BBI permanece overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) em Brasil e mantém o país como sua principal preferência na América Latina, diante do valuation baixo e de uma relação entre potencial de alta e baixa que considera bastante assimétrica.Cenário 1 – manutenção do atual governoA primeira carteira, batizada de”Incumbent”, reúne 15 ações relacionadas ao Brasil que apresentaram desempenho superior ao mercado quando aumentaram as chances eleitorais do atual governo e ficaram para trás quando essas probabilidades diminuíram.A cesta é formada por Andina, CPFL Energia (CPFE3), Copasa (CSMG3), Caixa Seguridade (CXSE3), Equatorial (EQTL3), Hidrovias do Brasil (HBSA3), Iguatemi (IGTI11), Itaú Unibanco (ITUB4), Mercado Livre (BDR: MELI34), Multiplan (MULT3), Iochpe-Maxion (MYPK3), Porto Seguro (PSSA3), Taesa (TAEE11), Tenda (TEND3) e Vivara (VIVA3).O destaque é a concentração em seguradoras, utilities, shopping centers e incorporadoras de baixa renda, além de exportadoras e empresas negociadas no exterior com exposição relevante ao Brasil.Leia tambémDólar a R$ 4,90 ou R$ 5,50? JPMorgan traça cenários para câmbio com eleição no BrasilApesar da disputa apertada entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, o real mostrou maior resistência ao ruído político neste ciclo eleitoral do que em disputas anteriores, avalia o bancoO verdadeiro gatilho para a Bolsa brasileira pode vir depois da eleição, diz JPMorganBanco vê ações baratas e investidores pouco posicionados, mas ressalta que uma nova onda consistente de valorização dependerá principalmente de uma queda dos juros em direção a níveis mais neutrosEntre as seguradoras aparecem Caixa Seguridade e Porto Seguro, embora o BBI tenha uma visão fundamentalista neutra para o segmento diante dos valuations considerados justos. Já entre as utilities, o estudo cita nomes como Copasa, CPFL e Taesa, enquanto Multiplan e Iguatemi representam o setor de shopping centers.A Tenda aparece como representante das incorporadoras de baixa renda. O banco destaca que o backlog funciona como um importante colchão para os resultados da companhia.Cenário 2 – Petrobras, BB, B3 e XP aparecem na cesta do desafianteA composição muda significativamente quando o Bradesco BBI olha para as ações que apresentaram melhor desempenho nos períodos em que cresceram as chances do candidato desafiante.A cesta”Challenger” é formada por União Pet, ou PetzCobasi (AUAU3), B3 (B3SA3), Banco do Brasil (BBAS3), Bemobi (BMOB3), Frasle Mobility (FRAS3), Grupo Mateus (GMAT3), Hypera (HYPE3), Intelbras (INTB3), MRV (MRVE3), Petrobras (PETR3; PETR4), Panvel (PNVL3), RD Saúde (RADL3), Vamos (VAMO3), Vitru e XP (BDR: XPBR31).Quatro grupos ganham destaque nessa carteira: empresas ligadas ao mercado de capitais, estatais, papéis sensíveis aos juros e small caps.No mercado de capitais, aparecem XP e B3, com o mercado de capitais sendo segmento preferido do analista financeiro do banco Marcelo Mizrahi.Entre as estatais estão Banco do Brasil e Petrobras. O banco ressalta que o mercado brasileiro possui peso maior de empresas influenciadas pelo Estado em seus índices do que qualquer outro grande mercado acionário global. A Petrobras também aparece bem posicionada na matriz eleitoral de petróleo e gás do BBI.MRV e Vamos são exemplos de papéis sensíveis aos juros. O cenário econômico utilizado pelo banco prevê que a Selic cairá dos atuais 13,75% para 11% ao final de 2027, o que ajuda a explicar a sensibilidade desses papéis a cenários percebidos como mais favoráveis pelo mercado.Small caps têm “dupla alavancagem”As small caps recebem atenção especial na cesta ligada ao “desafiante”. O Bradesco BBI chama essa exposição de”dupla alavancagem”. O primeiro fator é o desconto de valuation das empresas menores em relação às grandes companhias, próximo de níveis recordes. O segundo é a possibilidade de interrupção das saídas de recursos dos fundos de ações locais, tradicionalmente compradores relevantes desses papéis.O relatório cita União Pet, Grupo Mateus e Vitru entre os exemplos de small caps que aparecem com destaque nessa seleção.Apesar da divisão entre as cestas, o banco chama atenção para um ponto importante: houve pouca diferença de desempenho entre as duas carteiras no último ano. O estudo, portanto, funciona como uma maneira de mapear sensibilidades observadas nas cotações, e não como uma previsão automática de como cada papel necessariamente se comportará depois das urnas.Cenário 3 – quais ações comprar independentemente da eleição?Para investidores que preferem não olhar especificamente para um resultado eleitoral, o banco atualizou sua carteira “All-Weather”, ou resiliente.Ela reúne Ambev (ABEV3), B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), Cyrela (CYRE3), Embraer (EMBJ3), Itaú (ITUB4), Mercado Livre, Nu (ROXO34), RD Saúde (RADL3), Localiza (RENT3), Sabesp (SBSP3), TIM (TIMS3), Totvs (TOTS3), Vivo (VIVT3) e WEG (WEGE3).Para selecionar esses papéis, os estrategistas adotaram três pilares: qualidade, capacidade de crescimento composto e margem de segurança.No primeiro grupo, o BBI busca empresas com rentabilidade elevada e estável e vantagens competitivas amplas, citando Vivo, WEG e TIM. Entre os chamados compounders, capazes de combinar crescimento e reinvestimentos com retorno elevado sobre o capital, aparecem RD Saúde, Embraer e Sabesp. Já o Nu é citado como exemplo de ação com margem de segurança, medida pelo potencial de valorização até o valor intrínseco estimado.WEG lidera ranking de ações resilientesDentro dessa estratégia, a WEG aparece com a maior pontuação total do BBI, 79 pontos em 100, seguida por RD Saúde, com 77, e Vivo e Totvs, ambas com 78 pontos na tabela do banco.O levantamento também inclui Nu, TIM, Embraer, Sabesp, Itaú, Ambev, B3, Mercado Livre, Cyrela, BTG Pactual e Localiza entre as ações mais bem classificadas pelos três critérios utilizados.Cenários para Bolsa vão de queda de 44% a alta de 76%Apesar da proximidade das eleições, o Bradesco BBI continua otimista com o mercado brasileiro. O ponto que chama mais atenção é a assimetria entre os cenários extremos projetados pelo banco para o MSCI Brazil.No cenário mais otimista, com reformas, o banco calcula potencial de valorização de 76%. A projeção considera uma forte reprecificação do mercado, com o múltiplo preço/lucro convergindo para cerca de 11 vezes, próximo da média histórica de longo prazo, acompanhada de redução próxima a 3 pontos percentuais nos juros reais das NTN-Bs.No extremo oposto, um cenário sem reformas produziria potencial de queda de 44%. Nessa hipótese, o real voltaria a enfraquecer para níveis observados durante o episódio de preocupação com “dominância fiscal” no quarto trimestre de 2025.Leia mais: Lula versus Flávio Bolsonaro: quais ações devem ganhar em cada cenário das eleições?Entre esses extremos, o estudo apresenta outros cenários: queda de 17% sob determinadas premissas para investidores locais, alta de 31% considerando o custo de capital dos estrangeiros e valorização de 25% em um cenário de consolidação fiscal.O resultado é uma relação de aproximadamente dois para um entre o potencial de valorização do melhor cenário e a perda no pior caso, uma das principais razões pelas quais o BBI mantém exposição acima da média ao Brasil.Câmbio concentra perdas, juros podem comandar ganhosA análise também mostra que diferentes ativos seriam responsáveis pelos movimentos nos extremos.No pior cenário, é o real que absorve a maior parte das perdas, o que, segundo os estrategistas, ajuda a explicar a procura dos investidores por ações que funcionem como proteção cambial. O banco observa que a moeda respondeu por metade dos retornos de longo prazo da Bolsa brasileira quando medidos em moeda forte.Nos cenários favoráveis, por outro lado, a redução dos juros reais das NTN-Bs é o principal vetor da valorização. Daí o interesse por ações de longa duração, entre elas empresas de utilities e concessões rodoviárias.Por que o BBI ainda prefere Brasil?Outros elementos sustentando a recomendação positiva, aponta o BBI. O MSCI Brazil negocia a 8,7 vezes o lucro, colocando o Brasil entre os mercados de menor múltiplo globalmente, segundo o banco. Ao mesmo tempo, o sentimento permanece deprimido, com R$ 5 bilhões em saídas líquidas de investidores institucionais no mês considerado pelo relatório.A curva de juros também é um elemento-chave. Enquanto ela não precifica cortes da Selic no período de um ano analisado pelo relatório, o Bradesco trabalha com redução de 1,75 ponto percentual.Assim, mesmo diante da volatilidade esperada para as eleições, o banco mantém uma estratégia ofensiva em formato de “barbell”, concentrada em companhias ligadas ao mercado de capitais, estatais e ações sensíveis aos juros.A história das cinco eleições anteriores reforça a necessidade de cautela com movimentos de curto prazo. Segundo os estrategistas, eleições brasileiras são normalmente acompanhadas por forte volatilidade das pesquisas e das ações, reações expressivas depois do primeiro turno e exageros de preço no segundo turno antes de uma posterior reversão à média.The post Eleição: 3 cestas de ações para diferentes resultados nas urnas, segundo Bradesco BBI appeared first on InfoMoney.
