Magalu salta 61% e lidera Ibovespa em setembro: por que disparou e o que vem agora?

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O Magazine Luiza (MGLU3) encerrou setembro como a ação de melhor desempenho do Ibovespa, coroando uma virada expressiva de humor dos investidores em relação à varejista. Os papéis dispararam 61,47% no mês, para R$ 7,46, em um período em que o próprio índice avançou 5,03%.O rali teve uma combinação de fatores. O Magalu se beneficiou do chamado “trade de juros”, favorecido pela redução da Selic e pelas expectativas em torno do cenário eleitoral e fiscal. De outro, uma sequência de notícias corporativas trouxe argumentos adicionais para a recuperação, com destaque para a parceria com o Mercado Livre (BDR: MELI34) e até para a perspectiva de menor concorrência após os problemas enfrentados pela Casas Bahia (BHIA3).Mas a pergunta que fica para outubro é: depois de uma valorização superior a 60% em apenas um mês, ainda existe combustível para a ação subir?Analistas pregam cautela, uma vez que há expectativas de melhora operacional para os próximos meses e um eventual ciclo mais forte de queda dos juros seria particularmente benéfico para a empresa, enquanto o JPMorgan avalia que parte importante desse cenário já foi incorporada às cotações e continua com recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda), chamando a atenção especialmente para a qualidade dos lucros da varejista.O impulso mais evidente veio do acordo anunciado no início de setembro com o Mercado Livre. A parceria permite ampliar a distribuição dos produtos do Magalu dentro da plataforma e foi recebida positivamente porque cria uma alternativa para recuperar tração no comércio eletrônico sem exigir o mesmo nível de investimento na aquisição de clientes pelos canais próprios.O acordo atacou justamente uma das principais fragilidades recentes da companhia. No segundo trimestre, as vendas online haviam caído cerca de 12%, enquanto as lojas físicas cresceram 10,3%. A possibilidade de usar a audiência do Mercado Livre para recuperar alcance e vendas digitais, portanto, trouxe uma nova perspectiva para a operação.A S&P também incorporou esse fator às suas projeções. Ao reafirmar a nota de crédito do Magalu em “brAA-“, a agência afirmou esperar recuperação gradual das vendas nos próximos meses, sustentada pela parceria com o Mercado Livre e pela menor concorrência após o fechamento de lojas da Casas Bahia. A perspectiva estável contempla ainda melhora da geração de caixa e redução gradual da alavancagem a partir de 2027.Leia tambémIbovespa sobe 5% no mês, maior alta desde janeiro – outubro começa com grande testeEleições do próximo domingo estão no radar do mercadoA agência, contudo, revisou para baixo as projeções para 2026 e passou a estimar dívida líquida/Ebitda perto de 4 vezes no fim deste ano, ante 3,6 vezes anteriormente. Para 2027, espera redução para algo entre 3 e 3,5 vezes.Ainda neste tema, o JPMorgan elevou suas estimativas para o Magalu ao incorporar tanto a parceria com o Mercado Livre quanto potenciais ganhos de participação associados à recuperação judicial da concorrente. O banco aumentou em 6% sua projeção de receita líquida para 2027 e em 24% a estimativa de lucro.Houve ainda uma possível avenida de crescimento no radar. A Anvisa revogou uma medida preventiva que proibia o Magazine Luiza de comercializar, distribuir e anunciar determinados medicamentos. Segundo a Ágora Investimentos, a retirada da restrição amplia as possibilidades estratégicas do ecossistema digital da companhia, embora o impacto econômico efetivo dependa da regulamentação sanitária e do modelo de operação que poderá ser adotado.Juros e eleições turbinaram MGLU3Além dos catalisadores próprios da empresa, o cenário macroeconômico ajudou: com a Selic reduzida para 13,75% após cinco cortes consecutivos do Banco Central, investidores voltaram a procurar ações ligadas ao consumo e ao crédito. E poucas varejistas na Bolsa carregam tanta sensibilidade aos juros quanto o Magazine Luiza. Nas contas do JPMorgan, uma Selic 1 ponto percentual abaixo do cenário-base elevaria em aproximadamente 10% o lucro projetado do Magalu para 2028. No Assaí (ASAI3), outro nome de alto beta, o impacto seria de cerca de 5%, enquanto nas demais varejistas analisadas ficaria em aproximadamente 2%. Além disso, a proibição das bets no Brasil pode adicionar um mercado significativo ao varejo e consumo, afetando as ações de Magalu.A expectativa em torno das eleições ainda ampliou esse movimento. O setor varejista chega à votação negociando com valuations deprimidos e pode ser reprecificado caso o resultado das urnas leve a uma redução da percepção de risco fiscal e dos juros. Nas contas do JPMorgan, as varejistas negociam em torno de 8 vezes o lucro projetado, contra uma mediana de aproximadamente 15 vezes nos últimos cinco anos.No caso do Magalu, porém, parte dessa aposta já aconteceu, avalia o JPMorgan. Embora reconheça que o Magalu está entre as ações que mais podem ganhar com uma queda adicional dos juros, o JPMorgan mantém recomendação underweight para MGLU3. O banco destaca que quase todo o lucro da empresa, segundo seus cálculos, depende de incentivos tributários, levantando dúvidas sobre a qualidade dos resultados.Leia também17 ações sobem mais de 10% e 5 caem ao menos 10%: destaques do Ibovespa em setembroMagazine Luiza teve maior ganho do mês, enquanto Natura teve a maior quedaExiste ainda uma nuance na própria tese de juros menores, uma vez que a queda das taxas reduz as despesas financeiras e pode estimular a demanda por bens duráveis, mas também pode diminuir os ganhos financeiros embutidos nas vendas, pressionando as margens brutas e limitando parte do impacto positivo sobre os lucros.Por isso, o banco enxerga atualmente relações de risco e retorno mais interessantes em outras varejistas. C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) têm recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), enquanto Lojas Renner (LREN3) é neutra. Para o JPMorgan, essas empresas oferecem uma assimetria mais atraente diante dos diferentes resultados eleitorais do que simplesmente apostar nos papéis de maior beta, como MGLU3.Resultados precisam justificar o raliO segundo trimestre ainda mostrou um quadro desafiador: o Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, queda de 2,6% da receita líquida e retração de 5,1% nas vendas totais. A margem Ebitda ajustada, por outro lado, permaneceu em torno de 8%.Os próximos resultados, portanto, terão que mostrar se os catalisadores que impulsionaram a ação em setembro estão de fato migrando para vendas, margens e geração de caixa.Entre os indicadores no radar estão a recuperação das vendas online, a trajetória das margens, a redução gradual do endividamento e o desempenho da Luizacred. A Black Friday e as vendas de fim de ano também serão testes relevantes para a operação.Há obstáculos macroeconômicos: o JPMorgan, por exemplo, espera fortes dificuldades para o consumo em 2027, diante de endividamento elevado das famílias, peso do serviço da dívida, inadimplência crescente e crédito ainda caro. O banco ressalta que uma eventual reação das ações após as eleições não deve ser confundida com uma recuperação imediata dos fundamentos das varejistas.The post Magalu salta 61% e lidera Ibovespa em setembro: por que disparou e o que vem agora? appeared first on InfoMoney.

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