O que os bancos estrangeiros esperam da Bolsa e do dólar após 1º turno?

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A forte valorização dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições levou grandes bancos internacionais a reverem suas projeções para o mercado local. Morgan Stanley, JPMorgan e Goldman Sachs passaram a adotar uma visão mais construtiva para ações, câmbio e fluxo de capitais, embora todos ressaltem que a continuidade do movimento dependerá da trajetória fiscal do país.Leia tambémEstrangeiros trouxeram R$ 10 bilhões para Bolsa apenas no “Flávio Day”Até dia 2 de outubro, o capital estrangeiro já era positivo em R$ 2,55 bilhões e, após a sessão de segunda, ficou em R$ 12,61 bilhõesO sentimento mais positivo aparece após a expressiva alta da Bolsa, valorização do real e fechamento da curva de juros observados desde o resultado das urnas. Para as instituições, o mercado passou a embutir uma maior probabilidade de mudanças na política econômica, mas ainda pode haver espaço para novas altas caso as expectativas sejam acompanhadas por medidas concretas.Morgan Stanley vê Ibovespa em até 250 mil pontosO Morgan Stanley elevou o Brasil de neutro para overweight (compra) e afirmou que o rali recente não esgotou o potencial da Bolsa brasileira. O banco projeta valorização adicional de 15% a 20% para as ações até o fim de 2026 e trabalha com um cenário otimista em que o Ibovespa alcança 250 mil pontos. No mesmo cenário, o dólar poderia recuar para R$ 4,50.A casa defende a tese do chamado “Great Rebalancing”, um processo de migração de recursos da renda fixa para ações e investimentos produtivos. Segundo os estrategistas, juros menores e redução do prêmio de risco poderiam estimular tanto a realocação das carteiras dos investidores quanto um ciclo mais forte de investimentos privados.Com essa visão, o banco promoveu uma rotação de carteira, reduzindo exposição a exportadoras como Vale e Suzano e aumentando posições em empresas ligadas à economia doméstica, especialmente do setor financeiro. Entre os destaques estão B3 (B3SA3), XP (XPBR31), BTG Pactual (BPAC11), Nubank (ROXO34), Mercado Livre (MELI34) e Vamos (VAMO3). O Morgan Stanley também destacou o potencial de entrada de recursos na Bolsa. Pelos cálculos da instituição, o retorno dos fundos locais a níveis históricos de exposição à renda variável poderia gerar fluxos entre R$ 176 bilhões e R$ 945 bilhões, dependendo do grau de realocação dos investidores.JPMorgan eleva Brasil para compraO JPMorgan seguiu caminho semelhante e elevou sua recomendação para ações brasileiras de neutra para overweight. Na visão do banco, o Brasil passou a oferecer o maior potencial de valorização entre os mercados da América Latina após o primeiro turno.A instituição calcula que o MSCI Brazil pode avançar cerca de 12% no curto prazo e até 20% em um cenário mais favorável. Parte relevante desse movimento ocorreria por uma simples reprecificação dos ativos brasileiros, caso o mercado passe a exigir um prêmio menor para investir no país. Em outro relatório, o JPMorgan estimou que as ações brasileiras podem subir entre 10% e 11% rapidamente. O banco avalia que os múltiplos do mercado podem passar de cerca de 8,9 vezes lucro para 10,9 vezes lucro, enquanto um cenário semelhante ao observado após 2016 poderia levar as avaliações para patamares ainda mais elevados.No mercado acionário, a preferência da casa migrou para empresas mais sensíveis à queda dos juros. Entre os nomes destacados estão BTG Pactual, XP, Nubank, Cyrela (CYRE3), Eztec (EZTC3), Localiza (RENT3), Movida (MOVI3), Vamos, Magazine Luiza (MGLU3), Assaí (ASAI3), Sabesp (SBSP3), Energisa e Eneva (ENEV3). No setor de petróleo, Petrobras continua sendo a principal escolha dos analistas do banco. Goldman aposta em valorização do realEnquanto Morgan Stanley e JPMorgan concentraram suas análises no mercado acionário, o Goldman Sachs teve foco maior no câmbio.O banco avalia que o real pode continuar se fortalecendo nas próximas semanas e projeta uma taxa de câmbio entre R$ 4,50 e R$ 4,80 por dólar em um cenário considerado favorável ao mercado e associado a uma política fiscal mais austera. Para justificar a projeção, a instituição recorre à experiência de 2018, quando o real continuou se valorizando entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial. O Goldman destaca, porém, que os próximos passos dependerão menos do resultado eleitoral em si e mais das sinalizações sobre política econômica, reformas e nomes para a equipe econômica. Segundo os estrategistas, existe até mesmo espaço para uma valorização superior da moeda brasileira caso o país consiga avançar em um processo consistente de consolidação fiscal e o ambiente internacional continue favorável aos mercados emergentes.Fiscal segue como principal condiçãoApesar do otimismo, os três bancos convergem em um ponto: a continuidade do rali dependerá da política fiscal.Morgan Stanley, JPMorgan e Goldman Sachs destacam que a queda estrutural do prêmio de risco, o avanço adicional das ações, a valorização do real e a migração de recursos para a Bolsa exigirão sinais concretos de compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Sem isso, parte da reprecificação observada nos últimos dias pode não se sustentar.Para as instituições, o primeiro turno abriu espaço para uma melhora relevante nas expectativas, mas os investidores passarão agora a monitorar mais atentamente as propostas econômicas, a composição das equipes e a capacidade de implementação de uma agenda fiscal crível por parte do próximo governo. The post O que os bancos estrangeiros esperam da Bolsa e do dólar após 1º turno? appeared first on InfoMoney.

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