Seis em cada dez gestoras de fundos multimercados macro operam hoje com mais risco alocado em Brasil do que a média dos últimos 12 meses, mas o resultado do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, é o fator mais citado entre as que reduziriam de forma relevante essas posições. É o que mostra levantamento da equipe de Análise de Fundos da XP com 24 gestoras, realizado na segunda-feira (5), dia seguinte ao primeiro turno.A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (7), foi feita no mesmo pregão em que o Ibovespa subiu 7,70% e fechou pela primeira vez acima dos 200 mil pontos, a quase 207 mil pontos, depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No mesmo dia, o dólar recuou 4,12%, a R$ 5, e desde então acentuou a queda abaixo desse patamar.Segundo o relatório, 58% das gestoras estão com orçamento de risco em Brasil acima da média recente, sendo 17% bem acima. Outras 38% estão em linha com o próprio padrão e apenas 4% abaixo. Ao todo, 71% afirmam que aumentariam a exposição local.Na leitura consolidada das gestoras, parte relevante do alívio recente dos ativos brasileiros veio da compressão de prêmio de risco e de fatores técnicos, e não de uma revisão de cenário econômico. A pesquisa Pré-Copom de setembro, feita com 20 gestoras, já mostrava esse descompasso, com 70% delas compradas em Bolsa brasileira enquanto 55% tinham leitura negativa sobre a economia do país, o pior nível da série.Essa convicção está ancorada em um evento com data marcada: entre as 17 gestoras que responderam o que as faria reduzir de forma relevante a exposição a Brasil, 13 citaram o resultado do segundo turno. Nível de preço, cenário externo e compromisso fiscal do próximo governo aparecem em seguida, com poucas menções. Segundo a amostra, isso sugere um horizonte de posicionamento mais curto do que o usual para a classe.No campo fiscal, 67% das gestoras avaliam que a composição do Congresso a partir de 2027 aumenta a chance de aprovação de uma agenda de ajuste, mas condicionam o avanço ao Executivo. Outras 29% veem o efeito do Legislativo como relevante por si só.Metade das gestoras aponta a Bolsa brasileira como o ativo com melhor relação entre risco e retorno até o fim de 2026, enquanto juros reais longos e juros nominais aparecem com 21% das indicações cada.Nenhuma gestora espera manutenção da Selic em novembro. A grande maioria, 88%, projeta corte de 0,25 ponto percentual, de 13,75% para 13,50% ao ano, e as demais esperam aceleração do ritmo, com redução de 0,50 ponto. Para 2027, a projeção média da amostra para a taxa básica é de 11,50%.Mesmo com essa convicção, a movimentação das carteiras desde a reunião anterior do Copom foi contida, com a manutenção de posições como resposta mais frequente em Bolsa, juros e câmbio. Em juros, mais gestoras reduziram a posição aplicada do que a ampliaram, e o relatório aponta a realização de ganhos após a queda recente das taxas como possível explicação. A diversificação internacional também foi preservada por 75% da amostra.O otimismo do primeiro pregão pós-eleição deu fôlego a uma classe que vinha de um ano difícil. Levantamento da Crava Capital mostra que alguns multimercados renderam mais de 8% em um único dia, caso do Vista Hedge, enquanto fundos da Legacy e da Ibiuna ganharam mais de 4%. Na ponta oposta, o Adam Macro, mais posicionado contra Brasil, perdeu 1,17% no dia, mas segue com alta de quase 27% no ano, bem acima do CDI.O efeito do rali sobre a classe como um todo ainda não é conhecido, já que o índice de multimercados da Anbima, o IHFA, é divulgado com defasagem de três dias úteis.A XP pondera que as respostas foram coletadas antes de qualquer definição do segundo turno e reforça que estratégias multimercados devem ser avaliadas em horizonte superior a 36 meses. Mesmo diante da volatilidade de curto prazo, a equipe afirma, em relatório, que esses fundos “continuam sendo uma ferramenta importante de diversificação e gestão ativa de risco”.The post Gestores elevam aposta em Brasil, mas apontam 2º turno como gatilho para redução appeared first on InfoMoney.
