A menos de dois dias das eleições, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se encaminham para um resultado que poderá definir o próximo Presidente da República com uma diferença menor que 1% dos votos válidos.Empatados tecnicamente com 45% a 44%, segundo a última pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (22), ambos os candidatos enfrentam o mesmo desafio de conquistar o pouco eleitorado disponível fora da polarização, no entanto, um grupo pode ser decisivo para mudar o cenário, o eleitor ausente.Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram ás urnas no primeiro turno, o equivalente a 21,08% do eleitorado ou 15% da população brasileira. O número representa a maior ausência nas urnas desde 1998.Leia tambémEconomist trata Lula como ‘azarão’ no 2º turno mais acirrado desde a redemocratizaçãoA publicação lembra que “nenhum candidato que perdeu o primeiro turno conseguiu, até hoje, vencer o segundo”Lula pode encerrar carreira política com derrota para Flávio, diz The New YorkerRevista americana vê eleição brasileira como parte de avanço da direita na América Latina e afirma que presidente enfrenta dificuldades para mobilizar eleitoresPara o cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Jairo Pimentel, antes de abordar o eleitor ausente das urnas, ambas as campanhas precisam entender que a falta dos eleitores vai além do protesto político.“Existe também uma dimensão estrutural. Temos um eleitorado envelhecendo e desigualdades socioeconômicas que dificultam o comparecimento. Muitas vezes, não estamos diante de um eleitor que não quer votar, mas de alguém para quem votar se tornou uma atividade difícil”, explica.Pimentel também destaca que a missão de recuperar o eleitor ausente das urnas é mais custosa que conquistar o indeciso ou “virar votos” neste segundo turno. “O indeciso que pretende votar precisa resolver uma escolha. Já o eleitor que não compareceu precisa superar duas barreiras: primeiro, decidir participar da eleição; depois, escolher um candidato”, reforça. “Isso não significa que a mobilização seja irrelevante. Numa eleição apertada, pequenas diferenças de comparecimento em determinadas regiões podem ter consequências importantes”, acrescenta.Diferentes estratégiasApós a mudança de cenário no 1º turno, com Lula saindo da liderança das pesquisas para o segundo lugar nas urnas, a campanha petista optou pela mobilização popular em atos como novo foco da campanha. Após a repercussão dos atos nas grandes capitais, como São Paulo, o movimento também foi reproduzido pela campanha de Flávio.Para Pimental, a volta às ruas pode ser um dos acertos para reconquistar o interesse do eleitor pela participação nas urnas. “Quando o eleitor percebe que outras pessoas estão mobilizadas, pode passar a enxergar a eleição como um acontecimento mais relevante. Isso vale para os dois campos políticos”, destaca.O pesquisador também explica que ambas as campanhas acertam ao focar em diferentes grupos dos eleitores ausentes. Segundo o especialista, Lula identificou uma possibilidade de crescimento em segmentos nos quais tradicionalmente possui maior apoio, como os eleitores mais velhos e menos escolarizados e determinadas, no entanto a preferência em pesquisas gerais não significa necessariamente que os maiores de 70 anos que se abstiveram necessariamente tenham a mesma preferência.“Flávio enfrenta outro desafio. Como saiu na frente no primeiro turno, precisa preservar sua votação e evitar uma queda de participação entre seus apoiadores. Suas alianças regionais e o apoio de lideranças políticas podem ajudar nessa tarefa”, justifica o docente.Pimentel alerta, no entanto, que ambas as candidaturas podem sofrer baixa com a ausência de disputas estaduais no segundo turno em estados importantes, como São Paulo e Minas Gerais, que podem ter menor mobilização das bases.“Também vejo um risco no excesso de campanhas negativas. Para quem já está convencido, os ataques ao adversário podem aumentar a disposição de votar. Para quem está distante da política, podem reforçar a sensação de que nenhuma das alternativas merece seu envolvimento”, conclui.Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentarão novamente em debate na sexta-feira (23), a expectativa é que o postulante do Partido Liberal adote um tom mais moderado e discutir sobre mercado e segurança pública, enquanto o petista deve manter a pressão sobre temas sensíveis ligados ao caso Master e a pautas morais.The post O desafio de Flávio e Lula para levar o eleitor ausente às urnas no 2º turno appeared first on InfoMoney.
