O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final do segundo turno enfrentando um fenômeno que tem se repetido em diferentes países, baseado na dificuldade de governantes em transformar a vantagem de ocupar o cargo em apoio suficiente para conquistar um novo mandato. É o que a pesquisadora Cila Schumann, do Instituto Ideia, chama de “maldição do incumbente”.A expressão descreve o desgaste enfrentado por quem já está no poder, especialmente em um ambiente de forte polarização, expectativas elevadas e insatisfação com o custo de vida. Mesmo quando apresentam resultados positivos em determinadas áreas, governos encontram dificuldades para convencer a população de que suas condições de vida melhoraram.Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta sexta-feira (23), Cila afirmou que o fenômeno ajuda a compreender a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), marcada pelo equilíbrio nas pesquisas e pela resistência de parte do eleitorado à continuidade do atual governo.Leia tambémTaxas têm baixas leves com mercado mantendo vitória de Flávio sobre LulaExpectativa em torno da eleição deixou em segundo plano durante o dia o resultado do IPCA-15 de outubro e a alta dos rendimentos dos Treasuries no exteriorDívida de 100% do PIB: o risco fiscal que espera Lula ou Flávio em 2027Economista vê risco de deterioração das contas públicas e avalia que propostas de Lula e Flávio Bolsonaro ainda não enfrentam o crescimento das despesas obrigatórias“É uma eleição desde o início que eu chamo de uma eleição de oposição, com a maldição do incumbente, que é uma maldição que tem viajado por muitos países, por muitas eleições ultimamente”, afirmou.Segundo ela, o principal obstáculo de Lula foi não conseguir ampliar de maneira significativa sua aprovação durante a campanha.“Antigamente a gente sempre falava: o incumbente, como ele tem a caneta, como ele tem uma série de vantagens, vai crescendo a sua aprovação durante a campanha. Isso não aconteceu com o presidente Lula”, disse.Por que estar no poder deixou de ser uma vantagem?Tradicionalmente, presidentes que disputam a reeleição contam com vantagens importantes. Além da exposição proporcionada pelo cargo, podem apresentar realizações de governo, anunciar políticas públicas e recorrer à experiência administrativa como argumento para a continuidade.O problema, segundo Cila, é que essas vantagens perderam parte de sua capacidade de mobilização em sociedades profundamente divididas.O que Flávio poderia fazer com um Congresso mais à direita em 2027Quando um presidente é eleito por uma margem estreita, começa o mandato com uma parcela expressiva da população contrária à sua eleição. A dificuldade de conquistar esses eleitores ao longo dos quatro anos limita o crescimento de sua base política.“Como os presidentes têm sido eleitos por uma margem muito pequena de votos, eles têm dificuldade, durante o mandato, de falar com aquela metade que não aceita que ele seja o presidente. Então a gente não consegue mais voltar da polarização”, explicou.A pesquisadora avalia que Lula enfrentou esse problema ao longo do terceiro mandato, sem conseguir atrair uma parcela relevante dos eleitores identificados com Jair Bolsonaro.Na avaliação dela, a estabilidade da desaprovação ao governo durante a campanha tornou mais difícil transformar medidas administrativas e anúncios de benefícios em novos votos.The post Por que presidentes estão perdendo apoio? A “maldição” que desafia Lula appeared first on InfoMoney.
