A Legacy Capital se mantém pessimista com o Brasil e enxerga um país frágil no médio prazo, pressionado pela política fiscal e pelo risco de uma disparada do dólar. A leitura é tão dura que, segundo a gestora, não há espaço para operar direcional em nenhum mercado local. “Não dá para pular de cabeça em nada, a gente está muito dependente do externo, a cor local está horrorosa”, disse Gustavo Pessoa, responsável pela renda fixa da Legacy, em evento promovido pela Inter Asset nesta terça-feira (16). “O fim da guerra torna as coisas um pouco menos ruins, mas o cenário é bem complicado e se as políticas econômica e fiscal atuais continuarem no médio prazo, podemos ter patamares muito piores de país e de mercado”, avalia o gestor.O diagnóstico se apoia nas contas públicas e na inflação ainda pressionada. A Legacy projeta IPCA de 5% neste ano e de 4,7% no ano que vem, acima da projeção do Focus e que, segundo Pessoa, deve subir nas próximas semanas e complicar o Banco Central. Com a Selic alta, ele afirma que mesmo a NTN-B pagando 8% ao ano perde atratividade, já que o juro real da Selic está em torno de 9% e deve seguir assim por um bom tempo.A casa espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleja e mantenha as políticas fiscais baseadas no gasto público, um cenário que aumentaria a volatilidade dos mercados e pressionaria o câmbio. “A situação do Brasil é muito frágil, e se o real se depreciar muito, pode criar um ambiente muito perigoso”, diz. O receio, conta, é a tentativa de criar mais impostos ou mudar a política econômica. E cita o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que negou haver uma discussão sobre mudança na meta de inflação “hoje”. “Se for isso, se houver essa discussão sobre mudar a meta em algum momento, aí a saída é Guarulhos”, ironizou.Leia também: “CDI é o ativo mais arriscado”: Vista se posiciona antevendo descontrole da inflaçãoA casa também espera que o petróleo não retorne tão cedo aos US$ 60 o barril de antes da guerra, já que os países consumidores terão de repor estoques, o que tende a pressionar juros e crescimento global neste ano e no próximo. A leitura é de que o BC terá de manter a taxa acima de 14% por mais tempo, pressionando o crédito e as empresas que não se prepararam para juros tão altos.80% lá foraO pessimismo se reflete no portfólio. O multimercado mantém 80% do risco no exterior e, no Brasil, só posições táticas de curtíssimo prazo, reduzindo a exposição local, encurtando prazos e exigindo prêmios maiores. “Semana passada investimos em juros quando o pré bateu 14,87% e zeramos três dias depois, é assim que estamos atuando”, explica. O fundo não aposta na queda do real, dado o custo alto diante do juro local. No crédito, prioriza empresas menos alavancadas e capazes de repassar custos, como em infraestrutura. Lá fora, a aposta central são empresas de inteligência artificial nos EUA e em Taiwan e Coreia do Sul, com chips e memória, além dos efeitos macro do movimento, como a valorização dessas moedas.Os fundos da Legacy ficaram entre os melhores multimercados em maio. O Legacy Capital Master, com R$ 3,1 bilhões, subiu 1,64% no mês, acumula 4,53% em 2026 e 15,81% em 12 meses, e o Legacy Capital Alpha, de maior risco, rendeu 2,27% em maio, com volatilidade de 10,52% ao ano, ante 5,31% do Master.Leia também: BofA: Só 31% dos gestores espera Ibovespa acima dos 190 mil pontos em 2026Tenax pede seletividade na bolsaMenos pessimista com Brasil, a Tenax Capital defende que o investidor deve buscar empresas com bons fundamentos, não só o que caiu demais. Segundo o CEO, Alexandre Silvério, que participou do mesmo evento as companhias do fundo de ações da casa estão nos melhores níveis de retorno projetado para três anos desde 2024, na faixa de 28% ao ano. Entre as posições estão a Equatorial (EQTL3), que assumiu o controle de referência da Sabesp (SBSP3), e a Smart Fit (SMFT3). Ele vê a inflação ainda desancorada, com o IPCA caminhando para 5,9% neste ano mesmo com juro real altíssimo, entre 8,5% e 9%, e atribui o quadro a uma política fiscal descontrolada que torna o crescimento do PIB insustentável.Para a eleição, ele defende um portfólio equilibrado, com exportadores e empresas que repassam preços. “Vai ser uma eleição apertada, decidida nos detalhes, porque o país está dividido e não vamos saber quem vai ganhar até muito perto da eleição”, diz.The post “A cor local está horrorosa”: Legacy teme piora do Brasil pós-eleições appeared first on InfoMoney.
