O mercado de previdência representa hoje um volume de R$ 1,7 trilhão e a necessidade de inovação se torna constante para um segmento desta magnitude, sinaliza Samer Serhan, sócio e diretor de investimentos de Crédito Privado, Infraestrutura e Previdência da gestora JiveMauá. Enquanto os aguardados ajustes não chegam, gestores como ele buscam alternativas para “não deixar rendimentos no caminho”.Ele participou da Semana da Previdência, evento promovido pela XP, com a mediação de Clara Sodré, analista de fundos da corretora, e Leandro Bezerra, responsável por parcerias em fundos na mesma instituição. No encontro, o debate girou em torno de como os fundos de previdência privada — os chamados PGBLs e VGBLs — podem navegar por esse cenário turbulento sem abrir mão de retornos atrativos.Veja mais: Previdência privada pode evitar venda forçada de bens na herança; entendaE também: XP Asset destaca captação em fundo imobiliário e aproveita juros altos para alocarNesse ambiente de incerteza, a preferência da JiveMauá recai sobre dois tipos de ativos: os créditos estruturados e as debêntures de infraestrutura. A lógica é simples — esses instrumentos contam com garantias reais, têm preferência no recebimento em caso de problemas e geram fluxos de caixa previsíveis. Essas características os tornam mais resistentes do que os títulos de crédito convencional, que ficam mais expostos quando o cenário piora.Seguro de vida para idosos vale a pena? Veja quanto custa contratar após os 60 anosAposentados no Imposto de Renda: veja quando a declaração continua obrigatóriaMontar a operação já pensando no piorA filosofia da JiveMauá para estruturar seus investimentos em fundos de previdência parte de um princípio que pode soar pessimista, mas que Serhan defende como prudente: cada operação é montada como se a empresa tomadora do crédito fosse, inevitavelmente, dar errado. “A gente precifica os ativos assumindo que a empresa vai entrar em recuperação judicial, que vai pedir renegociação. E monta a estrutura de crédito de tal forma que, se isso acontecer, tenhamos a melhor recuperabilidade possível”, explicou o executivo.A estratégia, no entanto, não se limita a se proteger do pior. Quando a empresa vai além do esperado e supera as projeções, o ganho extra é repassado integralmente ao investidor. “Se a empresa entrega mais do que previu, a gente cobra um adicional que é repassado 100% para o cotista. Então, além do retorno tradicional — CDI mais 2%, 3%, 4% ao ano — existem prêmios adicionais que fazem a operação render CDI mais 3 ou mais 4”, detalhou Serhan.Esse modelo de gestão ganha ainda mais relevância diante das limitações que ainda existem para os fundos de previdência no Brasil. Hoje, PGBLs e VGBLs têm acesso restrito a uma categoria de ativos chamados de “alternativos” — como fundos de infraestrutura, crédito estruturado de maior complexidade e investimentos em participações. Em mercados mais maduros, como os da Ásia, Europa e América do Norte, os fundos de previdência já alocam entre 20% e 25% do patrimônio nesse tipo de ativo.Leia tambémDurigan: Solução para BRB terá empréstimo do FGC com fiança de sindicato de bancosMinistro disse que a União se comprometeu a flexibilizar critérios do plano de ajuste fiscal do DF, que atualmente limita operações de crédito do ente a R$ 900 milhõesO caminho natural da previdência brasileiraPara Serhan, é questão de tempo até que a regulação brasileira acompanhe essa tendência global e abra mais espaço para os fundos de previdência investirem em ativos alternativos. “Eu vejo isso caminhando naturalmente para avançar no previdenciário brasileiro. Mas enquanto isso não chega, tem muita coisa boa que já é possível fazer”, concluiu. A declaração resume bem o tom do debate: cautela diante dos riscos do presente, mas sem perder de vista as oportunidades que o mercado já oferece — para quem sabe onde e como procurá-las.The post A receita da JiveMauá para driblar restrições e elevar ganho em fundos de previdência appeared first on InfoMoney.
