Agência dos EUA aprova nova pílula que reduz colesterol em até 60%

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A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou nesta quinta-feira uma pílula de uso diário capaz de derrubar o colesterol a níveis bem mais baixos do que os alcançados com as estatinas, remédios amplamente usados e mais baratos no tratamento.O medicamento, chamado enlicitida e vendido com o nome comercial Lipfendra, é produzido pela farmacêutica Merck. Em estudos clínicos, ele mostrou capacidade de reduzir o LDL, o chamado “mau colesterol”, para 50, 60 ou até menos. Em geral, adultos que não usam remédios para colesterol têm níveis acima de 100. A droga age bloqueando uma proteína conhecida como PCSK9.Leia tambémVenda de remédios falsos para tratamento de câncer a pacientes é alvo de operaçãoInvestigação revelou que empresa comandada por enfermeira e estudante de Direito oferecia produtos sem qualquer eficácia terapêuticaNovas diretrizes da OMS: até 45% do risco de demência poderia ser prevenido ou adiadoDentre os riscos modificáveis, estão tabagismo, consumo de álcool e sedentarismoPelas novas recomendações da American Heart Association e do American College of Cardiology, pessoas com risco acima da média de infarto ou AVC devem manter o LDL abaixo de 70. No caso de pacientes de risco elevado — como quem já sofreu um infarto —, a meta é deixar o índice abaixo de 55.Segundo a Merck, o preço de tabela do Lipfendra será de US$ 315 por 30 dias de tratamento, e o remédio deve chegar ao mercado nas próximas semanas.Hoje já existem medicamentos injetáveis que atuam da mesma forma, mas eles custam mais caro, com preços de tabela entre US$ 500 e US$ 600 por mês, ou até acima disso. Além do custo, parte dos pacientes resiste ao uso de injeções, e as seguradoras nem sempre aceitam bancar o tratamento. Atualmente, apenas 1% dos 6 milhões de pacientes elegíveis usa essas drogas injetáveis. Ainda assim, os inibidores de PCSK9 já mostraram capacidade de reduzir em 20% o risco de infarto em pacientes de alto risco.Cardiologistas sem ligação com a Merck elogiaram tanto a aprovação da FDA quanto o preço do novo remédio. A aposta é que uma opção em comprimido, mais barata que as injeções e mais fácil de usar, ajude um número muito maior de pacientes a controlar o colesterol.“Estou empolgado”, disse o Dr. Christopher Cannon, cardiologista do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, que presta consultoria para várias farmacêuticas, mas não para a Merck.“Isso pode fazer uma grande diferença em relação ao custo dos inibidores injetáveis de PCSK9”, afirmou o Dr. David Maron, cardiologista preventivo de Stanford.Em novembro do ano passado, a Merck divulgou os resultados de um estudo clínico de 24 semanas com 2.912 pacientes. O Lipfendra reduziu o LDL em até 60% e não apresentou diferença de efeitos colaterais em relação ao placebo.Os resultados ficaram em linha com o que já havia sido observado nos medicamentos injetáveis.Nos estudos com essas drogas, o bloqueio da PCSK9 reduziu em 20% a incidência de infartos, AVCs e mortes por causas cardiovasculares em pacientes de alto risco. Agora, a Merck conduz uma pesquisa para verificar se o Lipfendra terá o mesmo efeito. O presidente da Merck Research Laboratories, Dean Li, disse acreditar que sim.Segundo Li, a ideia da empresa é tornar o controle do colesterol com o Lipfendra tão simples e prático quanto já é com as estatinas. Médicos generalistas poderão prescrever o remédio, sem necessidade de restringir o uso a cardiologistas. Ele também lembrou que pacientes com maior risco cardiovascular já estão acostumados a tomar comprimidos todos os dias — geralmente pelo menos um remédio para pressão, uma estatina e aspirina.Ainda não se sabe se as fabricantes dos inibidores injetáveis de PCSK9 vão cortar preços para competir com a nova pílula.c.2026 The New York Times CompanyThe post Agência dos EUA aprova nova pílula que reduz colesterol em até 60% appeared first on InfoMoney.

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