A nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), desta vez relacionada aos aportes bilionários do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, aprofundou dentro do PL a avaliação de que a candidatura de Castro ao Senado em 2026 se tornou politicamente inviável. Segundo interlocutores do partido ouvidos pelo GLOBO, dirigentes da legenda passaram a tratar como “muito difícil” a manutenção do ex-governador na chapa da direita no Rio após a sequência de investigações envolvendo seu entorno político e administrativo.A operação desta terça-feira, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, mira suspeitas de irregularidades em aplicações que somam cerca de R$ 3 bilhões feitas pelo Rioprevidência em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Além de Castro, foram alvo de buscas integrantes e ex-integrantes do fundo previdenciário estadual.Nos bastidores do PL, a leitura é que a nova ofensiva da PF agravou um quadro que já vinha produzindo desconforto interno desde a condenação de Castro à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da operação do início do mês que investigou suspeitas de fraude e ocultação patrimonial no setor de combustíveis envolvendo o grupo Refit.Leia tambémCelular de Vorcaro levou PF a Cláudio Castro em investigação sobre o MasterInvestigação aponta encontros entre ex-governador do Rio e fundador do Banco Master antes de aportes bilionários do RioprevidênciaDelator da Lava-Jato fez intermediação entre Castro e Vorcaro que levou a RioprevRicardo Siqueira Rodrigues é apontado pela PF como responsável por captar clientes, como o Rioprevidência, para comprar papéis do bancoEmbora o discurso público da legenda continue sendo de cautela e defesa do devido processo legal, integrantes da cúpula do partido afirmam reservadamente que a sucessão de investigações passou a contaminar diretamente a discussão eleitoral de 2026 no Rio. A avaliação de aliados de Flávio Bolsonaro é que a manutenção de Castro na chapa pode produzir insegurança jurídica e aumentar o risco de desgaste político para a campanha presidencial do senador.O tema deverá ser discutido com mais profundidade após o retorno de Flávio dos Estados Unidos, na quinta-feira. O senador é tratado dentro do PL como o principal responsável pela montagem da chapa da direita no Rio e terá a palavra final sobre uma eventual substituição.Entre os nomes que circulam internamente, o favorito hoje na cúpula do PL fluminense é o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que há meses se movimenta reservadamente para disputar o Senado e ganhou força após a nova operação contra Castro. Jordy afirmou que defende o avanço das investigações, mas evitou antecipar julgamentos.— Sempre defendi que as investigações devam transcorrer da melhor forma para que nós possamos chegar à verdade dos fatos e separar o joio do trigo, ver realmente quem se envolveu com essa fraude ou não — afirmou.Jordy também sinalizou disposição para entrar na disputa caso seja escolhido pelo partido.— Estou à disposição do partido para qualquer missão, para ajudar a eleger o nosso candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e também para a missão do Senado, que sempre foi a minha pauta: reestabelecer o equilíbrio entre os Poderes.Além de Jordy, outros nomes seguem sendo mencionados nas conversas internas do partido. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), continua citado por aliados por sua força junto ao eleitorado evangélico, embora interlocutores afirmem que ele demonstra pouca disposição para deixar a Câmara neste momento.Também aparece nas discussões o senador Carlos Portinho (PL-RJ), apesar de aliados lembrarem que ele já anunciou prioridade para disputar uma vaga na Câmara e hoje atua diretamente na coordenação da pré-campanha presidencial de Flávio.Outro nome monitorado pelo grupo político de Flávio é o do ex-chefe da Polícia Civil Felipe Curi. Integrantes do PL avaliam, porém, que uma eventual candidatura dependeria antes de uma definição do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), sobre a disputa ao governo estadual. Como Curi é filiado ao PP, integrantes da federação avaliam haver resistência política a concentrar as duas vagas majoritárias da chapa em partidos da mesma federação. Neste caso, Curi poderia concorrer se Canella desistisse.Apesar do avanço das conversas reservadas, dirigentes do PL ainda evitam admitir publicamente o abandono da candidatura de Castro. A avaliação interna, porém, é que a nova operação da PF tornou muito mais difícil sustentar eleitoralmente o projeto do ex-governador ao Senado e que uma decisão definitiva deve ser tomada agora em junhoThe post Aliados veem candidatura de Castro ao Senado como inviável após nova operação da PF appeared first on InfoMoney.
