Alívio com inflação X tensão com Ormuz: o que deve prevalecer para Ibovespa e dólar?

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O mercado brasileiro inicia a semana dividido entre duas forças. Na última sexta-feira, o IPCA de junho surpreendeu positivamente e fortaleceu a aposta de que o Banco Central terá espaço para seguir reduzindo a Selic nos próximos meses, o que animou a Bolsa brasileira, fazendo o Ibovespa superar os 177 mil pontos. Por outro lado, a volta das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz recolocou o petróleo e os riscos geopolíticos no centro das atenções dos investidores. A questão que domina as mesas de operação agora é qual desses vetores terá maior influência sobre Bolsa, dólar e juros nas próximas semanas.Na visão de Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, os dados de inflação divulgados na última semana foram suficientemente favoráveis para consolidar a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom.Segundo ele, a desaceleração dos preços de combustíveis e alimentos contribuiu para um resultado benigno tanto no índice cheio quanto nos núcleos de inflação. A principal dúvida do mercado, porém, não está mais na próxima decisão, mas na continuidade do ciclo de afrouxamento monetário a partir de setembro.“A manutenção desse ciclo dependerá essencialmente da evolução da política comercial internacional e da dinâmica dos preços das commodities energéticas”, afirma.Foi justamente essa combinação que ganhou relevância com a nova alta do petróleo após a deterioração do ambiente geopolítico no Oriente Médio. As preocupações giram em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.Na avaliação de Alvaro Maia, banker da StoneX, o mercado brasileiro está diante de uma disputa clara entre fundamentos domésticos e riscos externos.“O IPCA abaixo do esperado reforçou a percepção de que o Banco Central terá espaço para continuar o ciclo de cortes da Selic. Mas a escalada das tensões no Oriente Médio aumenta a incerteza global, impulsiona o petróleo e eleva a aversão ao risco”, afirma.Segundo ele, no curto prazo, o vetor externo pode prevalecer caso ocorram novos episódios de escalada militar ou interrupções relevantes no fluxo global de energia. Nesse cenário, o dólar, atualmente a R$ 5,13, encontraria suporte, a curva de juros interromperia parte do fechamento recente e o Ibovespa poderia passar por uma realização após os ganhos das últimas semanas. Apenas na semana passada, o benchmark da Bolsa brasileira subiu 2,18%. Também para Gustavo Assis, CEO da Asset, o risco vindo de Ormuz tem potencial para superar temporariamente o impacto positivo do IPCA, especialmente no câmbio e nos juros longos.“O dólar tende a ganhar força com a maior aversão global ao risco. Na curva de juros, os vencimentos curtos podem continuar refletindo a surpresa positiva do IPCA, enquanto os prazos longos incorporam o risco de petróleo mais caro, câmbio pressionado e menor espaço para cortes da Selic”, destaca.Leia tambémDólar forte está de volta? Como o mercado pode reagir – e quais ações devem ganharBofA e Genial apontam que a combinação de juros mais altos nos EUA, fluxo para tecnologia americana e incertezas domésticas favorece a moeda americana; exportadoras brasileiras aparecem entre as principais beneficiadasAssim, a curva pode continuar mostrando comportamentos distintos: a ponta curta acompanhando a melhora das perspectivas inflacionárias domésticas e os vencimentos mais longos exigindo prêmio adicional por conta dos riscos externos.Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a assimetria já começa a aparecer nos preços dos ativos.“A inflação abaixo do esperado fortalece a percepção de que o ciclo de desinflação segue avançando, mas a escalada das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz recoloca no radar um choque de oferta via petróleo que pode contaminar a inflação global e aumentar a aversão ao risco nos mercados emergentes”, afirma.Cabe destacar que, na sexta após a divulgação do IPCA, o Ibovespa ganhou força e encerrou o dia com alta de quase 3%. Contudo, já nesta segunda-feira (13), o índice registrava queda mais expressiva, de cerca de 1%, após o presidente Donald Trump afirmar que os Estados Unidos estavam restabelecendo o bloqueio naval ao Irã.Gatilhos para o índiceSegundo José Faria Jr., sócio da Wagner Investimentos, o rompimento da região dos 176,5 mil pontos representou um gatilho técnico importante para o índice, que agora pode continuar avançando. O fluxo estrangeiro, embora tenha mostrado desaceleração nas últimas semanas, ainda é visto como um elemento relevante para a sustentação do mercado brasileiro.A Ágora Investimentos também reforça essa visão ao destacar que o Ibovespa rompeu uma faixa de consolidação que durava 13 sessões. Caso supere a resistência dos 177.748 pontos, o próximo alvo técnico estaria próximo de 184.584 pontos, implicando potencial adicional de valorização de cerca de 3,5%.Do lado macroeconômico, Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, acredita que o ambiente continua favorável para a entrada de capital estrangeiro, desde que o petróleo não volte a disparar.Segundo ele, o alívio da inflação, combinado com dados recentes de atividade econômica mais resilientes, criou condições para uma nova rotação de recursos para mercados emergentes. Na sua visão, mesmo com a piora do conflito, o fluxo comprador pode continuar sustentando a Bolsa se o Brent permanecer próximo da faixa de US$ 80 por barril e sem uma ruptura mais severa na oferta global.André Matos, CEO da MA7 Negócios, avalia que o principal risco é justamente a velocidade com que um choque geopolítico pode contaminar as expectativas.“O dado de inflação foi uma boa notícia que não deve ser subestimada. Mas um real mais fraco pode encarecer importados e contaminar justamente as expectativas de inflação que acabaram de melhorar”, afirma.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta sustentar os 176 mil pontosBolsas dos EUA operam mistas, com escalada de tensões com o Irã no radarPara ele, o equilíbrio ainda favorece os ativos brasileiros enquanto o Estreito de Ormuz seguir operando normalmente e não houver interrupção relevante na oferta de petróleo. Caso a crise avance para um cenário de fechamento ou restrições mais duras ao fluxo de energia, o mercado passará rapidamente a exigir mais prêmio para permanecer exposto ao risco brasileiro.Assim, a visão majoritária é de que o alívio proporcionado pelo IPCA aumenta a probabilidade de um novo corte da Selic e melhora os fundamentos para Bolsa e juros domésticos. No entanto, no curtíssimo prazo, a geopolítica parece ter força suficiente para ditar os movimentos do mercado.Olhando para frente, os investidores devem ficar de olho nos próximos dados de inflação — que indicarão se o processo de desinflação permanece intacto — e a evolução das tensões em Ormuz. The post Alívio com inflação X tensão com Ormuz: o que deve prevalecer para Ibovespa e dólar? appeared first on InfoMoney.

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