Análise: Rússia mostra sinais de fraqueza na Ucrânia, e por isso intensifica ataques

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A demonstração de força que a Rússia lançou sobre a Ucrânia na madrugada de terça-feira, com centenas de drones e mísseis, não consegue esconder os crescentes sinais de fraqueza de Moscou na guerra que já dura quatro anos.O avanço russo na Ucrânia desacelerou quase até parar. A Rússia intensificou a mobilização forçada nos territórios ocupados do leste da Ucrânia, já que seus esforços de recrutamento interno não estão alcançando os resultados esperados. O descontentamento doméstico está aumentando, e a Europa está oferecendo novo apoio à Ucrânia. As negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos praticamente chegaram ao fim.Leia também: Economia da Rússia está muito pior do que parece, e elites estão alarmadasTudo isso representa uma perda de impulso para a Rússia, segundo analistas. Se essa tendência continuar, o país poderá se encontrar em desvantagem diplomática quando as negociações de cessar-fogo forem retomadas.“Embora os ataques com drones e os bombardeios continuem constantes, o desempenho de combate da Rússia está enfraquecendo”, escreveu nesta semana Jack Watling, pesquisador sênior do Royal United Services Institute, um centro de estudos de Londres, em uma análise publicada pela revista Foreign Affairs.Alguns analistas acreditam que os ataques mais intensos realizados recentemente pela Rússia são uma tentativa de recuperar vantagem em possíveis negociações de paz e de atrair a atenção do governo Trump, que passou a concentrar mais seu foco na guerra envolvendo o Irã do que no conflito na Ucrânia.Ainda assim, Watling afirmou que os ganhos obtidos pela Ucrânia no campo de batalha mudaram o rumo da guerra. “Em Kiev, há um crescente otimismo de que a Ucrânia pode enfrentar a Rússia até alcançar um cessar-fogo”, escreveu.Essa situação representa uma mudança radical em relação ao verão passado, quando o presidente russo, Vladimir Putin, estava tão confiante na vitória que viajou ao Alasca para uma reunião com o presidente Donald Trump sobre formas de encerrar a guerra. Hoje, é o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, quem pressiona por um fim rápido das hostilidades, ao mesmo tempo que reforça seu arsenal com mais armamentos europeus — incluindo um pacote militar de aproximadamente US$ 149 milhões da Finlândia e 16 caças Gripen da Suécia, ambos anunciados na última semana.Analistas da DeepState UA, uma plataforma de inteligência de código aberto, informaram nesta semana que as forças russas aparentemente perderam mais território em maio do que conquistaram. Foi o primeiro mês com saldo territorial negativo desde a contraofensiva ucraniana de 2023.Isso ocorreu apesar de um aumento de 37,5% no número de ataques lançados pelas forças russas.Estimativas recentes de autoridades ocidentais também indicam que a Rússia está sofrendo perdas devastadoras no campo de batalha. Na semana passada, a chefe do serviço de inteligência britânico, Anne Keast-Butler, afirmou que quase 500 mil soldados russos foram mortos desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.“Enquanto permanecemos firmes em nosso apoio à Ucrânia, Putin está retrocedendo no campo de batalha”, declarou Keast-Butler em um discurso em Londres.Em maio, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a Rússia está perdendo entre 15 mil e 20 mil soldados por mês. “Não feridos — mortos”, disse Rubio à Fox News. “É uma guerra terrível.”É por isso que Moscou está tentando recrutar mais soldados no leste da Ucrânia.Estudantes das regiões ocupadas de Luhansk e Donetsk tiveram suspensas suas dispensas temporárias do serviço militar, e as autoridades de ocupação russas recorreram ao registro obrigatório, operações de fiscalização e ameaças de punições legais para forçar ucranianos a ingressarem no Exército russo, segundo Maksym Beznosiuk, da Fundação Jamestown, grupo de pesquisa sediado em Washington.“A estratégia de mobilização do Kremlin nos territórios ocupados busca preencher a lacuna de pessoal causada pelas perdas catastróficas das Forças Armadas russas e remodelar o equilíbrio demográfico por meio da remoção de parte dos residentes ucranianos”, escreveu Beznosiuk, especialista em assuntos militares russos e nas relações entre a União Europeia e a Ucrânia, em uma análise publicada nesta semana.Na manhã de terça-feira, Zelensky classificou a ofensiva mais recente como “um ataque em larga escala e uma declaração completamente transparente da Rússia: se a Ucrânia não for protegida contra mísseis balísticos e outros tipos de mísseis, esses ataques continuarão”.Em entrevista à Fox News, Rubio reconheceu que os esforços dos Estados Unidos para negociar um acordo de paz na Ucrânia “perderam parte do impulso nos últimos meses, por vários motivos”.“Esperamos chegar em breve a um ponto em que ambas as partes retomem o diálogo”, afirmou Rubio. “Estamos preparados para desempenhar o papel de mediadores e ajudar a levar esse processo a uma conclusão.”Ele também disse que a Rússia pode ter se sentido recentemente “um pouco mais otimista” porque os lucros gerados pelos altos preços do petróleo, impulsionados pelo fechamento do Estreito de Ormuz, forneceram ao Kremlin um alívio econômico para continuar sustentando o esforço de guerra.Mesmo assim, Rubio afirmou que “os ucranianos estão cada vez mais confiantes em sua posição no campo de batalha”.c.2026 The New York Times CompanyThe post Análise: Rússia mostra sinais de fraqueza na Ucrânia, e por isso intensifica ataques appeared first on InfoMoney.

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