Após crescer seis vezes, gigante das feiras de negócios parte para M&As

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A NürnbergMesse Brasil (NMB), filial brasileira de empresa alemã, que produz o Catarina Aviation Show em parceria com a JHSF, entrou em uma nova fase. Depois de multiplicar o faturamento em 6,6 vezes entre 2016 e 2026 e levar a operação ao top 3 das promotoras de feiras do país, a companhia abriu uma agenda de aquisições. A primeira compra foi um evento de iluminação e, segundo o executivo, há dois novos negócios para anunciar nos próximos três meses. Em diligência, a empresa prepara uma transação “na ordem de R$ 70 milhões” que, nas contas da gestão, deve adicionar 15% ao faturamento já em 2027.Esse olhar de crescimento inorgânico passa a ser uma agenda também da NMB. “Gostamos do orgânico, mas por que não olhar para oportunidades que fazem sentido e fazer investimentos”, disse o CEO, João Paulo Picolo, que também ocupa o papel de vice-presidente da UBRAFE, a União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios.A guinada vem depois de uma década de expansão orgânica. Desde 2016, quando o atual CEO assumiu, a NMB saiu do sétimo/oitavo lugar para o top 3 do mercado brasileiro, alternando entre a segunda e a terceira posição conforme o ciclo dos eventos. O portfólio evoluiu de 7 feiras para 18 eventos previstos em 2026. O público somado passou de 49 mil para mais de 200 mil pessoas e a base de expositores — principal fonte de receita — de 600 para quase 1.800 em 2026. Já a equipe cresceu de 36 para 84 funcionários.Os números traduzem a transformação. “Conseguimos crescer o faturamento quase sete vezes, de 2016 para 2026”, afirmou o CEO. Pelos dados apresentados, a receita passou de R$ 25 milhões para R$ 165 milhões no período, uma multiplicação de 6,6 vezes. Em resultado, o salto foi “mais de 15 vezes o que apresentávamos em 2016”, diz o executivo. Ele sustenta que esse desempenho foi obtido sem aquisições — até a mudança de rota com o primeiro deal no segmento de iluminação e um pipeline ativo de novos movimentos.Leia também: De 3 caminhões aos R$ 2 bi: como nasceu a maior transportadora de grãos do mundoA agenda inorgânica, porém, traz desafios. “Como liderança da filial de uma empresa alemã, eu fico entre esses dois mundos: entre a informalidade brasileira com a formalidade germânica”, disse, ao relatar renegociações na due diligence. Mesmo assim, a ambição é clara: “A gente vai crescer mais 15%. Só com aquisição”, projetou para 2027.No curto prazo, a operação enxerga um ambiente comercial “mais brigado” e uma “insegurança jurídica” que alonga decisões de investimento dos clientes. Apesar disso, o ano que vem deve ser de recordes. Isso acontece também por uma questão sazonal: o ciclo de projetos favorece os anos ímpares. “O ano 2025 foi o melhor da história da operação no país”, disse o executivo, e 2027 deve repetir — e superar — o desempenho, impulsionado por contratos já firmados e pela aquisição em avaliação. Por conta da sazonalidade de eventos bienais, a NMB compara anos pares com pares e ímpares com ímpares. PandemiaA travessia da pandemia foi um divisor de águas para a companhia. “Fomos proibidos de fazer o que nos propomos a executar, que são as feiras. Ficamos dois anos sem faturar um real”, recordou. Segundo ele, a empresa não recorreu à matriz para aporte; administrou caixa com redução de custos, mudança de escritório e ajustes pontuais de equipe. “Tivemos algum tipo de ajuste, mas nada que passasse de 5, 10 pessoas na época.” A retomada veio no fim de 2021. Segundo o executivo, a NMB foi “a única empresa de fora do país a fazer feira no Brasil” naquele momento, ao deslocar eventos de junho/agosto para dezembro. “Ninguém aguentava mais ficar na tela do computador. Quando criamos um ambiente seguro, foi um grande sucesso”, relembra.Leia também: Porsche se prepara para era de vendas mais baixas e busca saída no segmento de luxoPresença no BrasilNo Brasil, a companhia concentra 100% de suas feiras em São Paulo. A leitura é que a infraestrutura, logística e proximidade com os compradores tornaram a capital o polo. “São Paulo é a capital dos grandes eventos no país”, resumiu. Ele evita o termo “esvaziamento” de outras praças, mas admite migrações, como a BF Show, que nasceu em Porto Alegre e hoje ocorre em São Paulo. A subsidiária atua em mais de 20 setores, com cerca de 90% dos títulos próprios e 10% a 15% de gestão de terceiros — caso da Abrafate, da indústria de tintas. O modelo combina cinco frentes: vendas, marketing, operações, gestão financeira e conteúdo.No portfólio, a empresa conta o Catarina Aviation Show, em parceria com a JHSF, e feiras do mercado de construção, life sciences e do mercado pet. Além do foco doméstico, a NMB testa formatos menores na América Latina. “Já fizemos algumas iniciativas, uma na Colômbia e uma no Chile. Ainda é muito cedo para saber se isso vai ser uma grande feira, mas é um formato diferente que estamos testando.” A ambição, diz, é ser a melhor em qualidade de entrega e serviço — e em retorno para quem investe.No plano global, o grupo NürnbergMesse tem cerca de 30% do faturamento vindo de negócios internacionais e o grupo fica “entre a 13ª, 14ª” maior de feiras do mundo e como a “3ª ou 4ª” na Alemanha. No Brasil, a operação é a maior subsidiária fora da Alemanha e também controla a Iria, focada em congressos, com cerca de 20 eventos por ano, sobretudo em construção e infraestrutura.The post Após crescer seis vezes, gigante das feiras de negócios parte para M&As appeared first on InfoMoney.

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