O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos anunciem, na próxima sexta-feira (24), uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida seria resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o combate ao trabalho forçado e abriria uma segunda frente de pressão sobre as exportações nacionais, poucos dias depois da entrada em vigor da tarifa de 25% aplicada a parte dos embarques brasileiros.A principal incerteza em Brasília não é mais se a cobrança será anunciada, mas como ela será aplicada. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aguarda uma definição do governo Donald Trump para saber se a nova sobretaxa será cumulativa à de 25% ou se substituirá outros tributos já existentes.“Os 12,5% provavelmente serão anunciados na sexta-feira. Nós estamos na expectativa de saber se eles serão cumulativos com os 25% ou não”, afirmou o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa. Segundo ele, somente após a decisão americana será possível avaliar o novo cenário para o comércio bilateral.O governo também considera que as chances de reverter essa segunda investigação são menores do que as existentes no caso da tarifa de 25%, anunciada na semana passada. Integrantes do Planalto avaliam que o processo sobre trabalho forçado tem alcance global e envolve dezenas de países, o que reduz o espaço para uma negociação voltada especificamente ao Brasil.Leia tambémAs opções do governo Lula para responder ao tarifaço dos Estados UnidosGoverno evita falar em retaliação imediata, prepara medidas de apoio aos exportadores e mantém negociação aberta com WashingtonInvestigação envolve cerca de 60 paísesA nova medida faz parte de uma investigação conduzida pelo USTR sobre importações de produtos fabricados com trabalho forçado.Nesta terça-feira (21), o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, confirmou que o governo americano divulgará novas tarifas para aproximadamente 60 países.O Brasil aparece entre as nações investigadas porque, segundo o relatório preliminar do órgão, importa mercadorias de países que não adotariam padrões trabalhistas equivalentes aos americanos. Na avaliação do USTR, isso permitiria que produtos chegassem ao mercado brasileiro a preços menores, criando uma concorrência considerada desleal para empresas dos Estados Unidos.O documento também aponta que o Brasil não aplica de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado e cita cinco grupos de produtos relacionados ao país entre 2021 e 2025: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.Além do Brasil, outras 53 economias poderão ser submetidas à tarifa de 12,5%. Já Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e União Europeia receberam proposta de sobretaxa de 10%, por possuírem mecanismos mais amplos de restrição à importação desses produtos, segundo a avaliação americana.Substituir tarifa derrubadaNa avaliação do governo brasileiro, a nova cobrança também serviria para substituir a tarifa de 10% aplicada anteriormente pelos Estados Unidos e derrubada pela Suprema Corte americana.Como essa cobrança perde validade nesta semana por determinação judicial, integrantes do Executivo entendem que a tarifa de 12,5% funcionaria como um novo instrumento para manter a pressão comercial sobre os países investigados.“O que vamos descobrir na sexta-feira é se teremos 25% mais 12,5% ou se haverá substituição”, afirmou Márcio Elias Rosa em entrevista coletiva na semana passada.Etapa considerada encerradaO secretário-executivo do MDIC afirmou que temas discutidos durante a investigação que resultou na tarifa de 25% deixaram de fazer parte das negociações com Washington.Segundo ele, assuntos como etanol, açúcar e acordos tarifários firmados pelo Brasil com Índia e México já foram decididos pelo governo americano.“Os nossos argumentos, infelizmente, não foram acolhidos e eles usaram esses argumentos de maneira errada, equivocada e injusta para tomar a decisão”, disse.A tarifa de 25% foi baseada em uma investigação conduzida pelo USTR com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão alegou práticas comerciais consideradas prejudiciais às empresas americanas e analisou temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos Pix.Diversificação de mercadosEnquanto aguarda a decisão americana, o governo prepara medidas para reduzir os impactos sobre os setores exportadores e ampliar mercados para produtos brasileiros.O vice-presidente Geraldo Alckmin voltou a defender o sistema multilateral de comércio e afirmou que acordos de preferência tarifária são instrumentos utilizados por diversos países, inclusive pelos Estados Unidos.Já Márcio Elias Rosa disse que o governo pretende intensificar a busca por novos parceiros comerciais e confirmou uma missão oficial à Índia nas próximas semanas.“A negociação é possível, vai ser retomada, mas nós temos que trabalhar para diversificar mercados”, afirmou.O governo também continua avaliando propostas apresentadas pelo setor produtivo, como mudanças em mecanismos de incentivo às exportações, entre eles o drawback e o Reintegra, além de pedidos para flexibilizar exigências ligadas à manutenção de empregos em empresas eventualmente beneficiadas por programas de apoio. Segundo o MDIC, nenhuma dessas medidas foi definida até o momento.The post Após tarifa de 25%, governo já trabalha com nova sobretaxa dos EUA nesta sexta appeared first on InfoMoney.
