Aquela reunião que você odeia pode estar evitando que a IA roube seu emprego

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Dan Sirk é um chamado executivo fracionado — ou seja, ele trabalha como diretor de marketing não apenas para uma empresa, mas para duas. Ao mesmo tempo.É um malabarismo que se tornou muito mais administrável com ferramentas de inteligência artificial como Claude, Gemini e ChatGPT.Leia também: Meta desenvolve assistente de IA “agente” para tarefas do dia a diaAntes, Sirk levava de três a seis meses, ou mais, para criar um site personalizado com uma equipe de contratados. Agora, leva cerca de um mês, e ele consegue fazer sozinho. Elaborar uma estratégia de comunicação levava uma semana. Quando conversei com ele em março, ele havia acabado de concluir essa tarefa em menos de oito horas. Graças, em parte, a esses ganhos de eficiência, Sirk planeja se tornar diretor de marketing de uma terceira empresa nos próximos meses.Ainda assim, quando perguntei se eu deveria extrapolar as tendências recentes e supor que ele adicionaria ainda mais empresas à sua carteira nos próximos anos, ele me olhou como se eu fosse maluco. Insistiu que três era o limite máximo do que conseguiria administrar, mesmo com a ajuda da IA.“Ainda existem relações humanas”, protestou. Ou, de forma mais direta: existem reuniões.Sirk estima que já participa de 10 reuniões em uma semana típica entre as duas empresas. Há uma reunião recorrente com cada equipe de executivos seniores, sem mencionar encontros individuais regulares com cada diretor-presidente. Há uma reunião com seu subordinado direto e outra com o chefe de vendas de uma das empresas. E há reuniões sobre projetos específicos, como uma apresentação futura para investidores de uma das companhias.Ingressar em uma terceira empresa provavelmente aumentará o volume de reuniões em 50%. Se ele se tornasse diretor de marketing de mais uma além disso, disse Sirk, passaria praticamente toda a semana de trabalho em reuniões.A experiência de Sirk, embora talvez extrema, reflete o impacto mais amplo da IA no ambiente de trabalho: ela está acelerando enormemente muitas das tarefas realizadas por profissionais de escritório e até substituindo algumas delas por completo. O que ainda não consegue automatizar — pelo menos por enquanto — são as exigências estruturais da burocracia.Com a ajuda da IA, profissionais podem gerar muito mais memorandos ou opções estratégicas do que antes e produzir mais protótipos de produtos ou funcionalidades de software. Mas algum executivo ainda precisa decidir qual opção aprovar. Trabalhadores podem criar muito mais propostas de vendas, mas ainda precisam convencer os clientes a fechar negócio.À medida que a IA torna a produção do trabalho intelectual cada vez mais eficiente, o trabalho de apresentar, debater, negociar, fazer lobby, pressionar, tranquilizar ou simplesmente vender esse trabalho parece ganhar importância. E a necessidade dessas tarefas humanas, por vezes confusas, pode limitar o número de pessoas que a IA substituirá.“Essas sempre foram habilidades importantes”, disse David Deming, economista e reitor da Harvard College. “Mas, à medida que o ambiente de informação fica mais saturado, a capacidade de contar uma história a partir disso — pegar uma enorme quantidade de texto e transformá-la em algo que as pessoas queiram — torna-se mais valiosa.”Você consegue persuadir seus colegas?A ideia de que a automação aumenta a importância das interações pessoais não é totalmente nova. Um estudo de 2017 de Deming constatou que, à medida que os computadores se tornaram mais poderosos, uma parcela crescente dos empregos passou a exigir intensa interação social, enquanto uma parcela menor passou a exigir muito conhecimento matemático, mas pouca interação social — como certas funções de engenharia.Ao automatizar tarefas técnicas, os computadores estavam, na prática, empurrando as pessoas para empregos que valorizavam habilidades sociais, observou Deming. Isso não significava que pessoas emocionalmente habilidosas fossem automaticamente as mais bem-sucedidas — quem se saía melhor tendia a combinar habilidades sociais com conhecimento técnico —, mas alterava o que os empregadores valorizavam.Em entrevistas, profissionais de diversas ocupações de escritório disseram que a IA intensificou esse padrão. Muitos preferiram não se identificar por receio de desagradar seus empregadores.Um cientista de dados de uma empresa de software disse que ele e seus colegas costumavam precisar escrever código para cada nova funcionalidade ou melhoria que queriam avaliar. Agora, eles apenas têm a ideia, e a IA escreve o código e executa a análise.O processo seletivo da empresa, que antes era dominado por perguntas sobre programação e favorecia perfis mais introvertidos, agora se concentra em avaliar se os candidatos conseguem identificar boas ideias e demonstram capacidade de persuadir colegas a apoiá-las, disse ele.Mark Ozaki, diretor da KPMG, disse que a consultoria tradicionalmente incentivava consultores mais jovens a se especializarem em uma área temática, como legislação tributária, ou em uma área técnica, como programação. Mas a IA está desvalorizando esse tipo de especialização e aumentando o valor de generalistas que tomam iniciativa e se destacam no cultivo de relações com clientes, afirmou.Ozaki, que supervisiona uma equipe que desenvolve uma plataforma de sustentabilidade baseada em IA chamada Sustainlit.com, disse que, no passado, sua equipe às vezes ficava dependente de programadores altamente qualificados.Agora, consegue usar IA para fazer a maior parte da programação e precisa principalmente de pessoas “com o telefone colado na orelha, que sejam amigas de todo mundo, que estejam sempre em movimento”.Adeus, programadores; olá, sucesso do clienteCory Crosland, diretor-presidente da PolicyFly, que vende software que ajuda seguradoras a emitir apólices, disse que a IA reduziu tanto o tempo necessário para configurar o software para novos clientes quanto o número de funcionários necessários para isso.A mudança permitiu que a empresa cobrasse muito menos antecipadamente, o que parece estar aumentando a demanda por seus serviços. Para acompanhar, a PolicyFly cresceu de 20 para 28 funcionários nos últimos seis meses, e apenas dois dos novos contratados são engenheiros de software. Vários são funcionários mais jovens que ajudam a integrar clientes ou trabalham com sucesso do cliente, ajudando-os a extrair mais valor do software.Ainda assim, Crosland disse não acreditar que conseguirá automatizar muito mais o processo, pelo menos no futuro próximo. O motivo? Seus clientes querem interagir com um ser humano.Os clientes querem que a PolicyFly lhes dê segurança de que o software funcionará em diferentes situações e que configuraram corretamente a cobrança ou estão fazendo o rateio das apólices de forma adequada.E, claro, há as reuniões para acertar tudo isso — muitas, muitas reuniões. “Nas empresas maiores, temos várias pessoas interessadas opinando a partir de diferentes departamentos”, disse Crosland. “É ainda mais difícil chegar a um acordo e alinhar tudo.”c.2026 The New York Times CompanyThe post Aquela reunião que você odeia pode estar evitando que a IA roube seu emprego appeared first on InfoMoney.

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