Um lucro milionário ou bilionário nem sempre é suficiente para fazer uma ação subir. Da mesma forma, um prejuízo pode não impedir uma forte alta na Bolsa. Na temporada de balanços, além dos números apresentados pelas companhias, um elemento importante para entender a reação dos investidores está na comparação entre o que foi entregue e aquilo que o mercado esperava.Essa diferença entre expectativa e realidade ajuda a explicar parte dos movimentos expressivos registrados na B3 ao longo da temporada de resultados do segundo trimestre de 2026, que chega ao fim nesta semana.De um lado, Alpargatas (ALPA4) avançou 10,36% após divulgar seus números, enquanto Fleury (FLRY3) fechou com ganhos de 9,73%. A Embraer (EMBJ3), por sua vez, chegou a disparar cerca de 9% após a divulgação do resultado, superando a marca dos R$ 100 logo após a abertura, mas reduziu os ganhos ao longo do pregão e encerrou a sessão com alta de 2,3%.Na direção oposta, a temporada também trouxe quedas expressivas: Marcopolo (POMO4) recuou 10,43%, Usiminas (USIM5) caiu 9,25% e Lojas Renner (LREN3) perdeu 8,09%.Movimentos tão distintos mostram por que a leitura de um balanço não se resume à existência de lucro ou prejuízo. A comparação dos números apresentados com as expectativas que antecederam a divulgação também pode ter peso importante na reação das ações.Leia tambémMRV (MRVE3): por que as ações saltam mais de 10% mesmo com prejuízo de R$ 626 mi?Apesar do efeito negativo de baixas contábeis ligadas à venda de ativos da subsidiária americana, analistas destacaram que a operação brasileira segue apresentando evolução operacional, com melhora consistente de margens e geração de caixaBanco do Brasil: lucro supera projeções, mas por que mercado não se animou com 2T?Lucro ajustado de R$ 3,9 bilhões superou as estimativas, mas avanço da inadimplência em pessoas físicas e pressão sobre o capital mantiveram tom cauteloso entre analistasExpectativa ajuda a explicar o pós-balançoPara André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, a comparação entre aquilo que o mercado projetava e o que a companhia efetivamente entregou é um dos pontos centrais para entender a reação das ações após a divulgação dos balanços.“Tudo tem a ver com expectativa e realidade. O número pouco importa”, resume Moraes.Antes da divulgação dos resultados, analistas de diferentes instituições estimam quanto uma empresa deve lucrar ou perder no período. Essas projeções formam uma referência para o mercado e permitem comparar os números efetivamente apresentados com as expectativas que existiam antes da publicação do balanço.Assim, uma empresa pode registrar lucro bilionário e, ainda assim, ver suas ações caírem caso o resultado fique abaixo do consenso. O número permanece positivo, mas pode frustrar investidores que esperavam um desempenho melhor.“Não é que o balanço foi ruim, é que ele veio abaixo da expectativa. A realidade é pior do que a expectativa”, explica Moraes.O raciocínio também pode funcionar na direção contrária. Uma companhia pode divulgar prejuízo e, mesmo assim, ter uma reação positiva na Bolsa caso a perda seja menor do que aquela projetada pelos analistas.“Então quando que a ação sobe pós-balanço? Quando a realidade é melhor do que a expectativa, não importa se é lucro ou prejuízo”, afirma.Por isso, a comparação com as expectativas é uma das informações relevantes na leitura dos resultados. Além de observar o valor absoluto do lucro ou do prejuízo, o investidor pode avaliar o que o mercado projetava antes da divulgação e como os números efetivamente apresentados se posicionaram diante dessas estimativas.“Não é tamanho de lucro, é qual é que era a expectativa do lucro ou até mesmo do prejuízo”, conclui Moraes.Temporada de balanços Para ilustrar o cenário, o InfoMoney separou seis ações que se destacaram ao longo da safra de resultados e traz o cenário técnico de preços, avaliando o desempenho pré e pós resultados. A seguir, confira as análises técnicas de Fleury, Embraer, Alpargatas, Marcopolo, Lojas Renner e Usiminas, com os principais suportes e resistências após a divulgação dos respectivos balanços.Fleury (FLRY3)Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo PazA Fleury já apresentava tendência de alta antes do balanço e ganhou força após a divulgação dos resultados, em 6 de agosto. Na sessão seguinte, FLRY3 avançou 9,73% e posteriormente alcançou R$ 19,37.Após o salto, o papel entrou em realização e recuou para R$ 18,14, mas continua acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, preservando a tendência positiva. O IFR (14), em 69,93 pontos, está próximo da sobrecompra, o que mantém o risco de novas correções no curto prazo.Para retomar a alta, FLRY3 precisa superar R$ 19,37. O rompimento poderá abrir caminho para R$ 20,03, R$ 20,56 e R$ 21,00. Já a perda de R$ 17,88 ampliará o movimento corretivo, com próximo suporte em R$ 16,42.Suportes: R$ 17,88; R$ 16,42; R$ 15,60; R$ 15,04; R$ 14,40.Resistências: R$ 19,37; R$ 20,03; R$ 20,56; R$ 21,00; R$ 22,65.Embraer (EMBJ3)Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo PazA Embraer já apresentava tendência de alta antes do balanço, divulgado em 10 de agosto, antes da abertura. Após o resultado, EMBJ3 avançou 2,31% e superou os R$ 100, alcançando R$ 101,22 em uma sessão de forte oscilação.Desde a máxima, o papel recuou para R$ 95,89, mas continua acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, preservando a estrutura positiva. O IFR (14), em 69,45 pontos, está próximo da sobrecompra, indicando possibilidade de novas realizações no curto prazo.Para retomar a alta, EMBJ3 precisa superar R$ 101,22 e a máxima histórica de R$ 105,17. Acima desse patamar, os alvos projetados ficam em R$ 107,65, R$ 114,40 e R$ 120,00. Já a perda de R$ 91,17 poderá ampliar a correção em direção a R$ 84,40.Suportes: R$ 91,17; R$ 84,40; R$ 80,35; R$ 75,00; R$ 68,85.Resistências: R$ 101,22; R$ 105,17; R$ 107,65; R$ 114,40; R$ 120,00.Alpargatas (ALPA4)Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo PazA Alpargatas já negociava lateralmente, dentro de uma formação de alargamento, antes do balanço divulgado em 6 de agosto, após o fechamento. Na sessão seguinte, ALPA4 avançou 10,36% e alcançou R$ 14,03.Após o salto, o papel entrou em realização e recuou para R$ 12,84, mas continua acima das médias móveis de 9 e 21 períodos. O IFR (14), em 58,18 pontos, permanece na zona neutra, sem indicar sobrecompra ou sobrevenda.Para ganhar força, ALPA4 precisa superar R$ 14,03. O rompimento poderá abrir caminho para R$ 15,48 e R$ 16,22. Já a perda da região das médias e do suporte em R$ 12,15 poderá aprofundar a correção em direção a R$ 10,80.Suportes: R$ 12,15; R$ 10,80; R$ 9,50; R$ 8,65; R$ 7,85.Resistências: R$ 14,03; R$ 15,48; R$ 16,22.Confira nossas análises:Banco do Brasil (BBAS3) antes do balanço: como chega o preço da ação?Ibovespa pode cair mais? Onde está o fundo da BolsaB3SA3: Como chega o preço da ação da B3 antes do balanço?Ações que caíram após os balançosMarcopolo (POMO4)Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo PazA Marcopolo já apresentava forte tendência de baixa antes do balanço, divulgado em 3 de agosto, após o fechamento. Na sessão seguinte, POMO4 recuou 10,43%, ampliando a pressão vendedora.Atualmente cotado a R$ 4,28, o papel permanece afastado abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos. O IFR (14), em 19,70 pontos, está em região de sobrevenda, condição que pode favorecer um repique técnico, embora ainda não haja sinal de reversão.Para iniciar uma recuperação, POMO4 precisa superar R$ 4,62, com possíveis alvos em R$ 5,00 e R$ 5,42. Já a perda de R$ 4,23 reforçará a tendência de baixa e poderá levar o ativo a R$ 4,02, R$ 3,85 e R$ 3,50.Suportes: R$ 4,23; R$ 4,02; R$ 3,85; R$ 3,50.Resistências: R$ 4,62; R$ 5,00; R$ 5,42; R$ 5,86; R$ 6,09.Lojas Renner (LREN3)Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo PazA Lojas Renner já apresentava enfraquecimento antes do balanço, divulgado em 6 de agosto, após o fechamento. Na sessão seguinte, LREN3 recuou 8,09%, ampliando a pressão vendedora.Atualmente cotado a R$ 11,68, o papel permanece afastado abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos. O IFR (14), em 26,52 pontos, está em região de sobrevenda, condição que pode favorecer um repique técnico, embora ainda não haja sinal de recuperação.Para iniciar uma reação, LREN3 precisa superar R$ 12,68, com possíveis alvos em R$ 13,12 e R$ 14,25. Já a perda de R$ 11,43 reforçará o movimento de baixa e poderá levar o ativo a R$ 11,08, R$ 10,04 e R$ 9,45.Suportes: R$ 11,43; R$ 11,08; R$ 10,04; R$ 9,45; R$ 8,45.Resistências: R$ 12,68; R$ 13,12; R$ 14,25; R$ 15,22; R$ 15,84.Usiminas (USIM5)Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo PazA Usiminas já apresentava tendência de baixa antes do balanço, após iniciar uma correção a partir da resistência de R$ 12,18. O resultado foi divulgado em 30 de julho, antes da abertura, e USIM5 recuou 9,25% na sessão.Atualmente cotado a R$ 6,51, o papel permanece afastado abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos. O IFR (14), em 23,35 pontos, está em região de sobrevenda, o que pode favorecer um repique técnico, embora ainda não haja sinal de reversão.Para iniciar uma recuperação, USIM5 precisa superar R$ 7,26, com possíveis alvos em R$ 7,82 e R$ 8,89. Já a perda de R$ 6,08 reforçará a tendência de baixa e poderá levar o ativo a R$ 5,59, R$ 5,05 e R$ 4,56.Suportes: R$ 6,08; R$ 5,59; R$ 5,05; R$ 4,56; R$ 4,21.Resistências: R$ 7,26; R$ 7,82; R$ 8,89; R$ 10,72; R$ 12,18.(Rodrigo Paz é analista técnico)Guias de análise técnica:O que é uma linha de tendência na análise gráfica?O que são médias móveis e como usá-la para estratégia de TradeBandas de Bollinger: como usar e interpretar?Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Balanços surpreendem ou decepcionam: 6 ações que dispararam ou tombaram no 2º tri appeared first on InfoMoney.
