Bancos reforçam aposta em construtoras de baixa renda após resultados do 1T26

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Após os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), os bancos seguem vendo as construtoras de baixa renda como as principais vencedoras do atual ciclo, sustentadas pelo MCMV, maior resiliência operacional e valuations considerados atrativos, enquanto empresas expostas à média e alta renda ainda enfrentam revisões mais pressionadas.Leia tambémSão Martinho (SMTO3) cai mais de 2% mesmo com crescimento do lucro no 4T26São Martinho lucra R$ 172,9 milhões no 4T26, alta anual de 64,6%Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai na contramão do exterior e tenta manter os 176 milBolsas dos EUA avançam juntas com foco em possível acordo com o Irã No caso do Goldman Sachs, as principais mudanças envolveram a Cyrela (CYRE3), para a qual o banco reduziu em 9% as estimativas de lucro líquido e o preço-alvo, para R$ 31 por ação, e a Tenda (TEND3), cuja projeção de lucro foi elevada em 15%, com aumento de 9% no preço-alvo, para R$ 37 por ação.Apesar das revisões, o Goldman manteve recomendação de compra para a Cyrela, destacando expectativa de retorno sobre patrimônio (ROE) próximo de 20% em 2027. O banco segue com visão positiva para a maior parte de sua cobertura no setor, incluindo Tenda, Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) no segmento de baixa renda, além da Cyrela em média e alta renda.Para as construtoras de baixa renda, o Goldman vê valuations atrativos e capacidade de repassar parte da inflação dos custos de construção por meio de orçamento e poder de precificação. O Goldman, no entanto, permanece cauteloso com MRV (MRVE3).Cyrela (CYRE3)O Goldman reduziu a estimativa de lucro líquido para 2026 em 14%, para R$ 1,7 bilhão, ante R$ 1,9 bilhão anteriormente. A projeção de retorno sobre patrimônio líquido (ROE) para 2026 passou para 16%, embora espere 19% em 2027.O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Cyrela, com preço-alvo de 12 meses de R$ 31 por ação, reduzido de R$ 34. A avaliação é baseada no NAV (valor líquido dos ativos) projetado para o 1T27, utilizando WACC (custo médio ponderado de capital) de 18%. Os principais riscos de baixa incluem aumento relevante nos cancelamentos, enfraquecimento da economia com pressão sobre margens e uma desaceleração mais forte e prolongada nas vendas.Já o Itaú BBA avalia que Cyrela é “barata demais para ignorar” e reitera recomendação de compra, com preço-alvo reduzido de R$ 37 para R$ 33, o que representa potencial de valorização de 45%.O banco espera melhora nos resultados a partir do 2T26 e, após revisar suas projeções para 2026, mantém expectativa de lucro líquido próximo de R$ 1,9 bilhão, o que implicaria retorno sobre patrimônio (ROE) de 17%. Atualmente, a ação negocia a apenas 0,8 vez o valor patrimonial tangível projetado para o fim de 2026 (P/TBV).A tese de investimento do BBA segue baseada na estratégia “barbell” da companhia, combinando atuação em diferentes segmentos de renda. A crescente exposição ao mercado de baixa renda por meio da Vivaz deve continuar sustentando a performance operacional e a resiliência dos resultados. A subsidiária de baixa renda deve responder por cerca de 40% dos lançamentos da companhia em 2026 e entre 20% e 25% do lucro.O Bradesco BBI, por sua vez, avalia que a Cyrela segue como a principal beneficiária de uma eventual melhora do cenário macroeconômico, mas vê limitações no curto prazo devido ao crescimento mais fraco dos lucros e revisões negativas para o lucro por ação.O banco destaca que a ação negocia próxima de mínimas históricas de valuation, o que sustenta uma visão construtiva, embora prefira empresas de baixa renda, como Cury, Direcional e Tenda, diante da maior resiliência operacional e dos elevados dividend yields.Após o 1T26, o BBI reduziu sua projeção de lucro líquido da Cyrela para 2026 para R$ 1,8 bilhão e cortou o preço-alvo de R$ 41 para R$ 36 por ação, mantendo recomendação de compra.Direcional (DIRR3)O Goldman reduziu ligeiramente as projeções de receita para a Direcional após resultados do 1T26 ficarem 5% abaixo das estimativas. Por outro lado, aumentou as projeções de lucro líquido diante de receitas financeiras melhores que o esperado e menores despesas comerciais. O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Direcional, com preço-alvo de R$ 20 por ação em 12 meses. O preço-alvo representa prêmio de aproximadamente 150% sobre o NAV. Entre os riscos negativos estão mudanças relevantes no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), aumento de custos e maior competição no setor.MRV (MRVE3)As projeções de lançamentos e vendas da MRV permaneceram praticamente inalteradas. As receitas também seguem estáveis após resultados em linha no 1T26. Contudo, o banco reduziu fortemente sua projeção de lucro líquido para 2026, de R$ 535 milhões para R$ 307 milhões, após prejuízo trimestral influenciado por efeitos não recorrentes relacionados à venda de ativos da Resia.O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para a MRV, com preço-alvo de R$ 7 por ação em 12 meses. O preço-alvo representa desconto de cerca de 40% sobre o NAV. Entre os riscos positivos estão uma desalavancagem adicional via Resia, expansão de margens acima do esperado e melhora na geração de caixa da MRV Inc., além de maior sensibilidade às taxas de juros em um cenário de queda mais intensa dos juros.Já os riscos negativos incluem aumento da concorrência no MCMV, deterioração do mercado imobiliário comercial nos Estados Unidos, o que poderia exigir injeção de capital na Resia, além de riscos relacionados ao MCMV, como repasses mais lentos da Caixa Econômica Federal.EZTEC (EZTC3)O Goldman manteve praticamente inalteradas as estimativas de lançamentos e vendas da EZTEC (EZTC3), embora os lançamentos projetados para 2026, de R$ 2,8 bilhões, estejam ligeiramente abaixo do guidance da companhia.As receitas foram reduzidas após desempenho abaixo do esperado no 1T26, aumento das receitas de equivalência patrimonial e desaceleração nas vendas diante do cenário macroeconômico mais desafiador para compradores de média renda.A margem bruta projetada para 2026 caiu 130 pontos-base, para 37,5%. Ainda assim, o banco destaca melhora na geração de caixa após o trimestre.O Goldman Sachs mantém recomendação de venda para a EZTEC, com preço-alvo de R$ 13 por ação em 12 meses. O preço-alvo representa desconto de cerca de 30% sobre o NAV, refletindo retornos sobre patrimônio (ROE) considerados mais fracos. Entre os riscos positivos estão vendas mais rápidas do projeto Esther Tower, monetização acelerada do banco de terrenos e queda mais forte dos juros.Cury (CURY3)As estimativas para a Cury ficaram praticamente inalteradas após resultados em linha no 1T26. A companhia surpreendeu positivamente nas despesas comerciais, embora parte disso tenha relação com descasamento temporário de pagamentos que devem ocorrer no próximo trimestre.O Goldman ajustou levemente para baixo as projeções de receitas financeiras, reduzindo em 2% as estimativas de lucro líquido para 2027 e 2028.O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Cury, com preço-alvo de R$ 43 por ação em 12 meses. O preço-alvo representa prêmio de aproximadamente 200% sobre o NAV, equivalente à média histórica mais um desvio padrão. Entre os riscos negativos estão excesso de estoques impulsionado pelo bom momento do MCMV, escassez de mão de obra e inflação dos custos de construção.Na avaliação do BBI, a Cury emerge como a empresa com o desempenho mais consistente em todas as combinações macroeconômicas, especialmente em um ambiente de transição, devido a um rendimento de dividendos saudável de aproximadamente 15% (2º semestre de 2026-2027) e espaço para uma reavaliação significativa caso a situação macroeconômica global melhore.Tenda (TEND3)O Goldman elevou suas projeções para a Tenda após surpresa positiva nas margens do trimestre, impulsionadas parcialmente pela reversão de inflação orçada anteriormente.O banco aumentou em 100 pontos-base a projeção de margem bruta para o ano, embora espere desaceleração em relação aos 38% vistos no 1T26, adotando postura mais conservadora diante da inflação. Também prevê impacto positivo de 50 pontos-base no 4T26 com a conclusão dos projetos do programa Pode Entrar.As estimativas de lucro líquido subiram 15% para 2026 e 4% para 2027. O preço-alvo foi elevado em 9%, refletindo melhora nas perspectivas de rentabilidade, com ROE projetado de 46%.O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Tenda, com preço-alvo de R$ 37 por ação em 12 meses, ante R$ 34 anteriormente. O preço-alvo representa prêmio de cerca de 40% sobre o NAV, entre a média histórica e um desvio padrão acima da média. Os principais riscos negativos incluem mudanças na faixa 1 do MCMV, pressão da operação Alea sobre margens, inflação dos custos de construção, excesso de estoques após o forte desempenho do setor e escassez de mão de obra.The post Bancos reforçam aposta em construtoras de baixa renda após resultados do 1T26 appeared first on InfoMoney.

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