Após um início de ano marcado por preocupações com o ciclo de crédito, o elevado endividamento das famílias e a deterioração das expectativas para inflação, o Bradesco BBI avalia que o cenário de juros elevados por mais tempo já está amplamente refletido nos preços das ações do setor financeiro. Para a equipe de analistas liderada por Marcelo Mizrahi, esse contexto abre espaço para algumas oportunidades entre empresas com fundamentos mais resilientes.Em relatório, o BBI afirma que a trajetória da taxa de juros continuará sendo um dos principais fatores para o desempenho do setor em 2027, mas destaca que as cotações atuais já embutem um cenário de crédito mais fraco, piora da qualidade dos ativos e um ambiente desafiador para empresas ligadas ao mercado de capitais.Nesse contexto, o banco vê BTG Pactual (BPAC11), XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3) como as combinações mais atrativas entre valuation e potencial de valorização dentro de sua cobertura.Leia tambémBBA aposta em exportadoras e vê Embraer, Petrobras e Vale como proteção cambialO banco também citou JBS, SLC , WEG, Marcopolo, Gerdau e Prio como alternativas para investidores interessados em empresas com maior exposição ao dólarIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com exterior em baixa e disparada do petróleoBolsas dos EUA recuam com perdas de ações de Alphabet e Tesla após balanços Segundo o BBI, as projeções para BTG Pactual e XP já consideram um ambiente operacional ligeiramente mais favorável, reduzindo o risco de revisões negativas das estimativas do mercado. No caso da B3, a instituição avalia que o cenário é mais binário, mas enxerga espaço para resultados melhores do que os atualmente precificados pelos investidores.O banco ressalta que, com pouco mais de dois meses para as eleições presidenciais, ainda há baixa visibilidade sobre o comportamento dos fluxos de capital estrangeiro e da curva de juros. Ainda assim, avalia que os preços dos ativos já refletem um cenário macroeconômico bastante adverso, fazendo com que a principal assimetria para os investidores esteja na trajetória das taxas de juros nos próximos 12 a 24 meses.SeguradorasO BBI avalia que as seguradoras se destacam como algumas das opções defensivas mais atrativas em um cenário de juros elevados por um período prolongado, devido à sua sensibilidade e aos seus relevantes níveis de reservas técnicas. Por exemplo, essa dinâmica pode ser observada no desempenho das seguradoras nos últimos dois meses, com a Caixa Seguridade (CXSE3; +28%), a BB Seguridade (BBSE3; +23%) e a Porto Seguro (PSSA3; +5,5%) superando significativamente o setor financeiro em geral.Bancos tradicionaisSegundo BBI, um ambiente de taxas de juros elevadas por um período prolongado geralmente favorece a resiliência da receita, apesar das elevadas exigências de provisionamento.Em um cenário de crescimento econômico mais lento, a receita de tarifas tende a perder fôlego, tornando a eficiência um fator ainda mais importante para a obtenção de retornos sustentáveis. Nos últimos dois meses, o desempenho das ações do Itaú (+8%) refletiu amplamente essa dinâmica. Em contrapartida, fatores específicos de cada empresa foram mais relevantes para o Banco do Brasil (0,7%) e o Santander Brasil (-0,5%), visto que ambas as instituições ainda estão em processo de recalibração dos níveis de provisionamento e ajuste de suas estratégias de portfólio.Bancos digitaisO Bradesco BBI avalia que a qualidade dos ativos de varejo continua sendo o principal tema para o setor financeiro, mas afirma que o recente aumento do custo do risco decorre, sobretudo, de fatores sazonais do primeiro trimestre e de mudanças na composição das carteiras de crédito, e não de uma deterioração estrutural da qualidade dos empréstimos.Nesse contexto, o banco mantém recomendação de compra para o Nubank (BDR: ROXO34), argumentando que o mercado havia precificado um cenário mais pessimista do que os fundamentos justificavam. Desde a divulgação dos resultados do banco digital, as ações acumulam alta de cerca de 20%. O BBI também avalia que o novo Desenrola 2.0 deve impulsionar a originação de crédito no segundo trimestre, reforçando essa tendência.Já em relação ao Inter (BDR: INBR32), o banco adota uma postura mais cautelosa. Segundo os analistas, as mudanças na composição da carteira devem manter o custo do risco em trajetória de alta nos próximos trimestres, limitando a expansão do retorno sobre patrimônio (ROE). As ações da instituição recuaram 7,4% nos últimos dois meses.Bancos de nicho, mercado de capitais e adquirentesPara os bancos de nicho, o BBI afirma que as instituições já capturaram boa parte dos benefícios dos novos produtos de crédito e agora ajustam suas operações para sustentar a próxima fase de crescimento. Diante das diferenças de estratégia e maturidade entre as empresas, a recomendação é analisar cada caso individualmente.Entre as empresas ligadas ao mercado de capitais, o destaque segue sendo o BTG Pactual, cujas ações avançaram cerca de 6% nos últimos dois meses, sustentadas pelo histórico consistente de resultados acima das expectativas. A XP também apresentou desempenho positivo, com alta de aproximadamente 3%.Já a B3 ficou para trás, com queda de 5,5% no período. Além da redução dos fluxos de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira, o banco avalia que a troca inesperada de comando adicionou incertezas ao cenário da companhia.No segmento de adquirência, o BBI observa que, apesar dos múltiplos descontados, empresas como PagBank e Stone continuam enfrentando um ambiente operacional desafiador, marcado pela forte concorrência e pelos juros elevados. Embora as receitas com crédito tenham acelerado, o banco considera que esse avanço ainda não compensa totalmente a pressão sobre a rentabilidade. Ainda assim, as duas companhias registraram desempenho positivo das ações nos últimos dois meses.The post BBI vê juros altos precificados e aponta oportunidades em ações do setor financeiro appeared first on InfoMoney.
