Por Gabriel BurinBUENOS AIRES, 2 Nov (Reuters) – O Banco Central brasileiro provavelmente manterá sua taxa básica de juros inalterada nesta quarta-feira, segundo uma pesquisa da Reuters, dando uma pausa na série de cortes para avaliar melhor as perspectivas econômicas após a eleição presidencial de outubro.Os mercados domésticos sofreram um abalo na semana passada depois que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frustrou as esperanças dos investidores de uma solução rápida para os problemas orçamentários do Brasil sob um governo de seu rival, o senador Flávio Bolsonaro.Mesmo com a vitória de Lula, a maioria dos analistas esperava inicialmente um sexto corte consecutivo de 25 pontos-base quando a pesquisa foi aberta, em 28 de outubro, já que a intervenção do Tesouro acalmou as turbulências do mercado no início da semana.Mas a opinião mudou até o encerramento da pesquisa, em 2 de novembro, com uma maioria de 33 dos 48 analistas pedindo que o Banco Central mantivesse a taxa Selic em 13,75% em 4 de novembro, devido às dúvidas sobre os planos fiscais de Lula e à incerteza relacionada à partida repentina de Bolsonaro para os EUA. O real brasileiro perdeu 9% e o índice de ações Bovespa caiu cerca de 19% na semana passada.Apenas 15 economistas ainda esperavam um corte por parte do Comitê de Política Monetária do Banco Central, conhecido como Copom, nesta quarta-feira.O Copom vai ‘justificar a manutenção da Selic adicionando essa maior incerteza advinda dos mercados como fator de risco para a inflação”, disse Alessandra Ribeiro, diretora de análise macroeconômica da Tendências, acrescentando que eles devem sinalizar que vão ‘esperar ainda por um tempo para reavaliar uma retomada de queda do ciclo de Selic.“Acho que vem um pouquinho de ‘forward guidance’”, afirmou ela.O Banco Central iniciou uma campanha de flexibilização gradual da política monetária em janeiro, em resposta a algumas melhorias nas tendências dos preços ao consumidor, combinadas com uma desaceleração econômica.Mas os formuladores de política monetária têm agido com cautela, mantendo um amplo spread entre o custo dos empréstimos no Brasil e a taxa de fundos federais do Banco Central dos Estados Unidos, a fim de apoiar a moeda local e afastar as pressões inflacionárias.Esse grande diferencial, maior do que o de países vizinhos como o México ou a Argentina, é o motivo pelo qual muitos economistas ainda acreditam que o Banco Central tem margem para realizar outro corte de um quarto de ponto percentual na taxa de juros nesta semana.‘(Haverá) mais esses dois cortes nesse ano porque a inflação tem ajudado e o mercado de trabalho também está dando sinal de estagnação”, disse Fernanda Lima, economista-chefe da Barra Peixe Investimentos.“A economia está desaquecendo mesmo, o que leva você a um patamar de Selic um pouco mais baixo, que ainda assim é muito contracionista.”Analistas também afirmam que taxas mais baixas são necessárias para reduzir o déficit público geral do Brasil, já que os juros representam atualmente 9% da economia — o nível mais alto desde 2016.No entanto, a mediana das previsões trimestrais da pesquisa apontou para um nível estável de 13,75%, pelo menos até o segundo trimestre de 2027, quando era esperado outro corte de 25 pontos-base.Isso coincidiu com as expectativas de vários participantes que responderam a uma pergunta separada sobre quando o banco fará o próximo ajuste nas taxas.Dos 32 participantes, oito previram uma redução de um quarto de ponto percentual em março. Quatro disseram esperar um corte em abril do próximo ano. Outros quatro esperavam um corte em junho. O restante mencionou outros meses.“A recente onda de vendas de ativos brasileiros provavelmente levará o Copom a permanecer cauteloso e avaliar a evolução do mercado nas próximas semanas”, escreveram analistas da Oxford Economics em um relatório.“Embora vejamos espaço para uma reversão parcial desses movimentos, uma recuperação sustentada dependerá dos anúncios de política fiscal de Luiz Inácio Lula da Silva e de medidas confiáveis para conter a dívida pública.”(Reportagem e pesquisa de opinião por Gabriel Burin, em Buenos Aires)The post BC deve manter Selic em 13,75% em uma pausa após a reeleição de Lula appeared first on InfoMoney.
