A virada de fevereiro para março deste ano enterrou o cenário benigno que vinha embalando os mercados desde o fim de 2025. Em pouco mais de oito semanas, o conflito direto entre Estados Unidos e Irã levou o petróleo a romper a barreira dos US$ 100, derrubou parques de energia no Oriente Médio e empurrou os bancos centrais — incluindo o brasileiro — para um beco sem saída entre inflação mais alta e crescimento mais fraco.No mesmo período, o mundo viu uma combinação inédita de eventos: disparada histórica dos metais, fluxo recorde para mercados emergentes, a remoção do venezuelano Nicolás Maduro do poder por uma operação americana e uma alta de 18 pregões consecutivos no índice de semicondutores nos Estados Unidos, com algumas ações subindo 150% em apenas 20 dias. O Brasil, segundo gestores, surfa parte desse movimento pelo chamado efeito halo — quando bolsas emergentes sobem na esteira do otimismo global.Para discutir o impacto desse caldeirão de fatores, o programa Aftermarket, comandado por Lucas Collazo, transmitiu nesta edição direto de Omaha, nos Estados Unidos, durante a cobertura do encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway (BRK.B), de Warren Buffett. Participaram do bate-papo Andrew Rider, da WHG; Christian Keleti, da Alpha Key; e Felipe Guerra, da Legacy Capital.Veja mais: Polo chama Hapvida (HAPV3) de “avião que caiu” e monitora sinais para sair da apostaE também: Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheioSegundo Keleti, da Alpha Key, profissional com quase 30 anos de mercado, poucas vezes houve um conjunto de mudanças tão intenso em tão pouco tempo.“Se eu chegasse para o (Felipe) Guerra hoje e ele tivesse dormido quatro meses, e falasse: olha, vai ter um rali de metais histórico, fluxo para emergentes que nunca vimos, os Estados Unidos entrando de madrugada na casa do Maduro, o petróleo acima de US$ 100 — o que você iria falar?”, provocou.Gestor aposta em garantias inusitadas e vê 2026 como ano raro de oportunidadesGerdau (GGBR4) tem lucro de R$ 1 bilhão no 1º trimestre, alta anual de 34%Cenário virou de “ideal” para inflacionárioFelipe Guerra, da Legacy, respondeu que o ambiente até o início do ano era tão favorável que a gestora chegou a projetar inflação de 3,4% para o Brasil, uma das mais baixas do mercado. A previsão para os Estados Unidos rodava em torno de 2,2% — bem abaixo do consenso, que trabalhava com 2,7% a 2,8%. “A gente achava o ambiente muito propenso para tomar risco, para estar comprado em ativos de risco”, afirmou.Leia tambémCEO da Ford diz que Tesla não tem “carro atualizado”, e verdadeiro concorrente é BYDJim Farley aponta que a Tesla perdeu ritmo de inovação, e a chinesa BYD é vista como referênciaTudo mudou no dia 27 de fevereiro. Os ataques iranianos a vizinhos e a destruição de parques de energia na região tornaram impossível ignorar o choque. Segundo Guerra, o quadro virou da água para o vinho: saiu de “mais crescimento e menos inflação” para “mais inflação e menos crescimento” — uma combinação muito mais hostil para ações e títulos de risco.A reação dos mercados foi caótica. Março trouxe forte realização de lucros nos ativos. Já abril teve uma recuperação em formato de “V” nas bolsas e nas moedas, com exceção da renda fixa e do petróleo, que seguiram pressionados. “Acho que vai ser uma mudança radical”, avaliou o gestor da Legacy, ressaltando que o tamanho e a duração do choque do petróleo ainda são uma incógnita.The post BC sem saída? Entenda por que o corte de juros subiu no telhado agora appeared first on InfoMoney.
