A Berkshire Hathaway, conglomerado construído por Warren Buffett e atualmente comandado por Greg Abel, registrou queda de 28,2% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026, mas acelerou a recompra de ações e encerrou setembro com uma reserva de caixa e títulos de curto prazo de aproximadamente US$ 377,4 bilhões.O lucro atribuível aos acionistas somou US$ 22,112 bilhões, ante US$ 30,796 bilhões no mesmo período de 2025. Apesar da retração, a companhia destinou US$ 9,6 bilhões à recompra de ações próprias entre julho e setembro, elevando o total aplicado nessa modalidade para cerca de US$ 14,4 bilhões nos primeiros nove meses do ano.O movimento ocorre em meio à transição de comando iniciada em janeiro, quando Greg Abel assumiu o posto de CEO. O executivo vem adotando uma postura mais ativa na alocação de capital, combinando recompras, aquisições e investimentos em empresas ligadas à inteligência artificial.Ao mesmo tempo, os resultados mostram um cenário desigual entre os negócios da Berkshire: enquanto os seguros perderam rentabilidade, as divisões de ferrovias e energia apresentaram crescimento.Leia tambémTrader tenta recuperar perdas, faz 85 operações e perde R$ 25 mil em um diaApós prejuízo expressivo, trader relata como aprendeu a reduzir o número de contratos, simplificar sua estratégia e valorizar o controle emocional nas operaçõesLucro da Berkshire cai 28% com ganhos menores em investimentosA queda do lucro líquido refletiu principalmente a menor contribuição dos ganhos com investimentos e o desempenho mais fraco das operações de seguros.Os ganhos com a carteira de investimentos somaram US$ 9,407 bilhões no terceiro trimestre, ante US$ 17,311 bilhões um ano antes. A diferença está associada, sobretudo, à menor valorização das ações mantidas pelo conglomerado e reconhecidas contabilmente a preços de mercado.Por isso, a Berkshire costuma recomendar que os investidores acompanhem também o lucro operacional, indicador que exclui oscilações nos ganhos e perdas com investimentos e determinados efeitos contábeis extraordinários.Por esse critério, o lucro somou US$ 12,705 bilhões, queda de 5,8% em relação aos US$ 13,485 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025.Apesar do desempenho trimestral mais fraco, o acumulado do ano permanece positivo. Entre janeiro e setembro, a Berkshire registrou lucro líquido de US$ 57,885 bilhões, acima dos US$ 47,769 bilhões do mesmo período do ano passado.Já o lucro operacional acumulado chegou a US$ 37,034 bilhões, crescimento de 8% na comparação anual.Geico e seguros pressionam resultados operacionaisO principal foco de pressão sobre o lucro operacional foi a divisão de seguros, tradicionalmente um dos pilares da Berkshire Hathaway.O resultado de subscrição de seguros — atividade relacionada à emissão de apólices e à cobertura de riscos — recuou 43% no terceiro trimestre.A Geico, seguradora de automóveis do grupo, enfrentou aumento das perdas com sinistros e das despesas relacionadas às operações de seguros.A receita líquida de investimentos das seguradoras também diminuiu 14%, para aproximadamente US$ 2,7 bilhões, principalmente em razão da redução das taxas de juros de curto prazo.O desempenho mais fraco da divisão contrasta com os avanços registrados em outras empresas controladas pela Berkshire, mostrando que a deterioração dos resultados não ocorreu de maneira uniforme dentro do conglomerado.Leia tambémCEO da Arko: “Onda azul” facilitará que demandas do Brasil cheguem à Casa BrancaThiago de Aragão, durante participação na Conferência MBA Brasil, disse que distritos democratas vão pressionar mais o presidente dos EUA, Donald Trump Berkshire acelera recompras sob Greg AbelMesmo diante da queda do lucro, a Berkshire intensificou a compra de suas próprias ações.Os US$ 9,6 bilhões recomprados no terceiro trimestre superaram amplamente os US$ 4,5 bilhões desembolsados entre abril e junho.A companhia havia retomado as recompras de ações no início deste ano, após um período de mais de um ano sem realizar operações desse tipo.A decisão ocorreu depois que Abel avaliou que os papéis da Berkshire estavam sendo negociados abaixo de seu valor intrínseco, ou seja, do valor econômico estimado pela própria administração.O movimento representa uma utilização mais ativa dos recursos financeiros da companhia em comparação com os últimos anos da gestão de Warren Buffett, período marcado pela dificuldade de encontrar investimentos a preços considerados atraentes.O programa de recompras não estabelece um limite máximo de ações a serem adquiridas. A Berkshire, porém, determina que essas operações não podem reduzir o total de caixa, equivalentes e títulos de curto prazo do Tesouro americano para menos de US$ 30 bilhões.Nos primeiros nove meses de 2026, as recompras totalizaram cerca de US$ 14,4 bilhões.Caixa da Berkshire permanece acima de US$ 377 bilhõesApesar do desembolso bilionário em recompras, a reserva de recursos líquidos e investimentos de curto prazo da Berkshire alcançou US$ 377,4 bilhões no encerramento de setembro.O montante inclui US$ 40,7 bilhões em caixa e equivalentes e US$ 336,735 bilhões aplicados em títulos de curto prazo do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasury bills ou T-bills.Considerando aproximadamente US$ 20,5 bilhões em compras de títulos do Tesouro ainda não liquidadas, a disponibilidade financeira ajustada fica próxima de US$ 357 bilhões, segundo a Bloomberg.A companhia também foi vendedora líquida de aproximadamente US$ 426 milhões em ações de outras empresas durante o trimestre.O patrimônio líquido atribuível aos acionistas da Berkshire chegou a US$ 761,368 bilhões em 30 de setembro.A manutenção de uma reserva financeira tão elevada oferece à administração flexibilidade para realizar novas aquisições, ampliar participações e aproveitar oportunidades de mercado.Ferrovias e energia avançam apesar da fraqueza dos segurosEnquanto o desempenho dos seguros pressionou os resultados, outros negócios da Berkshire apresentaram crescimento.Na BNSF, uma das principais operadoras ferroviárias de carga dos Estados Unidos, o lucro avançou 19,3% no terceiro trimestre.A receita média por vagão transportado cresceu 10,5%, parcialmente impulsionada pelo aumento das receitas relacionadas às sobretaxas de combustível.O desempenho representa um avanço nos esforços conduzidos pela CEO da BNSF, Katie Farmer, para melhorar a rentabilidade da ferrovia e reduzir a distância em relação a concorrentes mais eficientes.Na divisão de energia, a Berkshire Hathaway Energy registrou lucro de aproximadamente US$ 1,6 bilhão, crescimento de 8,3% na comparação anual.A melhora foi impulsionada pelo aumento dos volumes de energia vendidos e por reajustes tarifários em determinadas regiões atendidas pelas concessionárias do grupo.A combinação de resultados também ajuda a explicar por que investidores acompanham de perto os balanços da Berkshire. Com negócios que abrangem seguros, ferrovias, energia, indústria e serviços, o conglomerado oferece uma visão ampla de diferentes segmentos da economia americana.Greg Abel amplia investimentos em inteligência artificialAlém das recompras, Greg Abel vem deixando sua marca na estratégia de investimentos da Berkshire Hathaway.Nos últimos meses, o conglomerado destinou US$ 6,8 bilhões à aquisição da construtora Taylor Morrison Home, operação alinhada à tradicional estratégia de investimento em valor que marcou a trajetória de Buffett.Ao mesmo tempo, Abel ampliou a exposição a empresas de tecnologia e inteligência artificial.A Berkshire destinou cerca de US$ 10 bilhões à Alphabet, controladora do Google, em uma operação associada à ampliação de seus investimentos no setor de tecnologia.A companhia já havia reforçado sua participação na Alphabet e destacado o potencial econômico da inteligência artificial.Outro movimento foi o investimento de US$ 930 milhões na Bending Spoons, conglomerado italiano especializado na aquisição e transformação de empresas estabelecidas por meio de tecnologia.As iniciativas mostram uma tentativa de ampliar o uso do caixa da Berkshire em diferentes frentes, sem abandonar a disciplina financeira que caracterizou a gestão de Buffett.A aproximação com a inteligência artificial, porém, ocorre em um momento de maior questionamento sobre os investimentos no setor, especialmente diante das oscilações nos preços das ações e dos títulos de empresas ligadas à construção de data centers.Em entrevista anterior à Bloomberg, Meyer Shields, analista da Keefe, Bruyette & Woods, avaliou que Abel provavelmente enxerga essas iniciativas como apostas de longo prazo no potencial da tecnologia.O desafio do novo CEO será equilibrar as oportunidades de crescimento com a preservação da solidez financeira da Berkshire — um dos pilares do conglomerado ao longo de décadas.(Com Estadão Conteúdo e Bloomberg)The post Berkshire lucra 28% menos, mas recompra US$ 9,6 bi e tem US$ 377 bi em caixa appeared first on InfoMoney.
