Bolsa antes da eleição: vale carregar ações do último pregão até segunda-feira?

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A sexta-feira (23) será o último pregão antes do segundo turno das eleições. Para quem opera na Bolsa, a sessão traz uma decisão que vai além de tentar antecipar se o mercado vai subir ou cair: vale terminar o dia comprado em ações e carregar essa posição até segunda-feira?A estratégia pode permitir ao investidor capturar já na abertura um eventual movimento favorável depois das urnas. Mas também significa atravessar o fim de semana com o mercado fechado, sem conseguir ajustar a posição caso as expectativas mudem. Para quem faz day trade, o risco termina quando a operação é zerada na própria sexta. Para quem carrega a posição por mais de um pregão — o chamado swing trade —, parte importante do risco começa justamente depois do fechamento.Há ainda um complicador: muitas ações ligadas à economia doméstica já acumularam fortes altas entre o primeiro e o segundo turno. Assim, mesmo que determinado cenário esperado pelo mercado se confirme, parte desse movimento pode já estar incorporada aos preços.O dilema para sexta-feira, portanto, envolve duas perguntas: quanto ainda há para ganhar se o cenário esperado se confirmar e quanto pode ser perdido se a abertura de segunda vier na direção contrária?Leia tambémPor que Ibovespa caiu 1,15% hoje? Os fatores que explicam – além da cautela eleitoralO foco no dia fica voltado para levantamento do Datafolha, mas cenário externo negativo também contribuiu para queda dos mercadosÚltimo pregão exige cuidado com tamanho e alavancagemPara Victor Hugo Riffel, head da Mesa Trader da Ável, a principal mudança no último pregão antes da eleição deve estar no tamanho da posição. Quanto maior a volatilidade, maior tende a ser o valor financeiro colocado em risco com a mesma quantidade de ações ou contratos.“Se a volatilidade dobra e eu mantenho a mesma mão, meu risco dobra junto”, afirma.Riffel recorre ao conceito de VaR (Value at Risk, ou valor em risco), usado para estimar quanto uma posição pode perder em determinado cenário. Na prática, a leitura é simples: se o mercado começa a oscilar mais, manter exatamente a mesma exposição de um pregão comum aumenta o risco da operação.Eduardo Tellechea Cairoli, CEO e fundador da Privatto Multi Family Office, também recomenda separar convicção de exposição. Para ele, acreditar fortemente em determinado resultado não significa que o tamanho da posição deva aumentar na mesma proporção.“A sexta-feira não deve ser encarada como um dia de maximização de exposição, mas de seleção das melhores assimetrias”, afirma.O cuidado vale também para a concentração. Ter Banco do Brasil, uma construtora e outra ação ligada à queda dos juros pode parecer diversificação, mas os papéis podem reagir simultaneamente caso haja uma mudança brusca na percepção sobre risco fiscal ou juros.Leia mais: Day trade em eleição: mais volatilidade, mais risco? Veja como se prepararPara quem carrega até segunda, o principal risco é o gapO maior problema para quem pretende atravessar a eleição posicionado é o chamado gap de abertura — quando uma ação começa o pregão seguinte muito acima ou abaixo da cotação anterior.Entre o fechamento de sexta e a abertura de segunda não existe negociação na B3. Isso reduz a eficácia de uma ferramenta bastante usada para limitar prejuízos: o stop loss, ordem programada para tentar encerrar a posição quando o preço atinge determinado nível.“O stop não protege no gap”, resume Riffel.Se uma ação fechar a R$ 20 e reabrir a R$ 18, por exemplo, não haverá negócios entre esses valores durante o fim de semana. A ordem de saída só poderá ser executada quando o mercado voltar a funcionar, no primeiro preço disponível.É por isso que Jason Vieira, economista-chefe da Lev, adota uma postura cautelosa para este fim de semana.“Eu não carregaria agora uma posição”, afirma.A avaliação dos especialistas, porém, não significa que não possam existir oportunidades. O ponto é que a relação entre risco e retorno muda porque o investidor perde a capacidade de reagir enquanto ocorre o principal evento que motivou a operação.Opções são uma alternativa — mas o seguro pode estar caroUma forma de limitar previamente parte desse risco é recorrer ao mercado de opções.Uma opção comprada dá ao investidor um direito sobre determinado ativo e, para quem compra o contrato, a perda máxima fica limitada ao valor pago pelo prêmio. Calls são opções de compra; puts são opções de venda e podem ser utilizadas, entre outras estratégias, para proteger uma carteira contra quedas.Mas atravessar uma eleição protegido tem custo.Antes do primeiro turno, levantamento do InfoMoney mostrou que as opções próximas do preço do ativo carregavam volatilidade implícita — medida da oscilação esperada embutida nos contratos — de aproximadamente 39% no BOVA11, 47% em Petrobras e 66% em Banco do Brasil. Quanto maior a volatilidade implícita, maior tende a ser o prêmio cobrado pelas opções, mantidas as demais condições.Depois da votação, boa parte desse prêmio desapareceu: a volatilidade implícita caiu para cerca de 25%-26% no BOVA11, 34%-36% em Petrobras e 40%-42% em BBAS3. É o chamado volatility crush, ou queda rápida da volatilidade implícita depois de um evento que concentrava incerteza.Isso ajuda a explicar por que acertar a direção não basta. Uma opção comprada antes da eleição pode estar cara justamente porque outros investidores também estão procurando proteção ou apostando em um movimento forte.“Nas opções, acertar a direção não garante lucro”, observa Cairoli.Saiba mais: Opções de BOVA11, Petrobras e BB mostram onde o risco está mais caroQuanto do resultado já está no preço?Além do risco do gap, existe uma segunda questão importante para quem pensa em carregar ações: o chamado trade eleitoral já produziu movimentos expressivos desde o primeiro turno.Empresas ligadas à economia doméstica, small caps, varejistas e construtoras avançaram fortemente durante parte desse período. Rafael Perretti, economista e analista da Clear Investimentos, destaca que algumas ações de menor capitalização chegaram a acumular ganhos de 30%, 40% ou até 50%.A sensibilidade funciona para os dois lados. Em um cenário favorável às expectativas que ajudaram a produzir essas altas, os papéis ainda podem avançar. Mas também podem apresentar realização caso boa parte da notícia já esteja incorporada ao preço.“Mais do que acertar quem ganha, o trader precisa saber quanto do resultado já está no preço. E hoje, uma boa parte está”, afirma Riffel.Cairoli chama atenção para o conhecido movimento de “buy the rumor, sell the news”, ou “compre no boato e venda no fato”: os investidores antecipam determinado cenário, os preços sobem e, quando ele finalmente se confirma, parte do mercado aproveita para realizar lucros.“O mercado sobe antecipando o resultado e realiza lucros após a confirmação”, afirma.Essa discussão é particularmente relevante para ações que estiveram no centro do movimento entre os turnos. Banco do Brasil (BBAS3), B3 (B3SA3), Cyrela (CYRE3), varejistas e outras empresas sensíveis aos juros aparecem entre os exemplos citados pelas fontes.Leia também: Bolsa dispara após 1º turno: as 8 ações que analistas indicam para investir agoraAcertar o Ibovespa não significa acertar a açãoAs eleições anteriores ajudam a mostrar por que esse tipo de operação não depende apenas da direção geral da Bolsa.No primeiro pregão depois do segundo turno de 2022, o Ibovespa avançou 1,31%. No mesmo dia, Banco do Brasil caiu 4,64% e Petrobras recuou 8,47%, enquanto Itaú subiu 2,91%, segundo levantamento apresentado por Perretti.Ou seja, mesmo quem tivesse acertado que o índice terminaria em alta poderia ter perdido dinheiro ao escolher determinados papéis.Em 2018, ocorreu outro fenômeno relevante: o Ibovespa acumulou forte alta durante outubro, mas recuou no primeiro pregão após o segundo turno. O episódio ajuda a ilustrar o risco de o mercado antecipar uma expectativa e realizar depois da confirmação.Para Perretti, o histórico eleitoral deixa mais segurança sobre a possibilidade de movimentos intensos do que sobre a direção que eles tomarão.“A maior clareza que a gente tem é a expectativa em relação à volatilidade do mercado”, afirma.Afinal, vale carregar ações até segunda-feira?Não existe uma resposta única porque a relação entre risco e retorno depende do ativo, do tamanho da posição e da perda que cada investidor está preparado para suportar.Mas há uma diferença objetiva entre operar a sexta-feira e atravessar a votação: quem carrega uma ação aceita ficar exposto a uma possível reprecificação sem poder ajustar a posição até a abertura de segunda.Reduzir o tamanho da posição, evitar excesso de alavancagem, limitar previamente a perda por meio de determinadas estruturas com opções ou simplesmente preservar liquidez para operar depois de conhecido o resultado são algumas das alternativas mencionadas pelas fontes.Esperar até segunda pode significar perder parte de uma eventual alta inicial. Em contrapartida, permite tomar uma decisão depois que uma das principais incertezas tiver sido retirada do caminho.Antes de perguntar quanto uma ação pode subir depois da eleição, portanto, há uma questão anterior para quem pretende terminar sexta-feira comprado:“Quanto estou disposto a perder se a abertura de segunda-feira vier na direção contrária?”The post Bolsa antes da eleição: vale carregar ações do último pregão até segunda-feira? appeared first on InfoMoney.

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