O ex-presidente Jair Bolsonaro alegou nesta quarta-feira, ao Supremo Tribunal Federal, que não sabia que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, pretendia ler, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, a “carta aos brasileiros” que entregou ao filho durante uma visita na prisão domiciliar. A versão, no entanto, contraria o que Flávio afirmou durante a live, de que o pai lhe teria designado como seu “porta-voz”.— Fica-se muita especulação acontecendo, muitas pessoas que parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para a rua para resgatar o Brasil. O que ele está dizendo aqui é muito simples. Primeiro, agradecer a ele por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes que, porventura, alguém possa estar seguindo além, em paralelo à nossa pré-campanha — disse Flávio na transmissão.Leia tambémFlávio Bolsonaro pode ser multado em até R$ 25 mil por campanha eleitoral antecipadaSenador foi denunciado ao TSE por partidos e teve uma solicitação de análise da justiça eleitoral por parte de Moraes após ter lido carta de Jair Bolsonaro com suposto conteúdo eleitoreiro em liveLula fez cartas na prisão, mas não tinha condenação e restrições como as de BolsonaroDetenção do petista se deu sem o trânsito em julgado e numa cela da PF, enquanto Bolsonaro foi condenado no Supremo e está em domiciliarA live motivou o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que acompanha o cumprimento da pena de Bolsonaro a 27 anos de prisão por golpe de Estado, a cobrar informações da defesa, questionando se Bolsonaro sabia que o filho divulgaria sua carta. Na mesma decisão, Moraes ainda encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada e ainda suspendeu o direito de visitas de Flávio por 90 dias.Nesta quarta, o ex-chefe do Executivo disse ao STF que a decisão de ler a carta durante transmissão ao vivo partiu de seu filho, uma escolha feita sem sua “ciência prévia”. “Bolsonaro jamais soube que a carta seria publicizada, tampouco houve qualquer orientação, ajuste ou combinação prévia acerca da utilização de redes sociais para esse fim”, sustentou a defesa.Os advogados do ex-presidente ainda afirmaram que outras cartas redigidas pelo ex-chefe do Executivo foram publicizadas em outras ocasiões, sem que houvesse questionamento por parte da Corte máxima. Segundo a defesa, não há “incompatibilidade” entre a redação de uma carta com as restrições impostas ao ex-presidente em razão da prisão domiciliar.Os representantes legais de Bolsonaro dizem ainda que o ex-presidente “jamais buscou utilizar terceiros para contornar as restrições” impostas por Moraes.The post Bolsonaro contradiz Flávio e diz a Moraes que filho leu carta em live sem autorização appeared first on InfoMoney.
