Embora ainda existam entraves em alguns produtos importantes, como na carne bovina, já é possível observar avanços comerciais entre Brasil e União Europeia vindos do acordo do bloco com o Mercosul, fechado em 2026 após 25 anos de negociações. A opinião é de Jean-Pierre Bou, Chefe Adjunto da Delegação da União Europeia no Brasil, que participou em São Paulo no painel sobre segurança alimentar no Global Agribusiness Festival (GAFFFF).“Vimos um aumento das exportações de café e o Brasil já deve ser o segundo maior exportador [para a EU], com potencial para mais”, comentou, destacando que isso acontece mesmo com as tarifas não tendo caído imediatamente para zero, algo que se dará no médio prazo.Ele citou ainda que foram vencido recentemente entraves para os embarques de produtos como a carne de frango e o mel. Sobre a suspensão feita pela EU dos embarques de carne bovina por um suposto descumprimento das regras do bloco contra a aplicação de antimicrobianos restritos a humanos ou para crescimento do rebanho, Bou repetiu a explicação oficial que uma resolução depende do ciclo de vida dos bovinos, que é dois anos.Mas ele focou nos pontos onde o acordo mais avança como os esforços para definir indicações geográficas, uma exigência tradicional nos países do sul da Europa. Ele afirmou que essas definições devem alavancar produtos em regiões que comprovarem o foco na bioeconomia sustentável.Mas ele passou um recado direto de o que o Brasil precisa fazer para cumprir o papel de garantidor da segurança alimentar no mundo: evitar iniciativas políticas que possam sinalizar recuos nos compromissos assumidos contra o desmatamento.Leia mais: Alckmin: em 60 dias de vigência do acordo Mercosul-UE, exportação para UE cresceu 4%No mesmo painel, Caio Barbosa, chefe do Departamento de Crédito Rural do BNDES, concordou que o Brasil precisa ser reconhecido como potência sustentável no agronegócio. E que o banco de desenvolvimento faz sua parte, ao não financiar (dentro Plano Safra) nenhum projeto rural que possua indícios de desmatamento ilegal.Ele frisou que apenas 1% dos pedido que chegam ao banco têm algum problema nesse sentido, o que mostra o grau de sustentabilidade do setor. O BNDES é responsável pelo repasse de cerca de R$ 50 bilhões anuais dos mais de R$ 500 bilhões que o Plano Safra destina anualmente.Sobre o tema do painel, o mediador Roberto Rodrigues, ex-Ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), comentou que a segurança alimentar se tornou cada vez mais urgente desde a pandemia de Covid-19 e os impactos que se seguiram nos preços de alimentos e insumos e que o Brasil tem desempenhado um importante papel em ajudar a combater esse desafio. “Não haverá paz onde houver fome”, disse.Para o Brasil, ele recomendou que “é preciso acabar com o que é ilegal”.The post Brasil não pode se desviar dos compromissos sustentáveis, diz chefe da UE no Brasil appeared first on InfoMoney.
