Brasil rebate investigação dos EUA sobre o Pix e nega práticas desleais; veja pontos

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O governo do presidente Lula enviou na segunda-feira (18) aos Estados Unidos um relatório sobre práticas investigadas por Washington nas áreas financeira, de comércio, digital, relacionadas ao desmatamento, de combate à corrupção e de propriedade intelectual.Depois de Donald Trump anunciar, em 9 de julho, que os produtos brasileiros passariam a ser tributados em 50% a partir deste mês, o governo americano informou que iria investigar o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país. Foram levantadas várias suspeitas de supostas práticas desleais ao comércio ou prejudiciais a a empresas americanas, como tarifas de importação, barreiras não tarifárias, desmatamento descontrolado. Nem o sistema de pagamentos Pix e as vendas de produtos na Rua 25 de Março, em São Paulo, foram poupados.Quais são os próximos passos?A expectativa é que, depois de enviar o relatório a Washington, negociadores dos EUA e do Brasil voltem a debater o tema em uma audiência pública que acontecerá no início de dezembro deste ano.Caso o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) conclua que o Brasil possui práticas anticompetitivas nas relações comerciais entre os dois países, poderão ser adotadas medidas compensatórias, como novas barreiras a produtos brasileiros. O processo deve levar, no mínimo, um ano.Quais foram os argumentos do Brasil?Veja em 6 pontos a seguir os principais argumentos apresentados pelo governo brasileiro aos EUA.1 – Comércio digital e serviços de pagamento eletrônicoOs Estados Unidos afirmam que decisões judiciais brasileiras poderiam tornar plataformas digitais responsáveis por conteúdos de usuários, que leis de dados e privacidade poderiam limitar fluxos de informação e que o sistema Pix daria vantagem indevida a serviços nacionais.O Brasil rebate. Diz que as decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a responsabilidade de plataformas não impõe responsabilidade estrita às empresas e exige uma ordem judicial para a maioria dos casos de conteúdo ilegal.Também defende que a política equilibra a liberdade de expressão com a necessidade de prevenir atividades criminosas on-line e que as ordens judiciais confidenciais são uma prática legal e legítima usada para proteger as partes envolvidas.Sobre os dados, afirma que a Lei Geral de Proteção de Dados está alinhada com padrões globais, como o GDPR da União Europeia.Já em relação ao Pix, ele é descrito como uma infraestrutura pública, não exclusiva e de acesso aberto, criada para modernizar o mercado de pagamentos, promover a concorrência, a inclusão financeira e reduzir os custos das transações. E diz que o sistema pode ser acessado por estrangeiros.2 – Tarifas preferenciaisO governo americano afirma que o Brasil favorece México e Índia em detrimento dos EUA.O Brasil respondeu que não restringe o comércio americano por meio de tarifas e cita que as tarifas aplicadas são baixas, com 73,7% das exportações dos EUA entrando no Brasil com tarifa zero. Defende que os acordos comerciais com Índia e México estão em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio para países em desenvolvimento.3 – Lei anticorrupçãoOs americanos falam que uma suposta aplicação insuficiente das leis anticorrupção no Brasil prejudica empresas dos EUA.Já o Brasil rejeita as alegações de que a sua aplicação anticorrupção é inconsistente, seletiva ou que vise empresas dos EUA. O documento defende que a política brasileira é um esforço para combater a corrupção de forma imparcial.4 – Propriedade intelectualOS EUA reclamam de uma suposta falta de proteção efetiva contra pirataria e falsificação (e citam a Rua 25 de Março, em São Paulo) e fala em prazos excessivos para análise de patentes.O documento brasileiro alega que cumpre padrões internacionais e argumenta que as regras buscam um equilíbrio entre a proteção dos direitos de propriedade intelectual e a promoção do bem público, o que inclui a proteção da saúde pública.“As autoridades brasileiras têm envidado esforços conjuntos para encerrar operações de falsificação em mercados físicos, como a região da Rua 25 de Março”, acrescenta.5 – EtanolEm outra reclamação recorrente, os EUA alegaram que as tarifas brasileiras desequilibram o comércio de etanol.O governo brasileiro afirma que não impôs barreiras discriminatórias contra o etanol dos EUA e que as tarifas são inferiores às que o país aplica às exportações brasileiras (a tarifa brasileira é de 18%, enquanto a dos EUA é de 52,5%).6 – Desmatamento ilegalOs EUA também se queixam de supostas falhas na aplicação das leis ambientais, que, segundo eles, criam vantagem competitiva injusta.O Brasil afirma que está tomando medidas ativas e concertadas para reprimir o desmatamento ilegal e eliminar a parcela de produtos de cadeias de abastecimento com origem em terras desmatadas ilegalmente.    The post Brasil rebate investigação dos EUA sobre o Pix e nega práticas desleais; veja pontos appeared first on InfoMoney.

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