O Ranking das Exportações Chinesas trouxe uma marca importante: o Brasil assumiu, pela primeira vez, a liderança global como o principal importador de automóveis da China no acumulado dos primeiros cinco meses deste ano. O país importou, no período, um total de US$ 5,2 bilhões em automóveis — alta anual de 146,9% —, sendo US$ 4,5 bilhões em veículos eletrificados.No ano passado, no mesmo período, o Brasil havia comprado US$ 2,1 bilhões e era o sexto maior importador de carros chineses.Já segundo números do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), considerando todo o primeiro semestre, as importações de veículos eletrificados chineses pelo Brasil somaram US$ 5,35 bilhões. As compras de automóveis chineses responderam por aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou do país asiático, calcula a entidade.A aceleração refletiu, em parte, a antecipação de compras antes da elevação das tarifas de importação para 35% em julho. As vendas domésticas de veículos leves eletrificados tiveram alta de 125% no 1º semestre de 2026, para 215 mil unidades, superando amplamente o crescimento de 19,4% do mercado automotivo total.Apesar das tarifas mais altas e dos planos de produção local de montadoras chinesas, especialistas veem a expansão dos veículos chineses como estrutural, apoiada por preços competitivos, tecnologia e maior aceitação dos consumidores.Leia tambémBradesco BBI eleva Cogna para compra e elege ação como top pick do setor de educaçãoBBI também rebaixou a recomendação de Ânima de compra para neutraEssa tendência já era percebida nos últimos meses, sempre carregada de alertas para algumas empresas da Bolsa brasileira, especialmente para as locadoras.Conforme destaca o Bradesco BBI, o apetite das montadoras chinesas pelo mercado brasileiro segue elevado, enquanto o forte fluxo de importações antes do aumento tarifário eleva o estoque disponível e pode intensificar a competição comercial no país.Nesse sentido, para o segundo semestre de 2026, a visão é de que os estoques locais elevados e novos lançamentos possam representar risco adicional para as despesas de depreciação de Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3), especialmente em segmentos mais expostos à concorrência de veículos eletrificados e SUVs chineses.Em análise recente, o Goldman Sachs já alertava para a rápida expansão das montadoras chinesas no mercado brasileiro de veículos. Com a forte entrada de veículos chineses, os preços mais baixos no mercado primário podem se traduzir, ao longo do tempo, em maior depreciação das frotas ou em redução dos preços de venda, afetando também a rentabilidade futura do setor.De acordo com o banco, no caso da Localiza, para cada 1% de variação nos preços dos carros novos no Brasil, estima-se um impacto de R$ 570 milhões no valor contábil da frota. Considerando um ciclo de vida dos veículos de 18 meses, isso implicaria um impacto negativo no lucro líquido anual de cerca de R$ 300 milhões — o equivalente a 6% do lucro esperado para 2027. Em 2024, a empresa já havia registrado um ajuste (impairment) de R$ 1,4 bilhão, cerca de 2,5% do valor da frota.Olhando adiante, segundo estimativas feitas no primeiro semestre pelo ex-presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb, as marcas chinesas podem responder por cerca de 35% do mercado brasileiro de veículos até 2035, ante aproximadamente 10% em 2024 e uma projeção de 20% para 2030.De acordo com Golfarb, mesmo com a migração gradual para a produção local, as montadoras chinesas devem manter elevada competitividade, sustentada não apenas por subsídios, mas por ganhos de escala, integração produtiva e acesso a componentes importados de baixo custo — especialmente em tecnologias mais avançadas, como veículos elétricos e híbridos.Mesmo com esse impacto, para o BBI, os efeitos podem ser administráveis para as locadoras, considerando alguns fatores mitigadores já mapeados. Entre eles: o maior foco das locadoras em SUVs, segmento historicamente mais resiliente; a elevação das tarifas de importação, que limita políticas de desconto muito agressivas; e condições comerciais mais favoráveis para empresas de locação, que preservam parte do poder de barganha do setor.The post Brasil vira maior importador de carros chineses: mais um alerta para locadoras da B3? appeared first on InfoMoney.
