CBIC leva alta dos custos do Minha Casa Minha Vida ao governo federal

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A alta dos custos da construção civil acima da inflação levou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) a abrir conversas com o governo federal sobre contratos do Minha Casa Minha Vida (MCMV), especialmente os da modalidade FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), voltado às famílias de menor renda.Durante a apresentação dos dados do setor referentes ao segundo trimestre, ocorrida na manhã desta quinta-feira (12), o presidente da CBIC, Eduardo Almeida, afirmou que a principal preocupação da entidade é o descompasso entre o aumento dos custos dos materiais de construção e os preços fixados nos contratos habitacionais.“Estamos em conversa com a Casa Civil. Os dados embasam claramente, com muito mais capilaridade que o INCC, como tem se comportado o custo dos materiais, bem acima da inflação”, disse.Segundo Almeida, a escalada dos custos ganhou força após os conflitos geopolíticos internacionais e continua pressionando o setor.“Isso tem preocupado muito o setor, principalmente no que se refere ao programa Minha Casa Minha Vida, modalidade FAR. Qual é a nossa preocupação? O preço do contrato é fixo, sem reajuste. Esse aumento de material iniciou muito fortemente após o início da guerra [no Oriente Médio] e tem permanecido em alta. Nossa preocupação é que os novos contratos não sejam mais atrativos e as pessoas que necessitam da moradia, as mais carentes, não possam tê-la. E também os contratos em andamento”, afirmou. Leia mais: Recife, Fortaleza e cidades médias ampliam disputa por novos lançamentosA avaliação da CBIC é que o atual cenário pode acabar pressionando a rentabilidade das construtoras e reduzindo o interesse por novos empreendimentos voltados à faixa de menor renda caso não haja mecanismos capazes de absorver parte da alta dos custos.Custos avançam acima da inflaçãoO Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulou alta de 6,44% nos 12 meses encerrados em julho, acima da inflação oficial de 4,44% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Já o Custo Unitário Básico (CUB Brasil), indicador calculado pela própria CBIC a partir dos dados estaduais, avançou 7,06% em 12 meses até junho. A pressão vem tanto da mão de obra quanto dos materiais. Segundo a entidade, o custo dos materiais aumentou 7,92% no período analisado pelo CUB Brasil, enquanto a mão de obra registrou alta de 6,33%.Pela primeira vez, a CBIC também divulgou um levantamento nacional sobre a variação dos principais insumos da construção. O destaque ficou para o fio de cobre, cujo preço médio subiu 21,35% em 12 meses. Outros produtos, como cimento, esquadrias, vidros e portas, registraram aumentos superiores à inflação.Energia e petróleo entram na contaNa avaliação da entidade, parte relevante dessa pressão está ligada ao aumento dos custos de energia sobre a cadeia produtiva. Ao comentar o encarecimento dos insumos, Aroeira destacou que muitos dos materiais utilizados pela construção dependem de processos industriais intensivos em energia. “São geralmente insumos que dependem muito de energia”, afirmou.“Teve também o conflito do Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, influenciando também o aumento dos insumos no setor”, complementou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC. Segundo a CBIC, a trajetória dos custos permanece em alta, mesmo em um cenário doméstico de desaceleração da inflação ao consumidor. The post CBIC leva alta dos custos do Minha Casa Minha Vida ao governo federal appeared first on InfoMoney.

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